sábado, 19 de setembro de 2026

Highlights Diocese of Rome Assembly, September 18, 2026 - Pope Leo XIV


Leão XIV: partilhar um estilo pastoral, não uniformizar experiências

Na Assembleia da Diocese de Roma na Basílica de São João de Latrão, o Papa convidou a Igreja em Roma a encontrar Cristo, gerar comunidades "livres e reconciliadas" e servir a cidade como um "local de missão". Leão XIV anunciou que aprovou com alegria a abertura do processo de canonização do pe. Di Liegro, fundador da Caritas de Roma, que nos ensina que o Evangelho não pode se encarnar sem escutar a realidade.

Mariangela Jaguraba – Vatican News

O Papa Leão XIV presidiu a Assembleia da Diocese de Roma, nesta sexta-feira (18/09), na Basílica de São João de Latrão.

O Santo Padre iniciou o seu discurso, recordando o que aconteceu na manhã de Páscoa, num jardim e num túmulo vazio. Maria Madalena estava lá. "Um homem se aproxima dela, que ela confunde com o jardineiro, e lhe faz duas perguntas: 'Por que você está chorando? Quem você está procurando?'"

Leão XIV disse que essas duas perguntas podem inspirar "o caminho imediato da Diocese de Roma", pois podemos "ouvi-las hoje dirigidas à nossa Igreja e a toda a cidade", sublinhou.

"Maria Madalena acorda antes do amanhecer e corre para o túmulo, porque nela há vida, há esperança! Assim, em Roma, há muitas pessoas que recomeçam a cada manhã, mas também comunidades paroquiais, associações, movimentos, grupos e entidades eclesiais que trabalham generosamente na evangelização, na caridade, no serviço à oração litúrgica. Claro que, ao lado dessa riqueza, vocês reconheceram honestamente algumas dificuldades. É o desânimo de quem não consegue encontrar o Senhor. Uma experiência que partilhamos com muitos irmãos e irmãs, mas que também vivenciamos. Às vezes, as propostas, as atividades e os encontros se multiplicam, e o centro, o sentido evangélico do que fazemos, se perde", disse o Papa.

“Em nossas comunidades, podemos permanecer anônimos, invisíveis e incompreendidos, ou podemos ser vistos, conhecidos e chamados pelo nome. E quem realmente encontra Cristo, como Maria Madalena, sente o coração cheio e, então, não consegue ficar parado; corre e vai anunciar. "Eu vi o Senhor!", diz a mulher aos discípulos. Não uma lembrança, não um assunto privado, mas uma alegria profunda que gera comunidade.”

Um momento do encontro na Basílica de São João de Latrão
Um momento do encontro na Basílica de São João de Latrão   (@Vatican Media)

O método da verificação pastoral

O Papa disse que não estava ali para apresentar "um novo programa pastoral". "Não estamos começando do zero, e nada do que vivemos deve ser arquivado. Nosso trabalho sobre as "doenças espirituais" nos ensinou a reconhecer o que, em nossa vida eclesial, precisa de cura, correção ou conversão. O Caminho Sinodal nos ensinou a escutar e discernir juntos, corresponsáveis ​​pela única missão", disse Leão XIV, convidando a desenvolver a dimensão "da verificação pastoral".

“Verificar, sob a luz do Espírito Santo, significa parar, reler o que aconteceu, reconhecer o que deu frutos, compreender o que não funcionou e buscar juntos as razões. Significa, em suma, estabelecer a verdade. Convido vocês a fazerem essa verificação envolvendo toda a comunidade e, sempre que possível, ouvindo também aqueles que não fazem parte dela e que veem as coisas, por assim dizer, "de fora".”

Para fazer essa verificação pastoral, o Papa sugeriu alguns pontos: primeiro, encontrar Cristo e fazer com que os outros o encontrem. "A Igreja não existe para si mesma, mas para conduzir cada pessoa a um encontro com o Senhor." Segundo, gerar comunidade. "A partir da Páscoa de Cristo, nascem novas comunidades livres e reconciliadas." Terceiro, habitar e servir a cidade. "Roma não é o cenário indiferente de nossas comunidades: é o local da nossa missão." "A essas três vertentes de verificação soma-se uma quarta, que abrange todas elas: a formação do Povo de Deus", acrescentou o Papa.

