sábado, 20 de fevereiro de 2016

Pregação quaresmal dirigida ao Papa e Cúria


1ª Pregação quaresmal: A adoração em Espírito e Verdade 


Padre Raniero Cantalamessa, OFM Cap
Primeira Pregação da Quaresma
A adoração em Espírito e Verdade
Reflexão sobre a Constituição Sacrosanctum Concilium

1. O Concílio Vaticano II: um afluente, não o rio
Nessas meditações quaresmais eu gostaria de continuar a reflexão sobre outros grandes documentos do Vaticano II, depois de meditar no Advento, na Lumen Gentium. Mas creio que é útil fazer uma premissa. O Vaticano II é um afluente, não é o rio. Em seu famoso trabalho sobre “O Desenvolvimento da Doutrina Cristã”, o beato Cardeal Newman declarou enfaticamente que parar a tradição em um ponto do seu curso, mesmo sendo um concílio ecumênico, seria torna-la uma morta tradição e não uma “tradição viva”. A tradição é como uma música. O que seria de uma melodia que parasse numa nota, repetindo-a ad infinitum? Isso acontece com um disco que arranha e sabemos o efeito que produz.
São João XXIII queria que o Concílio fosse para a Igreja “como um novo Pentecostes”. Em um ponto, pelo menos, essa oração foi ouvida. Após o Concílio houve um despertar do Espírito Santo. Ele não é mais “o desconhecido” na Trindade. A Igreja tornou-se mais consciente de sua presença e de sua ação. Na homilia da Missa crismal da Quinta-feira Santa de 2012, o Papa Bento XVI afirmava:
“Quem olha para a história da época pós-conciliar é capaz de reconhecer a dinâmica da verdadeira renovação, que frequentemente assumiu formas inesperadas em movimentos cheios de vida e que torna quase palpável a vivacidade inesgotável da Santa Igreja, a presença e a ação eficaz do Espírito Santo”.
Isso não significa que nós podemos desprezar os textos do Concílio ou ir além deles; significa reler o Concílio à luz dos seus próprios frutos. Que os concílios ecumênicos possam ter efeitos não compreendidos no momento, por aqueles que fizeram parte deles, é uma verdade evidenciada pelo próprio cardeal Newman sobre o Vaticano I[1], porém testemunhada mais vezes na história. O concílio ecumênico de Éfeso do 431, com a definição de Maria como Theotokos, Mãe de Deus, procurava afirmar a unidade da pessoa de Cristo, não aumentar o culto à Virgem, mas, de fato, o seu fruto mais evidente foi precisamente este último.
Se há uma área em que a teologia e a vida da Igreja Católica foi enriquecida nestes 50 anos de pós-concílio, é certamente a relacionada ao Espírito Santo. Em todas as principais denominações cristãs, estabeleceu-se nesses últimos tempos, aquilo que, com uma expressão cunhada por Karl Barth, foi chamada de “a Teologia do Terceiro artigo”. A teologia do terceiro artigo é aquela que não termina com o artigo sobre o Espírito Santo, mas começa com ele; que leva em conta a ordem com que se formou a fé cristã e o seu credo, e não só o seu produto final. Foi, de fato, à luz do Espírito Santo que os apóstolos descobriram quem era realmente Jesus e a sua revelação sobre o Pai. O credo atual da Igreja é perfeito e ninguém sequer sonha em muda-lo, porém, ele reflete o produto final, o último estágio alcançado pela fé, não o caminho através do qual se chega a isso, enquanto que, em vista de uma renovada evangelização, é vital para nós conhecer também o caminho por meio do qual se chega à fé, não só a sua codificação definitiva que proclamamos no credo de memória.
A esta luz aparece claramente as implicações de determinadas afirmações do concílio, mas aparecem também os vazios e lacunas a serem preenchidos, em especial, precisamente sobre o papel do Espírito Santo. Já tomava nota desta necessidade São João Paulo II, quando, por ocasião do XVI centenário do concílio ecumênico de Constantinopla, em 1981, escrevia em sua Carta Apostólica, a seguinte afirmação:
“Todo o trabalho de renovação da Igreja, que o Concílio Vaticano II tão providencialmente propôs e iniciou […] não pode ser realizado a não ser no Espírito Santo, isto é, com a ajuda da sua luz e do seu poder[2]”.

2. O lugar do Espírito Santo na liturgia
Esta premissa geral é particularmente útil ao lidar com o tema da liturgia, a Sacrosanctum concilium. O texto nasce da necessidade, sentida por um longo tempo e por muitos, de uma renovação das formas e ritos da liturgia católica. A partir deste ponto de vista, os seus frutos foram muitos e, no conjunto, benéficos para a Igreja. Menos advertida era, naquele momento, a necessidade de debruçar-se sobre aquilo que, seguindo Romano Guardini, geralmente chama-se “o espírito da liturgia[3]”, e que – no sentido que vou explicar – eu chamaria mais de “a liturgia do Espírito” (Espírito com letra maiúscula!).
Fies à intenção declarada destas nossas meditações de valorizar alguns aspectos mais espirituais e interiores dos textos conciliares, é precisamente neste ponto que eu gostaria de refletir. A SC dedica a isso só um curto texto inicial, fruto do debate que precedeu a redação final da constituição[4]:
“Em tão grande obra, que permite que Deus seja perfeitamente glorificado e que os homens se santifiquem, Cristo associa sempre a si a Igreja, sua esposa muito amada, a qual invoca o seu Senhor e por meio dele rende culto ao Eterno Pai. Com razão se considera a Liturgia como o exercício da função sacerdotal de Cristo. Nela, os sinais sensíveis significam e, cada um à sua maneira, realizam a santificação dos homens; nela, o Corpo Místico de Jesus Cristo – cabeça e membros – presta a Deus o culto público integral. Portanto, qualquer celebração litúrgica é, por ser obra de Cristo sacerdote e do seu Corpo que é a Igreja, ação sagrada par excelência, cuja eficácia, com o mesmo título e no mesmo grau, não é igualada por nenhuma outra ação da Igreja[5]”.
É nos indivíduos, ou nos “atores” da liturgia que hoje somos capazes de perceber uma lacuna nesta descrição. Os protagonistas aqui realçados são dois: Cristo e a Igreja. Falta qualquer alusão ao lugar do Espírito Santo. Também no resto da Constituição, o Espírito Santo nunca é sujeito de um discurso direto, só nomeado aqui e ali, e sempre “oblíquo”.
O Apocalipse nos diz a ordem e o número completo dos atores litúrgicos quando resume o culto cristão na frase: “O Espírito e a Esposa dizem (a Cristo, o Senhor), Vem!” (Ap 22, 17). Mas Jesus já havia manifestado perfeitamente a natureza e a novidade do culto da Nova Aliança no diálogo com a Samaritana: “Mas vem a hora, e já chegou, em que os verdadeiros adoradores hão de adorar o Pai em espírito e verdade, e são esses adoradores que o Pai deseja”. (Jo 4, 23).
A expressão “Espírito e Verdade”, à luz do vocabulário joanino, só pode significar duas coisas: ou “o Espírito de verdade”, ou seja, o Espírito Santo (Jo 14, 17; 16,13) ou o Espírito de Cristo, que é a verdade (Jo 14, 6). Uma coisa é certa: não tem nada a ver com a explicação subjetiva, cara a idealistas e românticos, de que “espírito e verdade”, indicariam a interioridade escondida do homem, em oposição a qualquer culto externo e visível. Não se trata só apenas da passagem do exterior para o interior, mas da passagem do humano para o divino.
Se a liturgia cristã é “o exercício da função sacerdotal de Jesus Cristo”, a melhor maneira de descobrir a sua natureza, é ver como Jesus exerceu a sua função sacerdotal em sua vida e em sua morte. A tarefa do sacerdote é oferecer “orações e sacrifícios” a Deus (cf. Hb 5,1; 8,3). Agora sabemos que era o Espírito Santo que colocava no coração do Verbo feito carne o grito “Abba”! que encerra toda a sua oração. Lucas observa explicitamente quando escreve: “Naquela mesma hora Jesus exultou de alegria no Espírito Santo e disse: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra…” (cf. Lc 10, 21). A própria oferta do seu corpo em sacrifício na cruz aconteceu, segundo a Carta aos Hebreus, “em um Espírito eterno” (Hb 9, 14), isto é, por um impulso do Espírito Santo.
São Basilio tem um texto esclarecedor.
” O caminho do conhecimento de Deus procede do único Espírito, através do único Filho, até o único Pai; inversamente, a bondade natural, a santificação segundo a natureza, a dignidade real, se difundem do Pai, por meio do Unigênito, até o Espírito[6]”.
 
