26 de set de 2026 às 06:34
O papa Leão XIV ouviu hoje (26) os relatos de fé e esperança de dois migrantes na França, durante sua visita a um centro de integração da arquidiocese de Paris.
A França é um dos países europeus que recebe o maior fluxo de imigrantes. A imigração é uma questão política profundamente polêmica, que também está ligada às eleições presidenciais do próximo ano, nas quais a política anti-imigração Marine Le Pen figura atualmente como favorita.
Cerca de oito milhões de imigrantes vivem na França, o que representava 11,6% da população total do país em 2025, segundo o Instituto Nacional de Estatística da França.
Leão XIV visitou a Maison Bakhita, um centro que oferece apoio e integração a imigrantes na arquidiocese de Paris. A visita do papa coincide com o quinto aniversário do centro, que oferece oficinas de costura, culinária, artes visuais e informática.
O centro, que leva o nome de santa Josefina Bakhita — sequestrada e escravizada quando era criança no Sudão —, já acolheu 2,5 mil pessoas de 84 nacionalidades desde que abriu suas portas no final de setembro de 2021. Conta com cinco funcionários permanentes e 100 voluntários.
“O nome do vosso Centro de Acompanhamento e Integração Social, ao fazer referência a Santa Bakhita, incentiva-nos a reconhecer o papel fundamental das mulheres na construção de uma civilização do amor, alternativa à cultura que desagrega as comunidades e torna as cidades doentes de solidão”, disse o papa.
Leão XIV ouviu o testemunho de Blessing, uma mulher nigeriana de 31 anos que descreveu como sua vida mudou após receber a ajuda e a amizade da Aux Captifs, la Libération, uma organização católica de caridade que ajuda pessoas em situação de rua e em situação de prostituição.
Blessing descreveu uma vida difícil na qual foi “obrigada a fazer coisas que não queria fazer”. No entanto, graças à ajuda que recebeu, conseguiu deixar essa vida para trás e começou a trabalhar em um restaurante.
“Deus ocupa um lugar importante na minha vida. Sem Deus, nada é possível”, disse. “Mesmo em meio às dificuldades que vivi, nunca duvidei de sua presença e sabia que, algum dia, Ele abriria um novo caminho para mim. Às vezes, gostaria que Deus pudesse apagar tudo como um mágico, mas sei que Ele fará tudo no tempo certo”.
O papa também ouviu Meysam, um refugiado afegão de 35 anos. Na Maison Bakhita, ele conseguiu melhorar seu francês e suas habilidades em costura. Agora, ele é voluntário do centro: “Saio duas vezes por semana às ruas para encontrar pessoas exiladas e refugiadas sem documentos. É uma forma de retribuir o que eu mesmo recebi”.
Leão XIV agradeceu a todos os que trabalham no centro, “bem como a todas as pessoas que, em toda a França, prestam este serviço em instituições semelhantes”.
“Continuai a dar testemunho do cuidado mútuo que, por meio do acolhimento fraterno, dos percursos formativos e do diálogo com a cidade, eleva o espírito e humaniza o mundo”, disse.
“Que Santa Bakhita e os grandes testemunhos da caridade que moldaram a presença da Igreja na França, especialmente em épocas de mudanças conturbadas, intercedam por vós”, concluiu.
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