quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

PALAVRA DE VIDA - FEVEREIRO



“Felizes os puros no coração porque verão a Deus”. (Mt 5,8)

A pregação de Jesus tem início com o sermão da montanha. Numa colina próxima de Cafarnaum, às margens do lago de Tiberíades, sentado, como era costume entre os mestres, Jesus anuncia às multidões o homem das bem-aventuranças. No Antigo Testamento, frequentemente se usava a palavra “bem-aventurado”, “feliz”, para exaltar a pessoa que cumpria, dos modos mais variados, a Palavra do Senhor.
Nas bem-aventuranças que Jesus anunciava, ressoavam, em parte, aquelas que os discípulos já conheciam; no entanto, pela primeira vez, eles ouviam dizer que os puros de coração não só eram dignos de subir ao monte do Senhor, como cantava o Salmo (cf. Sl 24[23],3-4), mas também podiam até mesmo ver a Deus. Qual seria, então, esta pureza tão sublime a ponto de merecer tanto? Jesus explicaria isso várias vezes no decorrer de sua pregação. Vamos procurar segui-lo para chegar à fonte da autêntica pureza.
“Felizes os puros no coração porque verão a Deus”.
Para Jesus, antes de mais nada, existe um meio excelente de purificação: “Vós já estais limpos por causa da palavra que vos falei” (Jo 15,3). Não são tanto as práticas de rituais que purificam a alma, mas a sua Palavra. A Palavra de Jesus não é como as palavras humanas. Cristo está presente nela, assim como, embora de outro modo, está presente na Eucaristia. Pela Palavra, Cristo entra em nós e, na medida em que a deixamos agir, torna-nos livres do pecado e, consequentemente, puros de coração.
A pureza, portanto, é fruto da Palavra vivida, de todas aquelas Palavras de Jesus que nos libertam dos chamados apegos, nos quais invariavelmente caímos, se não temos o coração fixo em Deus e nos seus ensinamentos. Podem ser apegos às coisas, às criaturas ou a nós mesmos. Mas se o coração está voltado somente para Deus, todo o resto perde interesse.
Para obter êxito nessa tarefa, pode ser útil repetir a Jesus, a Deus, durante o dia, a invocação do Salmo: “És tu, Senhor, o meu único bem” (cf. Sl 16[15],2). Experimentemos repeti-la frequentemente e, sobretudo, quando os diversos apegos ameaçarem arrastar o nosso coração para aquelas imagens, sentimentos e paixões que podem ofuscar a visão do bem e nos tirar a liberdade.
Somos levados a olhar certas publicidades, a assistir certos programas de televisão? Não. Digamos: “És tu, Senhor, o meu único bem”, e este será o primeiro passo que nos fará sair de nós mesmos, ao redeclararmos o nosso amor a Deus. Desse modo teremos crescido em pureza.
Percebemos, às vezes, que uma pessoa ou uma atividade se interpõe, como um obstáculo, entre nós e Deus, poluindo o nosso relacionamento com Ele? É o momento de repetir-lhe: “És tu, Senhor, o meu único bem”. Isso nos ajudará a purificar as nossas intenções e a reencontrar a liberdade interior.
“Felizes os puros no coração porque verão a Deus”.
A Palavra vivida nos torna livres e puros porque é amor. É o amor que purifica, com o seu fogo divino, as nossas intenções e todo o nosso íntimo, pois na linguagem bíblica, o “coração” é a sede mais profunda da inteligência e da vontade.
Mas, existe um amor que é um mandamento de Jesus e que nos permite viver esta bem-aventurança. É o amor mútuo entre pessoas que estão prontas a dar a vida pelos outros, a exemplo de Jesus. Esse amor – pela presença de Deus, o único que pode criar em nós um coração puro (cf. Sl 51[50],12) – cria uma corrente, um intercâmbio, uma atmosfera cuja nota dominante é justamente a transparência, a pureza. É vivendo o amor recíproco que a Palavra age com seus efeitos de purificação e de santificação.
A pessoa isolada não é capaz de resistir por muito tempo às solicitações do mundo, enquanto que, no amor mútuo, ela encontra o ambiente sadio, capaz de proteger a sua pureza e toda a sua autêntica existência cristã.
“Felizes os puros no coração porque verão a Deus”.

E é este o fruto dessa pureza, sempre reconquistada: pode-se “ver” a Deus, isto é, pode-se entender a sua ação na nossa vida e na história, ouvir a sua voz no coração, reconhecer a sua presença lá onde ela se encontra: nos pobres, na Eucaristia, na sua Palavra, na comunhão fraterna, na Igreja.
É saborear antecipadamente a presença de Deus, que já começa nesta vida, “caminhando pela fé e não pela visão” (2Cor 5,7), até o dia em que “veremos face a face” (1Cor 13,12) por toda a eternidade.