Em outras palavras, a ordem da criação, ou da saída das criaturas de Deus, parte do Pai, passa através do Filho e chega a nós no Espírito Santo. A ordem do conhecimento ou do nosso retorno a Deus, do qual a liturgia é a expressão mais alta, segue o caminho oposto: parte do Espírito, passa através do Filho e termina no Pai. Essa visão descendente e ascendente da missão do Espírito Santo está presente também no mundo latino. O beato Isaac de Stella (sec. XII), expressa em termos muito próximos aos de Basílio:
“Como as coisas divinas desceram a nós pelo Pai, pelo Filho e o Espírito Santo, ou no Espírito Santo, então, as coisas humanas sobem ao Pai por meio do Filho, e [no] Espírito Santo[7]”.
Não se trata, como podemos ver, de ser, por assim dizer, o torcedor de uma ou de outra das três pessoas da Trindade, mas de salvaguardar o dinamismo trinitário da liturgia. O silêncio sobre o Espírito Santo, inevitavelmente, atenua o caráter trinitário da liturgia. Por isso parece-me particularmente oportuno a chamada que São João Paulo II fazia na Novo Millennio Ineunte:
“Obra do Espírito Santo em nós, a oração abre-nos, por Cristo e em Cristo, à contemplação do rosto do Pai. Aprender esta lógica trinitária da oração cristã, vivendo-a plenamente sobretudo na liturgia, meta e fonte da vida eclesial, mas também na experiência pessoal, é o segredo dum cristianismo verdadeiramente vital, sem motivos para temer o futuro porque volta continuamente às fontes e aí se regenera[8]”.

3. A adoração “no espírito”
Vamos tentar tirar, a partir dessas premissas, algumas orientações práticas para o nosso modo de viver a liturgia e fazer que ela execute uma das suas principais tarefas, que é a santificação das almas. O Espírito Santo não autoriza inventar novas e arbitrárias formas de liturgia ou modificar de própria iniciativa aquelas existentes (tarefa que cabe a hierarquia). Ele é o único, no entanto, que renova e dá vida a todas as expressões da liturgia. Em outras palavras, o Espírito Santo não faz coisas novas, mas faz novas as coisas! A palavra de Jesus repetida por Paulo: “É o Espírito que dá vida” (Jo 6, 63; 2 Cor 3, 6) aplica-se principalmente à liturgia.
O apóstolo exortava os fiéis a orar “no Espírito” (Ef 6:18; cf. também Judas 20). O que significa orar no Espírito? Significa permitir que Jesus continue a exercer o próprio ofício sacerdotal no seu corpo que é a Igreja. A oração cristã se torna uma extensão no corpo da oração do chefe. É conhecida a afirmação de Santo Agostinho:
“Nosso Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, é aquele que reza por nós, reza em nós e que é rezado por nós. Reza por nós como nosso sacerdote, reza em nós como nosso chefe, é rezado por nós como nosso Deus. Reconheçamos, portanto, nele, a nossa voz, e em nós a sua voz[9]”.
A esta luz, a liturgia nos aparece como o “Opus Dei”, a “obra de Deus”, não só porque tem Deus por objeto, mas também porque tem Deus como sujeito; Deus não é só rezado por nós, mas reza em nós. O mesmo grito, Abbá! que o Espírito, vindo a nós, dirige ao Pai (Gl 4, 6; Rm 8, 15) mostra que quem reza em nós, pelo Espírito, é Jesus, o Filho único de Deus. Por si mesmo, de fato, o Espírito Santo não poderia dirigir-se a Deus, chamando-o Abbá, Pai, porque ele não é “gerado”, mas somente “procede” do Pai. Se pode fazê-lo é porque é o Espírito de Cristo que continua em nós a sua oração filial.
E, especialmente, quando a oração torna-se cansaço e luta é que se descobre toda a importância do Espírito Santo para a nossa vida de oração. O Espírito se torna, então, a força da nossa oração “fraca”, a luz da nossa oração apagada; em uma palavra, a alma da nossa oração. Verdadeiramente, ele “irriga o que é árido”, como dizemos na sequência em sua honra.
Tudo isso acontece por fé. Basta eu dizer ou pensar: “Pai, tu me deste o Espírito de Jesus; formando, portanto, “um só Espírito” com Jesus, eu recito este Salmo, celebro esta santa missa, ou estou simplesmente em silêncio, aqui em sua presença. Quero dar-te aquela glória e aquela alegria que te daria Jesus, se fosse ele a orar ainda da terra”.
O Espírito Santo vivifica especialmente a oração de adoração que é o coração de toda oração litúrgica. A sua peculiaridade deriva do fato de que é o único sentimento que podemos alimentar única e exclusivamente para com as pessoas divinas. É o que distingue o culto de latria do culto de dulia reservado aos santos e de hiperdulia reservado à Santa Virgem. Nós veneramos Nossa Senhora, não a adoramos, ao contrário do que algumas pessoas pensam dos católicos.
A adoração cristã é também trinitária. É trinitária no seu desenvolvimento, porque é adoração feita “ao Pai, por meio do Filho, no Espírito Santo”, e é trinitária no seu fim, porque é adoração feita junto “ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo”.
Na espiritualidade Ocidental, quem desenvolveu mais a fundo o tema da adoração foi o cardeal Pierre de Bérulle (1575-1629). Para ele, Cristo é o perfeito adorador do Pai, que precisa unir-se para adorar a Deus com uma adoração de valor infinito[10]. Escreve:
“Desde toda a eternidade, havia um Deus infinitamente adorável, mas não havia ainda um adorador infinito; […] Tu es agora, oh Jesus, este adorador, este homem, este servidor infinito por potência, qualidade e dignidade, para satisfazer plenamente este dever e fazer esta homenagem divina[11]”.
Se existe uma lacuna nesta visão, que também deu à Igreja belos frutos e moldou a espiritualidade francesa por séculos, essa é a mesma que temos colocado em destaque na constituição do Vaticano II: a pouca atenção dada ao papel do Espírito Santo. Do Verbo encarnado, o discurso de Bérulle muda para a “corte real” que o segue e o acompanha: a Santa Virgem, João Batista, os apóstolos, os santos; falta o reconhecimento do papel essencial do Espírito Santo.
Em qualquer movimento de retorno a Deus, lembrou-nos São Basílio, tudo parte do Espírito, passa através do Filho e termina no Pai. Não basta, portanto, recordar de vez em quando que existe também o Espírito Santo; é necessário reconhecer-lhe o papel de elo essencial, tanto no caminho de saída das criaturas de Deus quanto no de retorno das criaturas a Deus. O abismo existente entre nós e o Jesus da história está cheio do Espírito Santo. Sem ele, tudo na liturgia é somente memória; com ele, tudo é também presença.
No livro do Êxodo, lemos que, no Sinai, Deus indicou para Moisés uma cavidade na rocha, e escondido no interior dela ele poderia contemplar a sua glória sem morrer (cf. Ex 33, 21). Comentando este passo, o próprio São Basílio escreve:
“Qual é hoje, para nós cristãos, aquela cavidade, aquele lugar, onde podemos refugiar-nos para contemplar e adorar a Deus? É o Espírito Santo! De quem aprendemos? Do próprio Jesus que disse: Os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em Espírito e verdade![12]”
Que perspectivas, que beleza, que poder, que atração tudo isso dá ao ideal da adoração cristã! Quem não sente a necessidade de esconder-se de vez em quando, no vórtice rodopiante do mundo, naquela cavidade espiritual para contemplar a Deus e adorá-lo como Moisés?

