16 de set de 2026 às 07:57
O papa Leão XIV disse hoje (16) que a diversidade dos povos do mundo "não é um perigo ou uma ameaça, mas um fator que enriquece e faz crescer a humanidade". Ele também criticou as atitudes de confronto que por vezes "degenera em violência".
“A oposição, que às vezes degenera em violência, constitui um fruto do poder do pecado e do modo como ele condiciona as mentalidades e as ações a todos os níveis, causando destruição e morte”, disse ele na audiência geral na praça de São Pedro, no Vaticano.
Ele falou sobre a necessidade de "abrir-se cada vez mais à lógica da reciprocidade, da partilha e do cuidado, como acontece também entre os diferentes membros do corpo humano (cf. 1 Cor 12, 21-25)".
O papa prosseguiu seu ciclo de catequese dedicado à Gaudium et spes, constituição pastoral sobre a Igreja e seu papel no mundo contemporâneo, aprovada pelo Concílio Vaticano II em 7 de dezembro de 1965.
Ele disse que a mensagem do documento, que considera a " multiplicação das relações entre os homens» (GS 23)" como um dos aspectos mais importantes do mundo atual, tem uma urgência especial nos dias de hoje.
Embora o desenvolvimento dos meios de comunicação, das redes sociais e da inteligência artificial ajude a quebrar “barreiras e distâncias”, segundo o papa as relações humanas “tendem a tornar-se cada vez menos pessoais, mais virtuais”.
O papa falou também sobre o risco de "delegar aos algoritmos decisões que competem exclusivamente à consciência humana".
“A tal respeito, fazer com que as relações sociais tenham peso real e profundidade pessoal é a contribuição que a comunidade cristã se propõe oferecer”, disse ele diante de centenas de fiéis reunidos na praça de São Pedro para ouvir seus ensinamentos.
O papa disse também que a constituição pastoral Gaudium et spes oferece uma definição concisa do bem comum, entendido como "«o conjunto das condições da vida social que permitem, tanto aos grupos como a cada membro, alcançar mais plena e facilmente a própria perfeição» (GS 26)".
Ao mesmo tempo, ele disse que o documento reconhece a interdependência entre os povos e afirma que "cada grupo deve ter em conta as necessidades e legítimas aspirações dos outros grupos e mesmo o bem comum de toda a família humana".
Respeito pela dignidade humana
Com base nessa abordagem, os padres conciliares identificaram algumas “conclusões práticas e mais urgentes”, como o respeito pela dignidade humana.
“Tudo quanto se opõe à vida, como toda a espécie de homicídio, genocídio, aborto, eutanásia e suicídio voluntário; tudo o que viola a integridade da pessoa humana, como as mutilações, os tormentos corporais e mentais e as tentativas para violentar as próprias consciências; tudo quanto ofende a dignidade da pessoa humana, como as condições de vida infra-humanas, as prisões arbitrárias, as deportações, a escravidão, a prostituição, o comércio de mulheres e jovens; e também as condições degradantes de trabalho, em que os operários são tratados como meros instrumentos de lucro e não como pessoas livres e responsáveis. Todas essas coisas e outras semelhantes são infamantes”.
Leão XIV disse também que a segunda consequência dessa mensagem é "o respeito e o amor até pelos adversários ou por aqueles que pensam ou agem diferentemente de nós (cf. GS, 28)".
Em terceiro lugar, o papa disse que a igualdade fundamental de todos os seres humanos dá origem à exigência de justiça social. Leão XIV exortou as pessoas a "superarem a mentalidade individualista" e a adotarem uma atitude de responsabilidade e participação.
“O futuro da humanidade depende do compromisso de cada um para colaborar com Deus e com os irmãos na construção de um mundo mais humano (cf. GS, 30)”, concluiu o papa.
Ao término da audiência geral, Leão XIV dirigiu uma saudação especial a vários grupos de peregrinos e falou sobre seu “profundo apreço” pelo apostolado realizado pelos capelães prisionais.
“Sejam sempre uma presença viva do Evangelho e da esperança cristã”, pediu ele, agradecendo-lhes também a colaboração com ele e com a Secretaria de Estado da Santa Sé no cuidado espiritual dos presos que escrevem diariamente ao papa para compartilhar seus dramas e feridas pessoais.
Entre os grupos presentes, Leão XIV também cumprimentou os participantes de um curso de assistência farmacêutica, a quem exortou a combinar a competência científica com a proximidade humana e uma visão holística da pessoa.
(acidigital)
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