Chiara Lubich


segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

O ENVIO DO PAPA DAS FAMÍLIAS DO CAMINHO NEOCATECUMENAL

DISCURSO DO PAPA FRANCISCO
AOS REPRESENTANTES DO CAMINHO NEOCATECUMENAL
Sala Paulo VI
Sábado, 1º de Fevereiro de 2014


Amados irmãos e irmãs!
Agradeço ao Senhor a alegria da vossa fé e o fervor do vosso testemunho cristão, graças a Deus! A todos saúdo cordialmente, começando pela Équipe responsável internacional do Caminho Neocatecumenal, juntamente com os sacerdotes, os seminaristas e os catequistas. Dirijo uma saudação cheia de afecto às crianças, presentes em grande número. O meu pensamento dirige-se de modo especial às famílias, que irão a diversas partes do mundo para anunciar e testemunhar o Evangelho. A Igreja está-vos grata pela vossa generosidade! Agradeço-vos quanto fazeis na Igreja e no mundo.
E precisamente em nome da Igreja, nossa Mãe — a nossa Santa Mãe Igreja, hierárquica como gostava de dizer Santo Inácio de Loyola — em nome da Igreja gostaria de vos propor algumas recomendações simples. A primeira é ter o máximo cuidado por construir e preservar a comunhão no âmbito das Igrejas particulares nas quais ireis trabalhar. O Caminho tem um carisma próprio, uma sua dinâmica, um dom que como todos os dons do Espírito tem uma profunda dimensão eclesial; isto significa pôr-se à escuta da vida das Igrejas às quais os vossos responsáveis vos enviam, para valorizar as riquezas, sofrer pelas debilidades se for necessário, e caminhar juntos, como una única grei, sob a guia dos Pastores das Igrejas locais. A comunhão é essencial: por vezes pode ser melhor renunciar a viver em todos os pormenores aquilo que o vosso itinerário exigiria, para garantir a unidade entre os irmãos que formam a única comunidade eclesial, da qual vos deveis sentir sempre parte.
Outra indicação: onde quer que fordes, far-vos-á bem pensar que o Espírito de Deus chega sempre antes de nós. Isto é importante: o Senhor precede-nos sempre! Pensai em Filipe, quando o Senhor o convida para aquele caminho no qual encontra um administrador sentado no seu carro (cf. Act 8, 27-28). O Espírito chegou primeiro: ele lia o profeta Isaías e não compreendia, mas o coração ardia. Assim, quando Filipe se aproxima, ele está preparado para a catequese e para o Baptismo. O Espírito precede-nos sempre; Deus chega sempre antes de nós! Até nos lugares mais distantes, nas culturas mais diversas, Deus espalha em toda a parte as sementes do seu Verbo. Disto brota a necessidade de uma especial atenção ao contexto cultural no qual vós, famílias, ireis trabalhar: trata-se de um ambiente muitas vezes diferente daquele do qual provindes. Muitos de vós terão dificuldade em aprender a língua local, por vezes difícil, e este esforço é apreciável. Muito mais importante será o vosso compromisso por «aprender» as culturas que encontrardes, sabendo reconhecer a necessidade do Evangelho que está presente em toda a parte, mas também aquela acção que o Espírito Santo realizou na vida e na história de cada povo.
E por fim, exorto-vos a ter solicitude com amor uns pelos outros, de modo particular pelos mais débeis. O Caminho Neocatecumenal, enquanto itinerário de descoberta do próprio Baptismo, é um caminho exigente, ao longo do qual um irmão ou uma irmã pode encontrar dificuldades imprevistas. Nestes casos a prática da paciência e da misericórdia por parte da comunidade é sinal de maturidade na fé. A liberdade de cada um não deve ser forçada, e deve-se respeitar também a eventual escolha de quem decidir procurar, fora do Caminho, outras formas de vida cristã que o ajudem a crescer na resposta à chamada do Senhor.
Queridas famílias, estimados irmãos e irmãs, encorajo-vos a levar a toda a parte, também aos ambientes mais descristianizados, sobretudo às periferias existenciais, o Evangelho de Jesus Cristo. Evangelizar com amor, levar a todos o amor de Deus. Dizei a quantos encontrardes pelos caminhos da vossa missão que Deus ama o homem como ele é, também com os seus limites, erros e pecados. Por isso enviou o seu Filho, para que Ele assumisse sobre si os nossos pecados. Sede mensageiros e testemunhas da bondade infinita e da misericórdia inexaurível do Pai.
Recomendo-vos à nossa Mãe, Maria, para que inspire e ampare sempre o vosso apostolado. Na escola desta terna Mãe sede missionários zelosos e jubilosos. Não percais a alegria, em frente!

