domingo, 20 de setembro de 2026

Legião de Maria celebra 105 anos de presença em Hong Kong

 

Com cerca de 6 mil membros, associação católica mantém uma espiritualidade centrada em Maria, na oração, na formação e no apostolado junto aos mais necessitados

Com cerca de 6 mil membros, associação católica mantém uma espiritualidade centrada em Maria, na oração, na formação e no apostolado junto aos mais necessitados

A Legião de Maria celebrou em Hong Kong os 105 anos de sua fundação, recordando uma história marcada pela devoção mariana, pela formação dos leigos e pelo compromisso com a evangelização. Para marcar o aniversário, o Comitium de Hong Kong da associação promoveu uma solene Eucaristia de ação de graças na Catedral da Imaculada Conceição. A celebração foi presidida pelo cardeal Stephen Chow Sau-yan, bispo de Hong Kong, e concelebrada por 24 sacerdotes, com a participação litúrgica de cinco diáconos.

Fundada em Dublin, na Irlanda, em 7 de setembro de 1921, na véspera da festa da Natividade da Virgem Maria, a Legião de Maria chegou oficialmente a Hong Kong em dezembro de 1948. Atualmente, a associação conta na região com aproximadamente 6 mil membros, divididos entre membros ativos e auxiliares. Segundo o semanário diocesano Kung Kao Po, os legionários reuniram-se para agradecer a Deus pelas graças recebidas e renovar seu compromisso com a missão da Igreja.

A espiritualidade da Legião está profundamente vinculada ao exemplo de Maria, especialmente ao seu “fiat”, à obediência e à humildade. Criada pelo leigo irlandês Frank Duff juntamente com um pequeno grupo de católicos, a associação recebeu o nome de “Legião” como referência à antiga organização militar romana, evocando elementos como disciplina, fraternidade, dedicação e disponibilidade para o serviço. Ao longo de sua história, porém, a Legião se consolidou essencialmente como uma associação de leigos e uma escola de apostolado católico, destinada a viver e transmitir a fé sob a inspiração da Virgem Maria.

Oração que se transforma em serviço

A experiência da Legião de Maria em Hong Kong mostra que sua atividade não se limita à oração do Rosário. A espiritualidade mariana procura traduzir-se em ações concretas de evangelização e caridade. Os membros visitam idosos, doentes e pessoas que vivem sozinhas, desenvolvem atividades nas comunidades locais, trabalham com crianças e jovens e acompanham pessoas que desejam aproximar-se da Igreja.

Também fazem parte desse apostolado o auxílio à preparação para o Batismo, o acompanhamento de pessoas no caminho de descoberta ou aprofundamento da fé católica, a colaboração nas atividades paroquiais e o contato com aqueles que se encontram afastados da comunidade eclesial. A oração pelas pessoas e pelas situações difíceis permanece como outra dimensão essencial da missão.

Em uma sociedade marcada por um processo crescente de secularização, a experiência da Legião é apresentada como uma possibilidade de oferecer aos jovens um caminho estruturado de formação e vida cristã. A disciplina própria da associação, unida à fraternidade e ao serviço, pode ajudá-los a amadurecer na fé e a compartilhar com amigos e conhecidos a experiência espiritual vivida na comunidade.

Uma história marcada pela China

A trajetória da Legião de Maria no mundo chinês também está ligada às profundas transformações políticas e religiosas ocorridas ao longo do século XX. A associação chegou à China continental por volta da década de 1930, graças sobretudo ao trabalho do padre Aedan McGrath, sacerdote irlandês da Sociedade para as Missões Estrangeiras de São Columbano. Com o apoio do arcebispo Antonio Riberi, então delegado apostólico da Santa Sé na China, McGrath colaborou na criação de grupos da Legião em diferentes regiões do país.

Por volta de 1948, Xangai havia se tornado um dos principais centros da associação, que se expandiu para cidades como Tianjin, Guangzhou, Guilin e Chongqing. Entre 1948 e 1951, padre McGrath participou da fundação de aproximadamente 2 mil praesidia — grupos locais da Legião — em diferentes partes da China continental, muitos deles ligados às escolas.

A situação mudou radicalmente depois de 1949. A própria denominação “Legião”, associada literalmente à ideia de um exército, tornou-se particularmente sensível no novo contexto político. Ao mesmo tempo, a associação enfatizava a fidelidade à Igreja e ao Papa, a evangelização, a formação dos leigos, a unidade dos católicos e o testemunho cristão na sociedade.

Em 1951, as autoridades de Xangai proibiram oficialmente a Legião de Maria, e posteriormente suas organizações foram dissolvidas em outras partes da China continental. Muitos de seus integrantes foram presos, interrogados ou detidos e, em alguns casos, submetidos a longos períodos de trabalho forçado. Padre McGrath também foi preso e permaneceu detido em Xangai por mais de dois anos, sendo libertado em 1954.

Uma tradição que atravessou gerações

A história da Legião de Maria na China faz parte também da história de católicos que procuraram preservar sua fé e sua identidade eclesial em circunstâncias particularmente difíceis. A dissolução oficial das organizações legionárias na China continental não significa necessariamente que tenham desaparecido todas as pessoas e comunidades que conservaram vínculos com sua tradição espiritual.

A experiência transmitida de pessoa para pessoa permitiu, segundo a perspectiva da própria associação, que esse patrimônio de fé fosse preservado. Em Hong Kong e Taiwan, por sua vez, a Legião pôde continuar seu desenvolvimento público, mantendo estruturas organizadas e uma presença ativa.

Mais de um século depois de sua fundação, a experiência da Legião de Maria permanece assim marcada pela combinação entre devoção mariana, oração, formação e missão. Em Hong Kong, seus milhares de membros procuram renovar essa herança por meio de um apostolado que leva a oração para as ruas, para as paróquias, para as famílias e, sobretudo, para junto das pessoas que necessitam de companhia, cuidado e uma palavra de esperança.

*Com informações de Agência Fides

(vaticannews)

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