sexta-feira, 29 de março de 2019

Papa: confissão, caminho de santidade para o penitente e para o confessor




O Sacramento da Reconciliação, disse o Papa aos participantes do Curso de Foro Interno, é um verdadeiro “caminho de santificação”, pois “é o sinal eficaz que Jesus deixou à Igreja para que a porta da casa do Pai permanecesse sempre aberta, sendo assim sempre possível o retorno dos homens a Ele”.

Jackson Erpen – Cidade do Vaticano

“Queridos jovens sacerdotes, futuros sacerdotes e queridos penitenciários, exorto-vos a sempre a ouvir com grande generosidade as confissões dos fiéis, a percorrer com eles o caminho da santificação que é o Sacramento. Contemplem os "milagres" de conversão que a graça opera no segredo do confessionário, milagres dos quais somente vocês e os anjos serão testemunhas. E que sobretudo vocês possam se santificar, no exercício humilde e fiel do ministério da Reconciliação”.
Palavras do Papa Francisco dirigidas aos cerca de 750 participantes do 30º Curso sobre Foro Interno -promovido pelo Tribunal da Penitenciaria Apostólica – e recebidos em audiência na Sala Paulo VI no final da manhã desta sexta-feira.
A importância do "ministério da misericórdia" – observou o Santo Padre no início de seu pronunciamento -  “justifica, exige e quase nos impõe uma adequada formação, para que o encontro com os fiéis que pedem o perdão de Deus seja sempre um encontro real de salvação, no qual o abraço do Senhor é percebido em toda a sua força, capaz de mudar, converter, curar e perdoar”.

Necessidade de formação

O Pontífice recorda que diante da longa história da Igreja e da antiguidade da Penitenciaria Apostólica – o mais antigo Tribunal a serviço do Papa, um tribunal de misericórdia - , estes trinta anos do Curso sobre Foro Interno podem não parecer muito. Mas para nossa época, em que tudo corre velozmente, é tempo suficiente “para poder fazer reflexões e balanços”.


O número de participantes desta 30ª edição – mais de 700 – chamou a atenção de Francisco. Isto indica - observa ele -  “quão séria é a necessidade de formação e segurança, em relação a matérias tão importantes para a própria vida da Igreja e para o cumprimento da missão que o Senhor Jesus a ela confiou”.

Superar a crise com as armas da fé

Se por um lado há uma certa dificuldade do homem contemporâneo em relação à Confissão e ao senso de pecado - e devemos reconhecer isto, diz o Papa -,  “esta grande participação de sacerdotes, recém-ordenados e ordenandos, testemunha o permanente interesse em trabalhar juntos para enfrentar e superar a crise, antes de tudo com as "armas da fé" e oferecendo um serviço cada vez mais qualificado e capaz de manifestar realmente a beleza da Misericórdia divina”.
O Sacramento da Reconciliação é um verdadeiro “caminho de santificação” – enfatiza o Papa - pois “é o sinal eficaz que Jesus deixou à Igreja para que a porta da casa do Pai permanecesse sempre aberta, sendo assim sempre possível o retorno dos homens a Ele”.

Santificação para o penitente e para o confessor

A confissão é o caminho de santificação para o penitente e para o confessor, “E vocês, queridos jovens confessores, farão logo a experiência disto”, diz Francisco, explicando:
“Para o penitente, é claramente caminho de santificação porque, como repetidamente enfatizado durante o recente Jubileu da Misericórdia, a absolvição sacramental, validamente celebrada, restaura a inocência batismal, a plena comunhão com Deus. Aquela comunhão que Deus nunca interrompe com o homem, mas a qual o homem às vezes se subtrai, fazendo mal uso do estupendo dom da liberdade”.
Para nós, sacerdotes – explicou o Papa - o quarto sacramento também é o caminho da santificação:
“Antes de tudo quando, humildemente, como todos os pecadores, nos ajoelhamos perante o confessor e imploramos por nós mesmos a Misericórdia divina. Recordemos sempre de sermos primeiro pecadores perdoados, e somente mais tarde, ministros do perdão”.
Como confessores – enfatiza Francisco -  “temos o privilégio de contemplar constantemente os “milagres” das conversões. Devemos sempre reconhecer a poderosa ação da graça, que é capaz de transformar o coração de pedra em coração de carne, de mudar um pecador que fugiu para longe em um filho arrependido que volta à casa do pai”.

Importância da formação

Neste sentido,  é importante a “formação para uma celebração reta e eficaz do Sacramento da Reconciliação, pressuposto indispensável para que dê frutos”:
“Isso para que cada confissão seja sempre um novo e definitivo passo em direção a uma santificação mais perfeita; um terno abraço, cheio de misericórdia, que contribui para expandir o Reino de Deus, Reino de amor, de verdade e paz”.