4. Oração de intercessão
Junto com a adoração, um componente essencial da oração litúrgica é a intercessão. Em toda a sua oração, a Igreja não faz mais do que interceder: por si mesma e pelo mundo, pelos justos e pelos pecadores, pelos vivos e pelos mortos. Também esta é uma oração que o Espírito Santo quer animar e confirmar. Dele São Paulo escreve:
“Outrossim, o Espírito vem em auxílio à nossa fraqueza; porque não sabemos o que devemos pedir, nem orar como convém, mas o Espírito mesmo intercede por nós com gemidos inefáveis. E aquele que perscruta os corações sabe o que deseja o Espírito, o qual intercede pelos santos, segundo Deus. “(Rm 8, 26-27).
O Espírito Santo intercede por nós e nos ensina a interceder, por sua vez, pelos outros. Fazer oração de intercessão significa unir-se, na fé, a Cristo ressuscitado que vive em um estado constante de intercessão pelo mundo (cf. Rm 8, 34; Heb 7, 25; 1 João 2, 1). Na grande oração com a qual concluiu a sua vida terrena, Jesus nos oferece o exemplo mais sublime de intercessão.
“Rogo por eles, por aqueles que me deste. […] Guarde-os no teu nome. Não peço que os tires do mundo, mas que os pretejas do mal. Consagra-os na verdade. […] Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela sua palavra hão de crer em mim… “(Jo 17, 9ss).
Do Servo Sofredor se diz, em Isaías, que Deus lhe dá em prêmio as multidões “porque carregava os pecados de muitos e intercedia pelos pecadores” (Is 53, 12): Essa profecia encontrou o seu perfeito cumprimento em Jesus que, na cruz, intercede pelos seus executores (cf. Lc 23, 34).
A eficácia da oração de intercessão não depende de “muitas palavras” (cf. Mt 6, 7), mas do grau de união que se consegue ter com as disposições filiais de Cristo. Mais do que as palavras de intercessão, deve-se, pelo contrário, multiplicar os intercessores, ou seja, invocar a proteção de Maria e dos Santos. Na festa de Todos os Santos, a Igreja pede a Deus para ser ouvida “pela abundância dos intercessores” (“multiplicatis intercessoribus”).
Multiplicam-se os intercessores até quando se rezam uns pelos outros. Diz Santo Ambrósio:
“Se você orar por você, só você vai orar por você, e se cada um só reza por si, a graça que alcança será menor com relação àquele que intercede pelos outros. Ora, dado que os indivíduos rezam por todos, acontece também que todos rezam pelos indivíduos. Portanto, para concluir, se você reza somente por você, você é o único que reza por você. Mas se, pelo contrário, você reza por todos, todos rezarão por você, estando você no meio daqueles todos[13]”.
A oração de intercessão é, portanto, agradável a Deus, porque é mais livre de egoísmo, reflete mais de perto a gratuidade divina e está de acordo com a vontade de Deus, que quer “que todos os homens sejam salvos” (cf. 1 Tm 2, 4). Deus é como um pai compassivo que tem o dever de punir, mas que tenta todas as desculpas possíveis para não ter que fazê-lo e é feliz, em seu coração, quando os irmãos do culpado conseguem detê-lo dessa punição.
Se faltam esses braços fraternos estendidos a Deus, Ele próprio reclama disso na Escritura: “Ele viu que não havia ninguém, maravilhou-se porque ninguém intercedia” (Is 59, 16). Ezequiel transmite-nos esta lamentação de Deus: “Busquei entre eles um homem que levantasse um muro e se colocasse na brecha perante mim, para defender o país, para que eu não o devastasse, porém não o encontrei” (Ez 22, 30).
A palavra de Deus enfatiza o extraordinário poder que tem junto a Deus, pela sua própria disposição, a oração daqueles que Ele colocou no comando do seu povo. Diz-se em um salmo que Deus havia decidido exterminar o seu povo por causa do bezerro de ouro, “se Moisés não tivesse se interposto diante dele para evitar a sua ira” (cf. Sl 106, 23).
Aos pastores e guias espirituais ouso dizer: quando, na oração, vocês sentirem que Deus está zangado com o povo que vos foi confiado, não tomem rapidamente o partido de Deus, mas do povo! Assim fez Moisés, até o ponto de protestar e de querer ser riscado, ele próprio, com eles, do livro da vida (cf. Ex 32, 32), e a Bíblia deixa claro que isto era justamente o que Deus queria, porque ele “abandonou a intenção de prejudicar o seu povo”. Quando se está diante do povo, então, devemos dar razão, com toda a força, a Deus. Quando Moisés, pouco depois, encontrou-se na frente do povo, então se acendeu a sua ira: esmagou o bezerro de ouro, dispersou o pó na água e fez as pessoas engolirem a água (cf. Ex 32: 19ss). Somente aquele que defendeu o povo diante de Deus e carregou o peso do seu pecado, tem o direito – e terá a coragem –, depois, de brigar com o próprio povo, em defesa de Deus, como fez Moisés.
Terminemos proclamando juntos o texto que melhor reflete o lugar do Espírito Santo e a orientação trinitária da liturgia, que é a doxologia final do cânon romano: “Por Cristo, com Cristo e em Cristo, a vós, Deus Pai todo-poderoso, na unidade do Espírito Santo, toda a honra e glória, agora e para sempre. Amém”.

SEXTA-FEIRA, 19 DE FEVEREIRO DE 2016, 17H45
[Tradução Thácio Siqueira, ZENIT]
(papa.cancaonova)

Quaresma: Chegou o tempo de penitência, de conversão, de salvação.



Leitura breve: Ap 3,19-20 

"Eu repreendo e educo os que eu amo. Esforça-te, pois, e converte-te. Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir minha voz e abrir a porta, eu entrarei na sua casa e tomaremos a refeição, eu com ele e ele comigo. "

(Liturgia das Horas)


quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

O VENENO

Vaticano: Francisco sai em defesa da memória de João Paulo II

Agência Ecclesia 18 de Fevereiro de 2016, às 17:39 
    


«Uma amizade com uma mulher não é pecado»
Lisboa, 18 fev 2016 (Ecclesia) - O Papa Francisco rejeitou hoje qualquer polémica por causa da divulgação da correspondência entre João Paulo II e a filósofa americana Anna-Teresa Tymieniecka.

“Uma amizade com uma mulher não é um pecado”, disse aos jornalistas, no voo de regresso a Roma, após uma visita de seis dias a Cuba e ao México.

Segundo o Papa, um homem que não fosse capaz de ter uma “boa relação” de amizade com uma mulher seria alguém a quem “falta alguma coisa”.

Para o pontífice argentino, São João Paulo II era "um homem inquieto".

“O Papa é um homem, o Papa tem necessidade também do pensamento das mulheres e tem um coração, como os outros, que pode ter uma amizade sã, santa com uma mulher”, referiu, após ter sido questionado sobre a troca epistolar com que durou mais de três décadas.

Francisco revelou que tinha conhecimento desta amizade e conhecia também os livros da filósofa, de origem polaca.

“Há santos amigos: Francisco e Clara, Teresa e São João da Cruz. Não temos de ter medo”, acrescentou.

Segundo o Papa, nem todos na Igreja entenderam completamente “o bem que uma mulher pode fazer”, inclusive na vida de um padre, “num sentido de aconselhamento, de ajuda, de sã amizade”.

RV/OC


terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

MÉXICO: PAPA ÀS FAMÍLIAS



Confira como foi o encontro do Papa com as famílias mexicanas 

No encontro com as famílias mexicanas, Papa disse que prefere uma família ferida que tenta recomeçar a uma sociedade doente pelo confinamento
O último compromisso da viagem do Papa Francisco ao México na noite desta segunda-feira, 15, foi o encontro com as famílias, no estádio de Tuxtla Gutiérrez, onde 50 mil pessoas o aguardavam.
O encontro começou com uma saudação do arcebispo Fabio Martínez Castilla, que entregou como presente a Francisco uma estola bordada com rostos de crianças. A seguir, foi a vez de quatro famílias darem o seu testemunho. 

Famílias diversas, iguais testemunhos de amor

O primeiro testemunho no encontro do Papa com as famílias mexicanas foi o de Manuel, 14 anos, vítima de distrofia muscular. Ele agradeceu ao Papa por ser amigo dos jovens e por levar a sua mensagem ao povo do Chiapas e lhe pediu para rezar por todos os adolescentes que vivem desanimados e atravessam momentos difíceis.
Um casal ofereceu um depoimento sobre a sua vida de seus pais, que têm 50 anos de casados. Falaram da aliança matrimonial, do amor fiel e de sua participação nos sacramentos.
A terceira família era formada por um casal de divorciados e recasados civilmente, que não têm acesso à comunhão, mas participam da comunidade e têm a percepção de recebê-la, segundo revelaram, através do serviço a seus irmãos mais carentes, doentes ou encarcerados.

Famílias mexicanas lotaram o estádio “Victor Manuel Reyna para encontro com o Papa / Foto: Reprodução CTV
O último testemunho foi o de Beatriz, enfermeira e mãe solteira, de origem simples, que renunciou ao aborto várias vezes e criou seus filhos sozinha. Ela pediu a Deus que, assim como ela foi amada e acolhida pela Igreja, outras mulheres tenham esta mesma bênção.

O discurso de Francisco

“Obrigado por nos ter permitido sentar à sua mesa e conhecer o seu lar”, disse o Papa às famílias que deram seus testemunhos. Partindo das palavras de Manuel, que se encheu de vontade para a vida, Francisco disse que isto é o que Deus sempre sonhou, Deus Pai encheu de vontade a humanidade para sempre dando a ela seu Filho. O Papa emocionou todos ao citar o exemplo dos pais de Manuel, que ouviram ajoelhados o testemunho do menino.
“Deus Pai encheu de vontade a nossa vida, porque o seu nome é amor, é dom gratuito, é dedicação, é misericórdia. Ele nos mostrou isso tudo, em toda a sua força e clareza, no seu Filho Jesus, que gastou a sua vida até à morte para tornar possível o Reino de Deus; um Reino que tem sabor de família, que tem sabor de vida partilhada”.

Precariedade e isolamento, maus conselheiros

Lembrando o testemunho de Beatriz, Francisco afirmou que a precariedade ameaça não só o estômago (o que é já muito!), mas pode ameaçar também a alma, é a precariedade que nasce da solidão e do isolamento; e o isolamento é sempre um mau conselheiro.
Segundo o Santo Padre, a receita para combater esta situação, pode ser concretizada, por exemplo, por meio de leis que protejam e garantam o mínimo necessário para que as famílias e cada pessoa cresçam através do estudo e de um trabalho digno. Outro caminho é o compromisso pessoal, como sublinharam os testemunhos de Humberto e Cláudia: transmitindo o amor de Deus no serviço e na assistência aos outros. “Leis e engajamento pessoal são um binômio muito útil para romper a espiral de precariedade”, frisou o Pontífice.
Abordando as dificuldades que fragilizam as famílias hoje e que tornam suas vidas por vezes árduas e dolorosas, o Papa disse preferir uma família ferida que cada dia procura harmonizar o amor, a uma sociedade doente pelo confinamento e a comodidade do medo de amar. E criticou a “colonização ideológica que apresenta a família como um ‘modelo superado'”.
“Prefiro uma família que procura uma vez e outra recomeçar a uma sociedade narcisista e obcecada com o luxo e o conforto. Prefiro uma família com o rosto cansado pelos sacrifícios aos rostos embelezados que nada entendem de ternura e compaixão”.
Terminando seu discurso, Francisco pediu a todos que rezassem com ele a Ave Maria e levou flores a uma imagem da Sagrada Família.