(facebook)

domingo, 9 de fevereiro de 2014

O SERMÃO DA MONTANHA



(Do: facebook)

HOJE É O DIA DO SENHOR





V DOMINGO DO TEMPO COMUM 

 "Sal e Luz"

No ano litúrgico A, que estamos celebramos,
o evangelho de Mateus será nosso companheiro.
Mateus apresenta cinco longos discursos,
nos quais ele junta "ditos" e ensinamentos
proferidos por Jesus em várias ocasiões e contextos.
Escrevendo aos judeus, desejava mostrar nesses cinco discursos a NOVA LEI, destinada a substituir a antiga Lei, dada ao Povo por meio de Moisés e
escrita no Pentateuco (cinco primeiros livros da Bíblia).

No domingo passado, iniciamos o Primeiro: O Sermão da Montanha,
cuja introdução são as BEM-AVENTURANÇAS. 
(Na liturgia, ficou substituído, pela festa da apresentação do Senhor);

Hoje continuamos o Sermão da Montanha. JESUS mostra, mediante 2 símbolos, o compromisso no Reino de Deus: ser: SAL DA TERRA e LUZ DO MUNDO.

A 1ª Leitura apresenta as condições para ser Luz.
Não basta o cumprimento de ritos estéreis e vazios,
precisa o compromisso concreto que leva o homem a ser
um sinal do amor de Deus no meio do povo. (Is 58,7-10)

A 2ª Leitura avisa que ser "Luz" não é colocar a sua esperança de salvação
em esquemas humanos de sabedoria, mas identificar-se com Cristo. (1Cor 2,1-5)

No Evangelho, Jesus exorta os seus discípulos a serem
o "Sal da terra e a luz do mundo". (Mt 5,13-16)

+ Para que serve o Sal?

  - Para dar SABOR à comida e CONSERVAR os alimentos...
    O que o Sal é para a comida, o cristão deve ser para o seu semelhante:
     * Tornar a Religião apetitosa e agradável...
        Ser o tempero que dá o gosto pelas coisas de Deus,
        que dá o sabor à vida, com seu entusiasmo, seu otimismo,
        sua alegria nascida de Deus, fonte de todo bem.
     * Ser um elemento que preserva o mundo de hoje da corrupção...

- Sua PRESENÇA na comida é discreta, mas atua eficazmente.
  O sal se dissolve completamente nos alimentos e se perde em agradável sabor.
  * Assim o cristão: Ser sal da terra, humilde, derretido, saboroso,
     que atua de dentro, que não se nota, mas é indispensável.

- O Sal jamais PERDE A QUALIDADE de sal...
  * Os cristãos podem fazer o sal perder seu sabor:
      tirando o sabor da mensagem de Jesus, das exigências do evangelho...
      E o que fazer deles? "De nada mais serve senão ser jogado fora..."
E Cristo reforça essa verdade, ilustrando com outra figura:
"Vós sois a LUZ DO MUNDO".
+ O que é a Luz para nós?
    Sinal de vida, de calor, dinamismo, trabalho...

- Na Bíblia: a Luz tem um significado muito rico...:
  * Na criação: A Luz recorda o 1o ato do Criador...
  * No Êxodo do Egito, a Coluna de fogo guiava o povo para a Terra Prometida.
  * Isaías: O Servo de Javé: "Luz das nações".
  * Jesus: "Eu sou a Luz do Mundo"...
     A Luz por excelência é o esplendor do Pai...
     É a Luz que dá sentido à vida, à dor e à própria morte...
- E Cristo não quer ser Luz sozinho:
  Por isso, nos convida a também nós sermos LUZ:
    
+ Para que serve a Luz?

- Para mostrar o caminho... as belezas presentes na natureza.
   Sem a luz não as enxergamos...
  * O cristão deve ser uma luz acesa apontando
     os caminhos da vida, da liberdade, do amor, da fraternidade...
- Para iluminar os objetos,
   não para ser olhada em si mesma... nem para ficar escondida...
  * Cristão não a "Luz", mas um "reflexo da Luz",
     que mostra as coisas bonitas que a ação de Deus realizou em nós.
     "Assim brilhe a vossa luz diante dos homens... para que vejam as vossas
      boas obras e glorifiquem o Pai que está no céu". (Mt 5,16)
      Jesus ensina que os homens devem enxergar "as boas obras"
      e glorificar o Pai (não a nós).