Indispensável segredo da confissão

O Papa recorda que a própria Reconciliação “é um bem que a sabedoria da Igreja sempre salvaguardou com toda a sua força moral e jurídica com o segredo sacramental. Isso, embora nem sempre entendido pela mentalidade moderna, é indispensável para a santidade do Sacramento e para a liberdade de consciência do penitente, o qual deve estar certo, em qualquer momento, que o colóquio sacramental permanecerá no segredo do confessionário, entre a própria consciência que se abre para a graça e Deus, com a necessária mediação do sacerdote”.
“ O segredo sacramental é indispensável e nenhum poder humano tem jurisdição, nem pode reivindicá-lo sobre ele. ”

(vaticannews)

Papa: o coração endurecido nos faz perder a fidelidade ao Senhor

quinta-feira, 28 de março de 2019

Palavra de Vida – março 2019




“Sede misericordiosos, como o vosso Pai é misericordioso” (Lc 6, 36).

De acordo com a narração de São Lucas, Jesus, depois de ter anunciado as bem-aventuranças aos seus discípulos, propõe-lhes o seu revolucionário convite: amar cada pessoa como a um irmão, mesmo que se revele um inimigo.
Jesus sabe bem o que isso significa e explica-o: somos irmãos porque temos um único Pai, que está sempre à espera dos seus filhos.
Ele quer estabelecer um relacionamento com cada um de nós, apelando para isso à nossa responsabilidade. Mas, ao mesmo tempo, mostra que o seu amor é um amor que se preocupa, que trata, que nutre. A sua é uma atitude maternal, de compreensão e ternura.
Assim é a misericórdia de Deus que vai, pessoalmente, ao encontro de cada ser humano, com todas as suas fragilidades. Aliás, Ele tem predileção por aqueles que estão à beira da estrada, os que são excluídos e marginalizados.
A misericórdia é um amor que enche o coração, para depois transbordar sobre os outros, tanto sobre os vizinhos como sobre os estranhos, sobre a sociedade à sua volta.
Porque somos filhos deste Deus, podemos assemelhar-nos a Ele naquilo que O carateriza, isto é, no amor, no acolhimento, no saber esperar os tempos do outro.
Sede misericordiosos, como o vosso Pai é misericordioso.
Infelizmente, na nossa vida pessoal e social respira-se uma atmosfera de crescente hostilidade e competição, de suspeição recíproca, de julgamentos sem apelo, de medo do outro. E assim acumulam-se os rancores, levando a conflitos e a guerras.
Como cristãos, podemos dar um decisivo testemunho de ir contra a corrente: tomemos a decisão de nos libertarmos de nós mesmos e de tudo o que nos condiciona, e comecemos a reconstruir as ligações deterioradas ou desfeitas na família, no local de trabalho, na comunidade paroquial, no partido político.
Se fizemos mal a alguém, peçamos corajosamente perdão e continuemos em frente. É um ato de grande dignidade. E, se alguém nos ofendeu realmente, tentemos perdoar-lhe, arranjar-lhe um novo espaço no coração, de maneira que a ferida possa sarar.
O que é o perdão?
«O perdão não é esquecimento, […] não é fraqueza, […] não é afirmar que não tem importância o que é grave, nem dizer que é bem aquilo que é mal, […] tão-pouco é indiferença. O perdão é um ato de vontade e de lucidez, portanto, de liberdade. Consiste em aceitar o irmão como ele é, apesar do mal que nos provocou. Como Deus nos aceita a nós, pecadores, apesar dos nossos defeitos. O perdão consiste em não responder à ofensa com outra ofensa, mas em fazer como São Paulo diz: “Não te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal com o bem” (1)» (2).
Esta abertura do coração não se improvisa. É uma conquista quotidiana, um constante crescimento na nossa identidade de filhos de Deus. É, sobretudo, uma dádiva do Pai que podemos e devemos pedir-Lhe diretamente.
Sede misericordiosos, como o vosso Pai é misericordioso.
Conta M., uma jovem filipina: «Eu tinha apenas onze anos, quando o meu pai foi assassinado. Mas não se fez justiça porque éramos pobres. Quando cresci, estudei jurisprudência com a intenção de conseguir que se fizesse justiça à morte do meu pai.
Deus, porém, tinha um outro plano para mim: uma colega convidou-me para ir a um encontro de pessoas seriamente empenhadas em viver o Evangelho. E assim, também eu comecei a fazer o mesmo.
Um dia pedi a Jesus que me ensinasse a viver concretamente a sua palavra: “Amai os vossos inimigos” (3), pois sentia que o ódio por aqueles que tinham assassinado o meu pai me envolvia ainda. No dia seguinte, no trabalho, encontrei o chefe do grupo. Cumprimentei-o com um sorriso, perguntando-lhe como estava a sua família. Esta saudação deixou-o desconcertado, mas mais desconcertada fiquei com aquilo que eu tinha feito.
O ódio dentro de mim estava a dissolver-se, transformando-se em amor. Mas aquele tinha sido apenas o primeiro passo: o amor é criativo! Pensei que cada membro do grupo devia receber o nosso perdão. Eu e o meu irmão fomos visitá-los para restabelecer o nosso relacionamento e mostrar-lhes que Deus os ama! Um deles pediu-nos perdão pelo que tinha feito, pedindo-nos também que rezássemos por ele e pela sua família».
Letizia Magri