Momentos marcantes

Outro momento tocante foi quando o Papa interrompeu o andamento do encontro e, à beira do palco, pediu que erguessem um menino  cadeirante até o ponto em que o pudesse tocar e beijar. Em vários momentos do evento, o Pontífice trocou o seu carinho com as crianças presentes.

Promessas matrimoniais renovadas

Na sequência, cerca de 200 casais com mais de 50 anos de matrimônio renovaram suas promessas matrimoniais diante do Papa e cantaram o hino “Amar é entregar-se”. Uma família fez uma oração, cantaram todos juntos o Pai Nosso e o Papa concedeu a bênção, encerrando o encontro.

Da Redação, com Rádio Vaticano
TERÇA-FEIRA, 16 DE FEVEREIRO DE 2016, 7H29

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

AINDA A VIAGEM DO PAPA AO MÉXICO


Papa indica “carinhoterapia” em visita a hospital pediátrico no México 

Papa visitou o hospital pediátrico “Federico Gómez” e destacou que o carinho é decisivo para a recuperação de crianças doentes


Papa em visita a hospital pediátrico no México / Foto: L’Osservatore Romano
O último compromisso do Papa Francisco neste domingo, 14, terceiro dia em terras mexicanas, foi a visita ao hospital pediátrico Federico Gómez, um centro de excelência na Cidade do México, voltado ao atendimento das crianças mais pobres do país. Anualmente, são 255 mil as crianças atendidas e seis mil as internações.
Acompanhado pela primeira-dama, Angelica Rivera, e pelo Diretor do Hospital, Dr. José Alberto Garcia Aranda, Francisco percorreu diversas alas do Hospital. Saudou 36 crianças que estavam acompanhadas de familiares, no primeiro andar do hospital, onde pronunciou seu discurso. 
O Papa saudou uma a uma as crianças, dando a elas de presente um terço. Em um dos pequenos pacientes, com um pequeno conta-gotas, pingou uma medicação em sua boca. Emoção, gestos de carinho e atenção especial a cada um dos pequenos marcou o encontro.
Para o encontro foram preparadas catequeses, tanto para as crianças como para alguns funcionários e médicos do hospital. O recurso do teatro, com uma história que falava sobre o Papa Francisco, foi usada para preparar as crianças.
Após as breves palavras de acolhida da primeira-dama, o Papa dirigiu algumas palavras às crianças e aos funcionários, onde destacou a importância da “carinhoterapia” e das palavras “bendizer e agradecer”.
Francisco depositou flores aos pés de uma imagem de São Francisco, no pátio do hospital, dirigindo-se então ao Setor de Oncologia, onde encontrou crianças que fazem quimioterapia. Uma delas cantou Ave Maria em latim para o Papa, num dos momentos comoventes do encontro.
A entrada de Francisco na Sala do Sino foi outro momento forte. O badalar indica a cura de uma criança. Na verdade, foram duas badaladas já que, recentemente, duas crianças ficaram curadas. Uma delas é a pequena Helena Luz, que no sábado, 13, completou 7 anos. O som produzido pelo sino é como que uma advertência ao céu, um agradecimento, de que uma criança foi curada. O gesto é realizado na presença de crianças em tratamento para servir de encorajamento e esperança.
Antes de concluir a visita, o Papa encontrou de forma privada alguns pacientes em tratamento. As imagens, por desejo do Pontífice, não foram transmitidas. Por fim, o Papa deixou o Hospital rumo à Nunciatura, onde passou a noite.

Da Redação, com Rádio Vaticano
SEGUNDA-FEIRA, 15 DE FEVEREIRO DE 2016, 7H26
(papa.cancaonova)

domingo, 14 de fevereiro de 2016

O Santuário de Deus são as nossas famílias”, diz Papa no México





 

Papa abordou questão da criminalidade na Missa no Santuário de Nossa Senhora de Guadalupe
Da redação, com Rádio Vaticano

Papa Francisco durante a Missa no Santuário de Nossa Senhora de Guadalupe, no México.


“O santuário de Deus é a vida dos seus filhos, especialmente dos jovens sem futuro e dos idosos sem reconhecimento”, disse o Papa na missa celebrada neste sábado, 13, no Santuário de Nossa Senhora de Guadalupe, num dos eventos mais aguardados desta sua 12ª viagem apostólica internacional, qual peregrino da misericórdia e da paz em terras mexicanas.
Uma visita à casa da Mãe expressamente desejada pelo Pontífice. De fato, o motivo principal da visita de Francisco ao México era venerar o ícone de Nossa Senhora de Guadalupe, diante do qual deteve-se longamente em oração após a santa missa.
“O santuário de Deus são as nossas famílias que precisam do mínimo necessário para se poderem formar e sustentar. O santuário de Deus é o rosto de tantos que encontramos no nosso caminho”, afirmou o Pontífice.

Nossa Senhora nos visita

Partindo do Evangelho da liturgia própria da Santíssima Virgem de Guadalupe, Francisco havia iniciado a homilia recordando o episódio da visita de Nossa Senhora a sua prima Isabel para traçar em seguida a figura de Maria como a mulher do sim, um sim de entrega a Deus e aos irmãos.
“Escutar esta passagem do Evangelho nesta casa tem um sabor especial. Maria, a mulher do sim, também quis visitar os habitantes desta terra da América na pessoa do índio São Juan Diego. Assim como se moveu pelas estradas da Judeia e da Galileia, da mesma forma alcançou Tepeyac, com as suas roupas, usando a sua língua, para servir esta grande nação. Assim como acompanhou a gravidez de Isabel, acompanhou e acompanha a gestação desta abençoada terra mexicana.”
Francisco acrescentou que também hoje Maria continua a fazer-se presente junto de todos nós, especialmente daqueles que sentem que «não valem nada».
Referindo-se à apresentação de Maria ao humilde Juanito, o Papa disse que “naquela madrugada de dezembro de 1531, tinha lugar o primeiro milagre que se tornará depois a memória viva de tudo o que guarda este Santuário. Naquele amanhecer, naquele encontro, Deus despertou a esperança de seu filho Juan, a esperança do seu povo”.
“Naquele amanhecer, Deus aproximou-Se e aproxima-Se do coração atribulado mas resistente de tantas mães, pais, avós que viram os seus filhos partir, viram-nos perdidos ou mesmo arrebatados pela criminalidade.”
Na construção do outro santuário – o santuário da vida, o das nossas comunidades, sociedade e culturas –, ninguém pode ser deixado de fora. “Todos somos necessários – observou o Papa –, sobretudo aqueles que normalmente não contam porque não estão à altura das circunstâncias ou não contribuem com o capital necessário para a sua construção.”
“O santuário de Deus é a vida dos seus filhos, de todos e em todas as condições, especialmente dos jovens sem futuro, expostos a uma infinidade de situações dolorosas e arriscadas, e dos idosos sem reconhecimento, esquecidos em tantos cantos. O santuário de Deus são as nossas famílias que precisam do mínimo necessário para se poderem formar e sustentar. O santuário de Deus é o rosto de tantos que encontramos no nosso caminho…”

As lágrimas dos que sofrem não são estéreis

Após citar um Hino Litúrgico dedicado a Maria, que expressa a proteção consoladora da Virgem, Francisco lembrou as palavras asseguradoras da Mãe, que nos dão a certeza de que “as lágrimas daqueles que sofrem, não são estéreis. São uma oração silenciosa que sobe até ao céu e que, em Maria, encontra sempre lugar sob o seu manto”. N’Ela e com Ela, Deus faz-Se irmão e companheiro de estrada, carrega conosco as cruzes para não deixar as nossas dores esmagar-nos.
Francisco concluiu ressaltando que também hoje Maria volta a enviar-nos; hoje repete para nós: “Sê o meu mensageiro, sê o meu enviado para construir muitos santuários novos, acompanhar tantas vidas, consolar tantas lágrimas”:
“Sê o meu mensageiro – diz-nos – dando de comer aos famintos, de beber aos sedentos; oferece um lugar aos necessitados, veste os nus e visita os doentes. Socorre os prisioneiros, perdoa a quem te fez mal, consola quem está triste, tem paciência com os outros e sobretudo implora e invoca o nosso Deus.”
Os milhares de fiéis e peregrinos presentes, mais de 40 mil ao todo, viveram com grande emoção e participação a visita do Papa Francisco ao maior santuário mariano do mundo, todos os anos visitado por vinte milhões de peregrinos. A celebração marcou o ponto alto e último compromisso deste primeiro dia de atividades do Santo Padre em terras mexicanas.

(papa.cancaonova)
DOMINGO, 14 DE FEVEREIRO DE 2016, 8H45 




HOJE É O DIA DO SENHOR



I DOMINGO DO TEMPO DA QUARESMA

As tentações

 
Estamos no primeiro domingo da QUARESMA,
tempo sagrado para uma renovação interior 
em preparação à grande festa da Páscoa. 
 
A Palavra de Deus nos lembra que as "TENTAÇÕES" 
podem impedir esse renascer para a vida nova e nos convoca a seguir 
o caminho de Jesus, renovando nossa fidelidade ao Deus vivo e verdadeiro.
 