+ Ninguém é Luz por si próprio: é ligado a uma FONTE geradora:

   * Como a Lâmpada depende do Gerador,
      assim nós dependemos do gerador que é Cristo para iluminar.
      E iluminamos na medida em que estivermos ligados ao Senhor.
      Essa união se faz pela meditação da palavra de Deus,
      pela comunhão eucarística e pela oração...

+ Essa é a nossa Missão:
         Ser Sal da Terra e Luz do Mundo...

         SAL  que preserva da corrupção e dá gosto das coisas de  Deus...
         LUZ  que ilumina e se consome a serviço dos irmãos,
                    iluminando o caminho que leva ao Pai...

Se não, seremos INÚTEIS... jogados fora...

Peçamos a Deus muita LUZ para compreender essa missão e
                          muita FORÇA para sermos de fato:    
                         Sal da Terra e Luz do Mundo...



   Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa - 09.02.2014


sábado, 8 de fevereiro de 2014

Vivências




"Não se pode amar a Deus e ao dinheiro"


O dinheiro! só o dinheiro e mais dinheiro!
Tenho tentado cultivar no meu coração, o que me ensinam os catequistas: que o deus único e verdadeiro, é o Senhor. Pensei que caminhava no sentido de amar a Deus acima de todos e de tudo, da partilha, da comunhão... .

Engano dos enganos! Isso só acontece quando eu tenho extras para partilhar! Obrigada!... que vantagem há nisso? Na realidade, não ter dinheiro, mesmo, é bem diferente. Tudo muda, até o coração fica duro e ganancioso. Até se esquece a Palavra de Deus, as exortações...
Que tristeza! Desilusão! Agarrada aos bens materiais igual a muita gente que eu criticava, claro, eu só sei criticar! Eu é que sou a boa!

Mas nesta confusão, o Senhor abriu o meu entendimento e deu-me luz para eu ver o sujo em que anda o meu coração e discernimento para assumir a fragilidade e pedir, pedir muito aquilo de que mais preciso: a Sua misericórdia.

Agradecer esta clarividência e o ter sido escolhida por Ele sem merecer dia e noite, todos os dias da minha vida, é ... nada. TUDO, é fazer a Sua vontade!


PASSA UM DIA EM PAZ



"A misericórdia de Deus não exclui ninguém"



 O Papa Francisco aos prelados da conferência episcopal polaca
em visita «ad limina Apostolorum» ·

7 de Fevereiro de 2014

Divorciados e separados constituem um desafio pastoral para a Igreja. Por isso, é preciso interrogar-se sobre o modo de os assistir para não os fazer sentir-se excluídos da misericórdia de Deus, recomendou o Papa Francisco na manhã de 7 de Fevereiro, aos bispos polacos em visita “ad limina”. Hoje o matrimónio «é muitas vezes considerado uma forma de gratificação afectiva que pode constituir-se de qualquer modo e modificar-se segundo a sensibilidade de cada um. Infelizmente, esta visão influencia também a mentalidade dos cristãos, facilitando o recurso ao divórcio ou à separação de facto». Pessoas que contudo não podem ser abandonas pela Igreja.
 E por isso, os «pastores – frisou o Papa – são chamados a interrogar-se sobre o modo de assistir quantos estão em tal situação, a fim de que não se sintam excluídos da misericórdia de Deus, do amor fraterno de outros cristãos e da solicitude da Igreja pela sua salvação; ajudá-los a não abandonar a fé; fazer crescer os seus filhos na plenitude da experiência cristã».
A atenção à família é uma das recomendações pastorais do Papa aos prelados polacos, chamados a enfrentar desafios que põem em perigo inclusive «as grandes potencialidades de fé, de oração, de caridade e de prática cristã» das quais é rica a Igreja na Polónia.
Recordando a celebração, em Cracóvia, da próxima Jmj em 2016, o Pontífice falou sobre os jovens, que num mundo cada vez mais rico de instrumentos informáticos capazes de resolver qualquer dificuldade de comunicação, correm o risco de perder de vista a importância da relação interpessoal. Por isso, é preciso orientá-los para formas associativas e movimentos «cuja espiritualidade esteja assente na Palavra de Deus, na liturgia, na vida comunitária e no testemunho missionário».
Depois, Francisco exortou os bispos polacos a prestar atenção especial à promoção das vocações ao sacerdócio e à vida consagrada, e sobretudo à formação dos novos presbíteros, animados por um espírito missionário que os faça sair para ir ao encontro de quantos ainda estão à espera do anúncio. Enfim, o Papa exortou os prelados a alimentar cada vez mais entre os fiéis a «fantasia da caridade» que leva à solidariedade com os pobres.


(L´OSSERVATORE ROMANO)