1) Cf. Rm 12, 21; 2) Cf. C. Lubich, Construir sobre a rocha, Cidade Nova, Parede 1984, pp. 58-59; 3) Cf. Mt 5, 44; Lc 6, 27.

(focolares)

quarta-feira, 27 de março de 2019

Audiência Geral: catequese “segunda parte da oração do Pai-Nosso”


Alimento não é propriedade privada.
O apelo do Papa pelas crianças famintas
Na catequese desta quarta-feira, o Pontífice começou a analisar a segunda parte da oração do Pai-Nosso, em que apresentamos a Deus as nossas necessidades. E a súplica analisada foi: o pão nosso de cada dia nos dai hoje.

Bianca Fraccalvieri – Cidade do Vaticano

Alimento não é propriedade privada, mas providência a compartilhar, com a graça de Deus: palavras do Papa Francisco na Audiência Geral desta quarta-feira, na Praça São Pedro.

Na catequese, o Pontífice começou a analisar a segunda parte da oração do Pai-Nosso, aquela em que apresentamos a Deus as nossas necessidades. E a súplica analisada foi: o pão nosso de cada dia nos dai hoje.

Jesus não está indiferente
Esta oração provém de uma evidência que frequentemente esquecemos, isto é, de que não somos criaturas autossuficientes e que precisamos nos nutrir todos os dias.  Jesus não exige súplicas refinadas. Nos Evangelhos, há uma multidão de mendigos que suplicam libertação e salvação: há quem pede pão, cura, purificação, a visão... Jesus jamais passa indiferente ao lado desses pedidos e dores.

Jesus, portanto, nos ensina a pedir o pão cotidiano:

“ Quantas mães e pais, ainda hoje, vão dormir com o tormento de não ter no dia seguinte pão suficiente para os próprios filhos! Imaginemos esta oração rezada não na segurança de um cômodo apartamento, mas na precariedade de um quarto onde as pessoas se adaptam, onde falta o necessário para viver. As palavras de Jesus assumem uma força nova. ”

A oração cristã começa deste nível. Não é um exercício para ascetas, mas parte da realidade, do coração, da carne de pessoas que estão na necessidade.

Nem mesmo os mais altos místicos cristãos podem prescindir da simplicidade deste pedido: e o pão significa também água, remédio, casa, trabalho... O pão que o cristão pede na oração não é o “meu”, mas o “nosso”. Jesus quer assim. Ele nos ensina a pedi-lo não só para si mesmo, mas para toda a fraternidade do mundo. Se não for rezado assim, o “Pai-Nosso deixa de ser uma oração cristã. Se Deus é nosso Pai, como podemos nos apresentar a Ele senão de mãos dadas?”

Empatia e solidariedade
E se o pão que Ele nos dá o roubamos entre nós, como podemos declarar-nos seus filhos? Esta invocação contém uma atitude de empatia e de solidariedade. Na minha fome sinto a fome das multidões, e então rezarei a Deus até que o pedido não seja realizado.
Francisco convidou os fiéis a pensarem nas crianças famintas nos países que estão em guerra:

“ Crianças famintas no Iêmen, na Síria, em muitos países onde não há pão, no Sudão do Sul. Pensemos nessas crianças e vamos rezar juntos: Pai, nos dai hoje o pão nosso de cada dia. ”

Alimento não é propriedade privada
Jesus nos educa a pedir a Deus as necessidades de todos e nos repreende o fato de não estarmos acostumados a dividir o pão com quem está próximo de nós.