A 1ª Leitura fala da Tentação do Povo de Israel: 
A IDOLATRIA existente nas religiões fáceis da região. (Dt 26,4-10)
 
Por isso, antes de entrar na Terra Prometida,
Moisés convida o Povo a renovar os compromissos da Aliança
e a oferecer ao Senhor os primeiros frutos da terra:
- Era um gesto de gratidão pelos favores passados e pela colheita presente;
- Era uma "profissão de fé" no Deus  libertador,
 que o livrou do Egito e o introduziu na Terra Prometida.
 Reconhecia assim quem era o seu "Senhor". 
 
* Ainda hoje somos tentados em deixar que outros "deuses" 
  ocupam em nós o lugar de Deus: o dinheiro, o poder, o êxito social... 
 
A 2ª Leitura nos fala da tentação dos que pensam que a Salvação
é conquista nossa, não um dom gratuito de Deus.  (Rm 10,8-13)
 
* Precisa "converter-se" a Jesus, isto é, reconhecê-lo como o "Senhor"
e acolher no coração a salvação que, em Jesus, Deus nos propõe.
 
O Evangelho nos apresenta as Tentações de Jesus. (Lc 4,1-13)
 
Após o Batismo, Jesus passa 40 dias no DESERTO, em oração e jejum.
Revive em sua experiência pessoal, o caminho do Povo no deserto. 
E no final, é tentado...
 
Lucas fala de TRÊS TENTAÇÕES, 
que são um resumo de tudo o que poderia desviá-lo de sua missão.
São também um retrato das tentações que devemos vencer 
para não nos desviar do projeto de Deus.
Jesus recusa o caminho do materialismo, do poder e do prestígio.
 
1. O PÃO: "Manda que esta pedra se mude em pão..."
- Jesus: "Não só de pão vive o homem..."
 
* Quantos são tentados a buscar apenas o pão material... ter coisas...
  É o materialismo, que leva a perder a sensibilidade humana e espiritual.
  - Não só de lucro deve viver o progresso, 
     mas de tudo aquilo que respeita a dignidade dos filhos de Deus.
 
2. O PODER: "Eu te darei todo esse poder e riqueza...
  se te ajoelhares diante de mim..." 
   - Jesus: "Adorarás o Senhor teu Deus e só a ele servirás..."
 
* TODOS NÓS temos sede de domínio sobre os outros e
   freqüentemente somos tentados a nos tornar "DONOS":
   - Na família: como pai, mãe... donos dos filhos... da esposa ou esposo... 
   - Na comunidade: ser dono de um movimento... de uma pastoral...
   - Na sociedade, como chefes de alguma coisa: com atitudes arrogantes...
   - Nas entidades: com atitudes centralizadoras...
 
3. O MILAGRE: "Joga-te daqui para baixo... 
    Deus dará ordem aos anjos para que te guardem..."
   - Jesus: "Não tentarás o Senhor teu Deus..."
 
* Ainda hoje somos levados a tentar Deus
  - com uma religião mais fácil... sem compromisso, 
   que promete milagres, salvação, dinheiro, emprego, saúde...
  - com "orações milagrosas"... "Orações de poder"... "correntes"...
   exigindo que Deus faça a nossa vontade
  e nos mande um santo milagreiro para nos atender.  
    Queremos milagres!...
 
+ Detalhe final: "Depois de tê-lo tentado de todos os modos...
  o Diabo afastou-se dele até outra ocasião..."
 
Ao longo do seu ministério, Jesus continuou a se defrontar com os poderes 
de Satanás, mas o derrotou com a oração e confiança em Deus.
 
+ As tentações  não acabaram... 
  e elas continuam ainda hoje e bem sedutoras...
Geralmente costumamos pintar o diabo com cara de mau, rabo, chifres...
mas eu acho que não está certo, pois se assim fosse, ele espantaria as pessoas... 
Na tentação, ele vem bem "bonitinho" e com propostas bem atraentes...
É por isso, que as tentações sempre vêm disfarçadas de nomes simpáticos:
  - A Ambição    é responsabilidade, competência...
  - Fome de poder  é exercício de liderança para ao bem de todos...
  - Desonestidade  é esperteza...
  - Libertinagem    é liberdade... Somos donos de nós mesmos... 
 
* As tentações são uma realidade, que o próprio Cristo enfrentou...
  Ele venceu a provação e nos fez herdeiros de tal vitória...
 
+ Quais são as nossas tentações mais freqüentes? 
   - Do TER? Do PODER? Do PRAZER? 
      Uma religião sem compromisso?      
 
- Deus tem um Plano sobre cada um de nós... 
 As tentações procuram nos desviar dele...  
 
Qual a nossa atitude diante delas? 
 

 
 Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa - 14.02.2016



sábado, 13 de fevereiro de 2016

EM CUBA. Histórico: Francisco e Kirill se encontram em Havana


 
Após 962 anos, acontece o primeiro encontro entre duas autoridades religiosas da Igreja Católica Romana e a Igreja Ortodoxa Russa

O avião com o Papa Francisco chegou em Havana às 13h56 locais. Em terras cubanas, o Papa encontrou-se, historicamente, com o líder da Igreja Ortodoxa Russa, o Patriarca Kirill.
O líder russo chegou a Cuba nessa quinta-feira, 11,  onde deu início à visita às comunidades ortodoxas latino-americanas – que prevê também uma etapa no Brasil.


O presidente Raúl Castro recebeu Francisco no aeroporto “José Martí” e acompanhou o Pontífice até o local do encontro com o Patriarca Kirill.
As duas autoridades religiosas se reservaram em uma conversa privada onde conversaram abertamente, sem “meias palavras”, como disse o Papa Francisco, após a assinatura das declarações. “Falamos como irmãos, pois temos o mesmo batismo”, disse o Santo Padre.
“Falamos claramente, sem meias palavras. Confesso que senti a consolação do Espírito nesse diálogo. Agradeço a humildade de Sua Santidade, a humildade fraterna e o bom desejo de unidade. Saímos com uma série de iniciativas que esperamos poder realizar. Por isso, quero agradecer mais uma vez por seu benévolo acolhimento”, disse.
O Papa ainda agradeceu ao “grande povo cubano” e ao seu presidente, Raúl Castro, pela disponibilidade. O Papa disse que, “se continuar assim, Cuba será a capital da unidade”.

Patriarca Russo

Já o Patriarca Kirill disse que foi um diálogo com muito conteúdo, que possibilitou oportunidade de se entender e sentir as posições um do outro.
“O êxito das conversações promete e assegura que as duas igrejas possam cooperar com a segurança dos cristãos do mundo inteiro, e com a responsabilidade plena a fim de que a vida humana seja respeitada no mundo inteiro”, disse o Patriarca.
O encontro foi acompanhado pelo Cardeal Kurt Koch, Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos e o Metropolita Hilarion, Presidente do Departamento de Relações Eclesiais Exteriores do Patriarcado de Moscou.
A cerimônia se concluiu com a troca de presentes e o cumprimento das autoridades que acompanhavam as respectivas delegações.

André Cunha
Da redação, colaboração da Rádio Vaticano
SEXTA-FEIRA, 12 DE FEVEREIRO DE 2016, 20H13
 
(papa.cancaonova)

Papa chega ao México após encontro histórico com Patriarca russo



O Papa chegou no México e foi recebido pelo presidente do país, Enrique Peña Nieto e pela primeira-dama, em uma acolhida sem cerimônia protocolar e discursos.