“O Bispo não está pedindo que vocês planejem novas atividades: está propondo um método compartilhado de escuta, discernimento, verificação e conversão. Os conteúdos e as prioridades continuam sendo de responsabilidade de suas comunidades, nos cinco âmbitos que são a catequese e a iniciação cristã, juventude, família, caridade e vocações, porque o objetivo é partilhar um estilo pastoral, não uniformizar as experiências. Nesse sentido, as Prefeituras são chamadas a se tornarem cada vez mais lugares de encontro, diálogo e elaboração pastoral compartilhada.”

O testemunho de uma família
O testemunho de uma família   (@VATICAN MEDIA)

Inicia o processo de canonização do pe. Di Liegro 

Uma grande aplauso saudou o anúncio de Leão XIV a propósito do início do processo de canonização do pe. Luigi Di Liegro — fundador e posteriormente diretor da Caritas de Roma e promotor, em 1974, da histórica conferência diocesana sobre "A responsabilidade dos cristãos diante das expectativas de caridade e justiça na cidade de Roma", conhecida como "a conferência sobre os males de Roma".

Aos presentes, representantes das 334 paróquias de um território de 881 quilômetros quadrados, o Papa indicou o pe. Di Liegro como referência para uma ação pastoral autêntica e concreta. O Pontífice reiterou que o testemunho desse sacerdote para a caminhada da Igreja "não reside primordialmente nas obras que realizou: o padre Luigi, antes de construir qualquer coisa, queria 'ver'. Em 1969, encomendou um levantamento sobre a religiosidade romana, pois aprendera que não há encarnação da mensagem sem escutar a realidade. Em seu último discurso, poucas semanas antes de morrer, pe. Luigi disse à sua equipe: "O discernimento é esta pergunta: Senhor, onde você está?"

O Papa durante a Assembleia Diocesana de Roma
O Papa durante a Assembleia Diocesana de Roma   (@VATICAN MEDIA)

Que os presbíteros sejam homens de escuta

A seguir, o Papa enfatizou que Roma precisa de sacerdotes que sejam homens de escuta e discernimento, homens que permanecem "diante do Senhor" para conduzir outros a um encontro verdadeiramente vivido com Ele. Sacerdotes que refletem sua vocação todos os dias.

“O sacerdote não concentra toda a responsabilidade em si mesmo. Ele reconhece carismas, forma consciências e possibilita a corresponsabilidade dos leigos: não por falta de força, mas por fidelidade à natureza da Igreja. Uma comunidade em que tudo depende do pároco é uma comunidade frágil, e presidir não significa fazer tudo. Significa gerar comunhão, valorizar as energias dos outros, conectar pessoas e realidades e preservar a unidade.”

"O sacerdote integra-se e deseja pertencer a uma comunidade capaz de compreender seu entorno, compartilhar suas feridas e esperanças, responsável pela vida de todos, mesmo daqueles que nunca entram na Igreja. Esta é a forma que a caridade assume na presidência pastoral, e é o que impede uma paróquia de se autopreservar", sublinhou.

Basílica de São João de Latrão durante a Assembleia Diocesana de Roma
Basílica de São João de Latrão durante a Assembleia Diocesana de Roma   (@VATICAN MEDIA)

O presbitério é uma fraternidade

"O presbitério não é a soma de sacerdotes que se reúnem para fins organizacionais: é uma fraternidade, e é o primeiro lugar para verificar se o que fazemos realmente gera comunhão", disse Leão XIV. O Papa convidou os seminaristas a deixarem-se "formar tanto pelos livros, necessários para o encontro com bons mestres, quanto pelos rostos: dos pobres, dos doentes, do povo de nossas paróquias. A vocês e aos seus formadores, expresso minha gratidão e minha confiança. Os jovens não se entregam a um papel, mas seguem homens e mulheres felizes com o que são".

O Papa concluiu, dizendo: "Queridos irmãos e irmãs de Roma, não tenham medo de se deixarem chamar pelo nome! O Senhor vivo se deixa encontrar por quem, como Maria no amanhecer da Páscoa, ainda têm a coragem de procurá-lo, mesmo em lágrimas, mesmo na escuridão. Que a Mãe de Deus, Salus Populi Romani, os acompanhe".


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