Desde a noite desta sexta-feira, 12, o Papa Francisco encontra-se em território mexicano, quando foi recebido no Aeroporto Internacional Benito Juárez, na Cidade do México, pelo presidente do país, Enrique Peña Nieto e pela primeira-dama. Uma acolhida oficial, mas informal sem uma cerimônia protocolar nem discursos.
Antes da chegada do Pontífice, diante de uma multidão de pessoas em arquibancadas construídas para o evento, grupos musicais mexicanos narraram com suas músicas e vestidos típicos a história da tradição folclórica do país. Espetáculo que se repetiu depois diante do Santo Padre. Aos gritos a multidão presente pediu a benção de Francisco. Uma recepção digna da alegria do povo mexicano.
Depois a transferência para a sede da Nunciatura Apostólica, onde será a residência de Francisco nos próximos dias. Pelas ruas da Cidade do México, o Papa recebeu o amor e o carinho de tantas pessoas que desde o início da tarde se posicionaram nas calçadas para saudar e por um momento ver o “missionário da paz”, que vem confirmá-los na fé.
Entusiamos que se misturaram com os gritos de viva o Papa, “bienvenido” Santo Padre. A cidade se transformou com a chegada de Francisco. Apesar das ruas estarem fechadas em uma das cidades com o pior trânsito do mundo, o povo estava feliz em ter em sua casa o Papa Francisco.
Muro de luzes
Os mexicanos receberam o Santo Padre com um abraço luminoso e com uma ‘corrente’ de smartphones iluminados, um corredor de luzes do aeroporto da cidade até a Nunciatura Apostólica. Quem não tinha celular usou pequenas lanternas. Foi um “muro de luzes e de orações” de 19 km.
Sinos
Os sinos da catedral da Cidade do México também tocaram nesta sexta-feira em festa durante duas horas sem interrupção por 80 voluntários que se alternaram, anunciando a chegada de Francisco. Entre os sinos o mais famoso da cidade, chamado “Dona Maria”.
Programação
Na manhã deste sábado, 13, a cerimônia de boas-vindas será no Palácio Nacional, onde Francisco será recebido com honras do chefe de Estado. Depois a visita de cortesia ao presidente e o encontro com as autoridades, a sociedade civil e o corpo diplomático.
Em seguida a transferência para a catedral da cidade dedicada à Assunção de Nossa Senhora. Um edifício construído com pedras vulcânicas. O lugar era ocupado por um templo dedicado à divindade azteca Xipe. Hernán Cortés fez constuir uma igreja no lugar com o material recuperado de antigos templos. 
Na Catedral, o Papa Francisco manterá um encontro com os bispos do México. Momentos antes o Santo Padre será recebido diante dos portões deste mesmo lugar pelo chefe de governo do local que lhe entregará as Chaves da Cidade. A Praça diante da Catedral, conhecida também como “Zócalo”, pode acolher cerca de 80 mil pessoas.
Ainda neste sábado, no final da tarde o Papa vai até a Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe, coração da religiosidade mexicana onde celebrará a Santa Missa. Após a celebração um momento de oração em privado no “Camarín”, lugar onde é conservada a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe.
Os lugares que Francisco irá tocar nos próximos dias dizem respeito às grandes preocupações e esperanças dos mexicanos. O tema central da visita “Missionário da misericórdia e paz” gira em torno de perguntas sobre como recuperar a paz em um país que vive “o seu pedaço de guerra”. O questionamento da violência, da corrupção, do tráfico de drogas, a migração.
Viagem
A imprensa internacional descreve a viagem como algo difícil, pois tocará lugares complicados. Estará em Ecatepec, onde poderá ver face a face uma das áreas mais violentas do país e com o mais elevado índice de feminicídios e mulheres desaparecidas.
Ciudade Juárez onde a Corte Internacional dos Direitos Humanos e emitiu sentenças contra o país por causa das “mortes de Juárez”. Irá a Michocán que é uma das áreas mais quentes da guerra contra o narcotráfico. Também visitará Chiapas que desde os anos 90 emergiu como referente da marginalização e exclusão da população indígena com a insurreição “zapatista”.
No norte do país, numa “missa binacional” poderá apalpar a problemática da migração, de crimes e do tráfico de pessoas. “São lugares representativos dos fragmentos de guerra”, afirma a imprensa local.


Da redação, com Rádio Vaticano
SÁBADO, 13 DE FEVEREIRO DE 2016, 9H08
(papacancaonova)

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Papa Francisco inicia viagem ao México



Papa inicia viagem ao México nesta sexta-feira e fará escala em Cuba para encontro com o Patriarca Russo
O Papa Francisco já saiu do Vaticano rumo ao México, a 12ª viagem internacional de seu pontificado. O avião papal decolou com 40 minutos de atraso para a Cidade do México, mas o Papa ainda fará uma escala em Cuba, onde terá um encontro histórico com o Patriarca Ortodoxo Russo Kirill.
O Santo Padre embarcou sob um forte esquema de segurança, carregando nas mãos sua tradicional pasta preta. No aeroporto Fiumicino, em Roma, o Pontífice foi recebido por autoridades civis e militares, num clima de muita cordialidade, saudando também as duas Comissárias de bordo e os presentes na pista com um aceno de mão. 
Pelo twitter, o Papa deixou uma mensagem aos fiéis ao seguir para a viagem. “No México fitarei os olhos da Virgem Maria, suplicar-lhe-ei que não deixe de nos proteger com misericórdia. A Ela confio a minha viagem”.
Como de costume, Francisco também enviou um telegrama ao presidente italiano. “Ao senhor, a minha saudação, que acompanho com os votos de bem-estar espiritual, civil e social do povo italiano, ao qual envio com prazer a benção apostólica”.
Francisco chega ao México ainda hoje e lá permanece até 17 de fevereiro. Ele visitará seis cidades mexicanas: Cidade do México, Ecatepec, San Cristobal de Las Casas, Tuxtla Gutiérrez, Morelia e Ciudad Juárez.



(Acompanhe a viagem pelo papa.cancaonova.com e pela TV Canção Nova)
Da Redação, com informações da Rádio Vaticano
SEXTA-FEIRA, 12 DE FEVEREIRO DE 2016, 7H51

 Francisco inicia viagem ao México 

Papa inicia viagem ao México nesta sexta-feira e fará escala em Cuba para encontro com o Patriarca Russo
O Papa Francisco já saiu do Vaticano rumo ao México, a 12ª viagem internacional de seu pontificado. O avião papal decolou com 40 minutos de atraso para a Cidade do México, mas o Papa ainda fará uma escala em Cuba, onde terá um encontro histórico com o Patriarca Ortodoxo Russo Kirill.
O Santo Padre embarcou sob um forte esquema de segurança, carregando nas mãos sua tradicional pasta preta. No aeroporto Fiumicino, em Roma, o Pontífice foi recebido por autoridades civis e militares, num clima de muita cordialidade, saudando também as duas Comissárias de bordo e os presentes na pista com um aceno de mão. 
Pelo twitter, o Papa deixou uma mensagem aos fiéis ao seguir para a viagem. “No México fitarei os olhos da Virgem Maria, suplicar-lhe-ei que não deixe de nos proteger com misericórdia. A Ela confio a minha viagem”.
Como de costume, Francisco também enviou um telegrama ao presidente italiano. “Ao senhor, a minha saudação, que acompanho com os votos de bem-estar espiritual, civil e social do povo italiano, ao qual envio com prazer a benção apostólica”.
Francisco chega ao México ainda hoje e lá permanece até 17 de fevereiro. Ele visitará seis cidades mexicanas: Cidade do México, Ecatepec, San Cristobal de Las Casas, Tuxtla Gutiérrez, Morelia e Ciudad Juárez.



(Acompanhe a viagem pelo papa.cancaonova.com e pela TV Canção Nova)
Da Redação, com informações da Rádio Vaticano
SEXTA-FEIRA, 12 DE FEVEREIRO DE 2016, 7H51

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

PALAVRA DE VIDA - FEVEREIRO DE 2016


“Qual mãe que consola os filhos, assim vou dar-vos meu consolo.” (Is 66,13)

Quem nunca viu uma criança chorar e lançar-se nos braços da mãe? Qualquer que seja a razão da preocupação, grande ou pequena, a mãe enxuga suas lágrimas, cobre-a de carinhos e pouco depois a criança volta a sorrir. Basta-lhe sentir a presença e o afeto da mãe. É isso que Deus faz conosco, comparando-se Ele mesmo a uma mãe.
É com essas palavras que Deus se dirige ao seu povo que retorna do exílio da Babilônia. Depois de ver destruídas suas próprias casas e arrasado o Templo, depois de ter sido deportado para uma terra estranha onde teve de amargar desilusões e desconforto, o povo volta à própria pátria, tendo de recomeçar tudo a partir das ruínas da destruição sofrida.
A tragédia vivida por Israel é a mesma que se repete ainda hoje para tantos povos em guerra, vítimas de atos terroristas ou de exploração desumana. Casas e ruas devastadas, marcos simbólicos da própria identidade arrasados, bens depredados, lugares de culto destruídos.
Quantas pessoas sequestradas, milhões de fugitivos, milhares que encontram a morte nos desertos ou pelas rotas do mar. Parece um apocalipse.
Essa Palavra de Vida é um convite a acreditar na ação amorosa de Deus, mesmo lá onde não se percebe a sua presença. É um anúncio de esperança. Ele está ao lado de quem sofre perseguições, injustiças, exílio. Está conosco, com a nossa família, com o nosso povo. Ele conhece a nossa dor pessoal e a dor de toda a humanidade. Ele se fez um de nós, até o ponto de morrer na cruz. Por isso Ele sabe compreender-nos e consolar-nos. Exatamente como uma mãe que toma a criança ao colo e a consola.
É necessário abrir os olhos e o coração para “vê-Lo”. Na medida em que experimentarmos a ternura do seu amor, conseguiremos transmiti-la a todos os que vivem na dor e na provação e nos tornaremos instrumentos de consolação. O apóstolo Paulo sugere isso também os coríntios: “… para que, com a consolação que nós mesmos recebemos de Deus, possamos consolar os que se acham em toda e qualquer aflição” (2Cor 1,4).
Isso é também a experiência íntima, concreta de Chiara Lubich: “Senhor, dá-me todos os que estão sós… Senti em meu coração a paixão que invade o teu, por todo o abandono em que o mundo inteiro está imerso. Amo todo ser doente e só. Quem consola o seu pranto? Quem tem pena de sua morte lenta? E quem estreita ao próprio coração o coração desesperado? Meu Deus, faze que eu seja no mundo o sacramento tangível do teu Amor: que eu seja os braços teus que estreitam a si e consomem no amor toda a solidão do mundo.”

Colaboração de Fabio Ciardi
(Focolares)


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma 2016



                                                                                                   Boletim da Santa Sé

“Prefiro a misericórdia ao sacrifício” (Mt 9, 13).

As obras de misericórdia no caminho jubilar

1. Maria, ícone duma Igreja que evangeliza porque evangelizada

Na Bula de proclamação do Jubileu, fiz o convite para que «a Quaresma deste Ano Jubilar seja vivida mais intensamente como tempo forte para celebrar e experimentar a misericórdia de Deus» (Misericordiӕ Vultus, 17). Com o apelo à escuta da Palavra de Deus e à iniciativa «24 horas para o Senhor», quis sublinhar a primazia da escuta orante da Palavra, especialmente a palavra profética. Com efeito, a misericórdia de Deus é um anúncio ao mundo; mas cada cristão é chamado a fazer pessoalmente experiência de tal anúncio. Por isso, no tempo da Quaresma, enviarei os Missionários da Misericórdia a fim de serem, para todos, um sinal concreto da proximidade e do perdão de Deus.

Maria, por ter acolhido a Boa Notícia que Lhe fora dada pelo arcanjo Gabriel, canta profeticamente, no Magnificat, a misericórdia com que Deus A predestinou. Deste modo a Virgem de Nazaré, prometida esposa de José, torna-se o ícone perfeito da Igreja que evangeliza porque foi e continua a ser evangelizada por obra do Espírito Santo, que fecundou o seu ventre virginal. Com efeito, na tradição profética, a misericórdia aparece estreitamente ligada – mesmo etimologicamente – com as vísceras maternas (rahamim) e com uma bondade generosa, fiel e compassiva (hesed) que se vive no âmbito das relações conjugais e parentais.

2. A aliança de Deus com os homens: uma história de misericórdia

O mistério da misericórdia divina desvenda-se no decurso da história da aliança entre Deus e o seu povo Israel. Na realidade, Deus mostra-Se sempre rico de misericórdia, pronto em qualquer circunstância a derramar sobre o seu povo uma ternura e uma compaixão viscerais, sobretudo nos momentos mais dramáticos quando a infidelidade quebra o vínculo do Pacto e se requer que a aliança seja ratificada de maneira mais estável na justiça e na verdade. Encontramo-nos aqui perante um verdadeiro e próprio drama de amor, no qual Deus desempenha o papel de pai e marido traído, enquanto Israel desempenha o de filho/filha e esposa infiéis. São precisamente as imagens familiares – como no caso de Oseias (cf. Os 1-2) – que melhor exprimem até que ponto Deus quer ligar-Se ao seu povo.

Este drama de amor alcança o seu ápice no Filho feito homem. N’Ele, Deus derrama a sua misericórdia sem limites até ao ponto de fazer d’Ele a Misericórdia encarnada (cf. Misericordiӕ Vultus, 8). Na realidade, Jesus de Nazaré enquanto homem é, para todos os efeitos, filho de Israel. E é-o ao ponto de encarnar aquela escuta perfeita de Deus que se exige a cada judeu pelo Shemà, fulcro ainda hoje da aliança de Deus com Israel: «Escuta, Israel! O Senhor é nosso Deus; o Senhor é único! Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças» (Dt 6, 4-5). O Filho de Deus é o Esposo que tudo faz para ganhar o amor da sua Esposa, à qual O liga o seu amor incondicional que se torna visível nas núpcias eternas com ela.

Este é o coração pulsante do querigma apostólico, no qual ocupa um lugar central e fundamental a misericórdia divina. Nele sobressai «a beleza do amor salvífico de Deus manifestado em Jesus Cristo morto e ressuscitado» (Evangelii gaudium, 36), aquele primeiro anúncio que «sempre se tem de voltar a ouvir de diferentes maneiras e aquele que sempre se tem de voltar a anunciar, duma forma ou doutra, durante a catequese» (Ibid., 164). Então a Misericórdia «exprime o comportamento de Deus para com o pecador, oferecendo-lhe uma nova possibilidade de se arrepender, converter e acreditar» (Misericordiӕ Vultus, 21), restabelecendo precisamente assim a relação com Ele. E, em Jesus crucificado, Deus chega ao ponto de querer alcançar o pecador no seu afastamento mais extremo, precisamente lá onde ele se perdeu e afastou d’Ele. E faz isto na esperança de assim poder finalmente comover o coração endurecido da sua Esposa.

3. As obras de misericórdia

A misericórdia de Deus transforma o coração do homem e faz-lhe experimentar um amor fiel, tornando-o assim, por sua vez, capaz de misericórdia. É um milagre sempre novo que a misericórdia divina possa irradiar-se na vida de cada um de nós, estimulando-nos ao amor do próximo e animando aquilo que a tradição da Igreja chama as obras de misericórdia corporal e espiritual. Estas recordam-nos que a nossa fé se traduz em actos concretos e quotidianos, destinados a ajudar o nosso próximo no corpo e no espírito e sobre os quais havemos de ser julgados: alimentá-lo, visitá-lo, confortá-lo, educá-lo. Por isso, expressei o desejo de que «o povo cristão reflicta, durante o Jubileu, sobre as obras de misericórdia corporal e espiritual. Será uma maneira de acordar a nossa consciência, muitas vezes adormecida perante o drama da pobreza, e de entrar cada vez mais no coração do Evangelho, onde os pobres são os privilegiados da misericórdia divina» (Ibid., 15). Realmente, no pobre, a carne de Cristo «torna-se de novo visível como corpo martirizado, chagado, flagelado, desnutrido, em fuga… a fim de ser reconhecido, tocado e assistido cuidadosamente por nós» (Ibid., 15). É o mistério inaudito e escandaloso do prolongamento na história do sofrimento do Cordeiro Inocente, sarça ardente de amor gratuito na presença da qual podemos apenas, como Moisés, tirar as sandálias (cf. Ex 3, 5); e mais ainda, quando o pobre é o irmão ou a irmã em Cristo que sofre por causa da sua fé.

Diante deste amor forte como a morte (cf. Ct 8, 6), fica patente como o pobre mais miserável seja aquele que não aceita reconhecer-se como tal. Pensa que é rico, mas na realidade é o mais pobre dos pobres. E isto porque é escravo do pecado, que o leva a utilizar riqueza e poder, não para servir a Deus e aos outros, mas para sufocar em si mesmo a consciência profunda de ser, ele também, nada mais que um pobre mendigo. E quanto maior for o poder e a riqueza à sua disposição, tanto maior pode tornar-se esta cegueira mentirosa. Chega ao ponto de não querer ver sequer o pobre Lázaro que mendiga à porta da sua casa (cf. Lc 16, 20-21), sendo este figura de Cristo que, nos pobres, mendiga a nossa conversão. Lázaro é a possibilidade de conversão que Deus nos oferece e talvez não vejamos. E esta cegueira está acompanhada por um soberbo delírio de omnipotência, no qual ressoa sinistramente aquele demoníaco «sereis como Deus» (Gn 3, 5) que é a raiz de qualquer pecado. Tal delírio pode assumir também formas sociais e políticas, como mostraram os totalitarismos do século XX e mostram hoje as ideologias do pensamento único e da tecnociência que pretendem tornar Deus irrelevante e reduzir o homem a massa possível de instrumentalizar. E podem actualmente mostrá-lo também as estruturas de pecado ligadas a um modelo de falso desenvolvimento fundado na idolatria do dinheiro, que torna indiferentes ao destino dos pobres as pessoas e as sociedades mais ricas, que lhes fecham as portas recusando-se até mesmo a vê-los.

Portanto a Quaresma deste Ano Jubilar é um tempo favorável para todos poderem, finalmente, sair da própria alienação existencial, graças à escuta da Palavra e às obras de misericórdia. Se, por meio das obras corporais, tocamos a carne de Cristo nos irmãos e irmãs necessitados de ser nutridos, vestidos, alojados, visitados, as obras espirituais tocam mais directamente o nosso ser de pecadores: aconselhar, ensinar, perdoar, admoestar, rezar. Por isso, as obras corporais e as espirituais nunca devem ser separadas. Com efeito, é precisamente tocando, no miserável, a carne de Jesus crucificado que o pecador pode receber, em dom, a consciência de ser ele próprio um pobre mendigo. Por esta estrada, também os «soberbos», os «poderosos» e os «ricos», de que fala o Magnificat, têm a possibilidade de aperceber-se que são, imerecidamente, amados pelo Crucificado, morto e ressuscitado também por eles. Somente neste amor temos a resposta àquela sede de felicidade e amor infinitos que o homem se ilude de poder colmar mediante os ídolos do saber, do poder e do possuir. Mas permanece sempre o perigo de que os soberbos, os ricos e os poderosos – por causa de um fechamento cada vez mais hermético a Cristo, que, no pobre, continua a bater à porta do seu coração – acabem por se condenar precipitando-se eles mesmos naquele abismo eterno de solidão que é o inferno. Por isso, eis que ressoam de novo para eles, como para todos nós, as palavras veementes de Abraão: «Têm Moisés e o Profetas; que os oiçam!» (Lc 16, 29). Esta escuta activa preparar-nos-á da melhor maneira para festejar a vitória definitiva sobre o pecado e a morte conquistada pelo Esposo já ressuscitado, que deseja purificar a sua prometida Esposa, na expectativa da sua vinda.

Não percamos este tempo de Quaresma favorável à conversão! Pedimo-lo pela intercessão materna da Virgem Maria, a primeira que, diante da grandeza da misericórdia divina que Lhe foi concedida gratuitamente, reconheceu a sua pequenez (cf. Lc 1, 48), confessando-Se a humilde serva do Senhor (cf. Lc 1, 38).

Vaticano, 4 de Outubro de 2015

Festa de S. Francisco de Assis

FRANCISCUS

(papa.cancaonova)

Na audiência geral, Papa fala sobre caminho quaresmal e Jubileu


CATEQUESE

Francisco destacou que, para ser verdadeiro, Jubileu deve chegar ao bolso


Nesta Quarta-feira de Cinzas, 10, o Papa Francisco se reuniu com os fiéis para a Audiência Geral.

Cerca de 15 mil peregrinos estiveram na Praça S. Pedro, aos quais o Pontífice saudou a bordo de seu papamóvel antes da catequese. A eles, Francisco se dirigiu desejando um bom caminho quaresmal e refletiu sobre a instituição do Jubileu, que se encontra nas Sagradas Escrituras.

 Origem do jubileu

A instituição do Jubileu acontecia de 50 em 50 anos como um momento culminante da vida religiosa e social do povo de Israel, explicou o Pontífice.

Se uma pessoa tivesse sido obrigada a vender a sua terra ou a sua casa, no Jubileu recuperava a posse delas, e se alguém contraía dívidas que não pôde saldar e foi reduzido à escravidão, pondo-se ao serviço do credor, no Jubileu podia voltar livre para a sua família e reaver todas as suas propriedades. Era uma espécie de “perdão geral”, que permitia a cada pessoa voltar à sua situação original.

Quem empobrecia voltava a ter o necessário para viver e quem enriquecia restituía ao pobre o que lhe apanhou. O objetivo era criar uma sociedade baseada na igualdade e na solidariedade, onde a liberdade, a terra e o dinheiro voltassem a ser um bem para todos e não só para alguns, “como acontece agora”, ponderou Francisco.

 Jubileu deve chegar ao bolso

“As cifras não são exatas, mas 80% das riquezas da humanidade estão nas mãos de menos de 20% das pessoas. É um jubileu – e isso o digo recordando nossa história de salvação – para converter-se para que o nosso coração se torne maior, mais generoso, mais filho de Deus, com mais amor. Mas lhes digo uma coisa: se o jubileu não chegar até ao bolso, não é um verdadeiro jubileu, entenderam? E isso está na Bíblia, não é este Papa que inventa: está na Bíblia.”

Francisco explicou ainda a lei concernente às primícias, isto é, quando a parte mais preciosa da colheita era compartilhada. Traduzindo para a época atual, disse Francisco, também hoje é importante compartilhar com quem não tem o resultado do trabalho, do salário, de tantas coisas que se possui e depois se desperdiça.

“Isso acontece também hoje! Na esmolaria apostolica chegam tantas cartas com um pouco de dinheiro, escrito: “esta é uma parte do meu salário para ajudar os outros”. E isso é belo; ajudar os outros, as instituições de beneficência, os hospitais, as casas de repouso; dar também aos forasteiros, aos estrangeiros e aos que estão de passagem. Jesus esteve de passagem no Egito.

 Agiotagem é pecado grave

E pensando justamente nisso, a Sagrada Escritura exorta com insistência a responder generosamente aos pedidos de empréstimo, sem fazer cálculos mesquinhos e sem pretender juros impossíveis.”

Este ensinamento, disse o Papa, é sempre atual:

“Quantas famílias estão na rua, vítimas da agiotagem! Por favor, rezemos para que neste jubileu o Senhor tire do coração de todos essa nossa vontade de ter sempre mais que a agiotagem provoca. Que se volte a ser generoso, grande.”

No desespero, afirmou Francisco, muitas pessoas acabam cometendo suicídio, porque não encontram uma mão estendida, somente a mão da cobrança. “A agiotagem é um pecado grave. O Senhor, recordou ele, recompensa em dobro, não em dinheiro, mas em tantas outras coisas.”

O Jubileu tinha por função ajudar o povo a viver uma fraternidade concreta, feita de mútua ajuda. Podemos dizer que o jubileu bíblico era um “jubileu de misericórdia”.

A mensagem bíblica é muito clara, concluiu o Papa: abrir-se com coragem à partilha entre compatriotas, entre famílias, entre povos, entre continentes. “Contribuir para realizar uma terra sem pobres quer dizer construir sociedades sem discriminações, assentes na solidariedade que leva a partilhar aquilo que se possui numa divisão dos recursos fundada na fraternidade e na justiça.”

 Orações para a viagem ao México

Após a catequese, ao saudar os grupos presentes, Francisco recordou que nos próximos dias visitará o México. O Papa pediu aos fiéis que acompanhem com a oração esta sua peregrinação e o encontro com o Patriarca Kirill em Cuba.

 Dia Mundial do Enfermo

O Papa lembrou ainda o 24º Dia Mundial do Enfermo, cujo ápice será em Nazaré. Citando sua mensagem para a ocasião, Francisco destacou que na solicitude de Maria se espelha a ternura de Deus e a imensa bondade de Jesus Misericordioso.

“Convido a rezar pelos doentes e a fazer com que sintam o nosso amor. A mesma ternura de Maria esteja presente na vida de tantas pessoas que se encontram ao lado dos doentes, sabendo colher suas necessidades, também aquelas mais imperceptíveis, porque foram vistos com olhos repletos de amor.”


QUARTA-FEIRA, 10 DE FEVEREIRO DE 2016, 9H25

Da redação, com Rádio Vaticano


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

O CARNAVAL ESTÁ AÍ!



O bom tempo favorece e anima as gentes, nesta época de Carnaval. Eu gosto de ir pela rua e ver as crianças e adultos fantasiados. A alegria natural de quem gosta de brincar ao carnaval é sadia e contagiante.
Os cortejos realizados nas pequenas cidades, como a minha, são “familiares”, porque vão os pais e os filhos em esfuziante convívio.
As músicas são as de sempre, desde que me conheço!

Na Ilha Terceira as festas carnavalescas são únicas. Toda a Ilha se mobiliza com representações em grupo, os quais cantam, dançam e teatralizam temas da actualidade regional e nacional. São autênticos grupos de teatro popular. Chega a haver mais de um grupo por freguesia.
As exibições começaram há um mês atrás e vão até à próxima terça-feira.

Procurem no youtube que encontram em “bailinhos da Ilha Terceira”. Poderão ter alguma dificuldade em perceber o enredo por cauda do sotaque, mas pelo menos ficam a conhecer um pouco desta cultura peculiar.


PASSA UM BOM DIA

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Hoje é celebrada a Apresentação do Senhor e o Dia da Vida Consagrada



REDAÇÃO CENTRAL, 02 Fev. 16 / 06:20 am (ACI).- Neste dia 02 de fevereiro, aIgreja celebra a Apresentação de Jesus no Templo, quando se realizou o encontro com Simeão e Ana, o qual se entendo como o encontro do Senhor com o seu povo, e também acontece o ritual de purificação da Virgem Maria.

Naquela época, quando nascia o primogênito, era levado após quarenta dias ao Templo para sua apresentação, assim como descreve a Lei de Moisés. Assim, desde o nascimento do Verbo encarnado, em 25 de dezembro, até 2 de fevereiro, José e Maria cumpriram o tempo e levaram o menino para se consagrar. 

O Evangelho de São Lucas relata: “Quando se completaram os dias para a purificação da mãe e do filho, conforme a lei de Moisés, Maria e José levaram Jesus a Jerusalém, a fim de apresentá-lo ao Senhor” (Lc 2,22).


Ao chegar ao Templo, eles encontram Simeão, a quem o Espírito Santo havia prometido que não morreria antes de ver o Salvador do mundo, e foi o Espírito que disse ao profeta que aquele menino era o Redentor e Salvador da humanidade.


Após tomar o menino nos braços e bendizer ao Senhor, o profeta disse à Maria ““Este menino vai ser causa tanto de queda como de reerguimento para muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição. Assim serão revelados os pensamentos de muitos corações. Quanto a ti, uma espada te traspassará a alma” (Lc 2,34-35).

Também neste dia, encontrava-se no Templo a filha de Fanuel, da tribo de Aser, chamada Ana, de idade já avançada. Ana ficou viúva sete anos depois de ter se casado e assim permaneceu até 84 anos de idade. Ficava dia e noite no Templo servindo a Deus e oferecia jejum e oração. Ao ver a criança, Ana louvava a Deus e falava do menino a todos os que esperavam a redenção de Jerusalém.

Neste dia, a Igreja recorda também o Dia Mundial da Vida Consagrada e hoje se encerra, no Vaticano, o Ano da Vida Consagrada.

Ao celebrar esta festa em 2014, o Papa Francisco convidou, “à luz desta cena evangélica, a considerar “a vida consagrada como um encontro com Cristo: é Ele que vem até nós, trazido por Maria e José, e somos nós que vamos até Ele, guiados pelo Espírito Santo. Mas no centro está Ele. É Ele que move tudo, é Ele que atrai ao Templo, à Igreja, onde podemos encontrá-lo, reconhecê-lo, recebê-lo e também abraçá-lo”.


(Acidigital)