“Era um pão entregue a toda a humanidade e, ao invés, foi consumido somente por alguns: o amor não pode tolerar isto. O amor de Deus também não pode tolerar este egoísmo”, disse o Papa, acrescentando:

“ Alimento não é propriedade privada, vamos colocar isso na cabeça, mas providência a compartilhar, com a graça de Deus. ”

Ao multiplicar os pães e peixes, Jesus realiza o milagre da compartilha. Ele próprio, multiplicando aquele pão oferecido, antecipou a oferta de Si no Pão eucarístico. De fato, somente a Eucaristia é capaz de saciar a fome de infinito e o desejo de Deus que anima o homem, inclusive na busca do pão cotidiano.
(vativannews)


terça-feira, 26 de março de 2019

ENTREVISTA: Graças a Pio XII, quase um milhão de judeus salvos dos nazistas,


diz o homem judeu que odiava Pacelli, mas agora o chama de herói
Fundação Pave the Way trabalha desde 2006 para restaurar o bom nome do papa Pio XII manchado pelo 'projeto de desinformação' soviético chamado 'sede 12'


Graças ao papa Pio XII, quase 1 milhão de judeus foram salvos dos nazistas e, portanto, um inimigo judeu de Pio XII tornou-se seu mais forte defensor.
Em uma entrevista exclusiva, ZENIT soube que esta era a situação de Gary Krupp, fundador, junto com sua esposa Meredith, fundadores e diretores da Fundação Pave the Way , que trabalhou incansavelmente para revelar a verdade da ação do Vaticano durante a Segunda Guerra Mundial. II.
A Fundação Pave the Way é uma organização não sectária que trabalha para remover obstáculos entre religiões, parcialmente através da eliminação de desafios não-teológicos, e para iniciar gestos de boa vontade.
Papa Francisco anunciou no mês passado em uma audiência com membros do Arquivo Secreto do Vaticano que para o 80º aniversário da morte de Pacelli, ele abriria para acadêmicos e pesquisadores, o Archives of Pacelli's pontificate, que tem sido controverso, com alguns tendo dito que enquanto ele Foi o papa durante a Segunda Guerra Mundial que ele não falou, e outros alegando que há provas de que ele fez mais do que quase qualquer outra pessoa para salvar os judeus dos nazistas.
Aqui está a entrevista exclusiva do ZENIT com Gary Krupp:
***
ZENIT: No dia 4 de março, o Papa Francisco anunciou que, dentro de um ano, os arquivos do Vaticano do pontificado de Pio XII (1939-1958) serão abertos à consulta de pesquisadores e acadêmicos que desejarem consultá-lo. Como você recebeu essa notícia?
Gary Krupp: Ficamos extremamente animados para ouvir as novidades! Os arquivos do Vaticano serão abertos oito anos antes do que dita a Lei Canônica, como pedimos a todos os funcionários do Vaticano nos últimos anos. Também agimos para revelar a documentação descoberta por nossa equipe de acadêmicos, o Dr. Michael Hesemann, Diretor da Fundação Pave the Way para a Alemanha, Johan Ickx, Ronald Rychlak, Guilherme Doino, Martin Gilbert, Limore Yagil, Edouard Husson, Dimitri Cavalli, Mark Riebling, O diácono Dominiek Oversteyne, todos fizeram incríveis descobertas de documentos de muitos arquivos que foram abertos por décadas para refutar a falsa narrativa disseminada de Pio XII.
ZENIT: Nós falamos sobre um número notável de documentos históricos ...
Krupp: Levará anos para pesquisar adequadamente essa quantidade de informação. O que precisamos é de pesquisadores objetivos que buscam a verdade, em vez daqueles que criam uma teoria e buscam simplesmente apoiar sua teoria.
ZENIT: Sua visão do papa Pio XII não é a mesma de algum tempo atrás. Como isso evoluiu?
Krupp: Pio XII foi o papa quando eu era criança. Meu tio o encontrou duas vezes em 1948 e recebeu uma medalha dele quando estava em Roma com a Marinha dos EUA. Naquela época, minhas lembranças do papa Pio XII sempre foram muito positivas. Então, quando eu fui para o ensino médio, a opinião mundial mudou completamente. Depois de ler alguns livros sobre esse assunto, fiquei convencido de que ele não era amigo do povo judeu e, na pior das hipóteses, colaborador da Alemanha nazista contra o comunismo.
ZENIT: Então? O que aconteceu?
Krupp: Muito tempo depois, em 2006, através do que considero uma intervenção divina, fui gradualmente exposto a uma incrível documentação e testemunho que me levou a uma conclusão: mentiram para mim! Minhas emoções passaram de estarem chocadas a extremamente zangadas.
Armado de documentos, viajei a Jerusalém para me encontrar com o rabino Ashkenazi, chefe de Israel, Yona Metzger, e revelei o que havia descoberto. Ele me disse: "Eu quero que você encontre tudo o que puder sobre este assunto e abençoe você por este trabalho." No judaísmo, a pior falha de caráter que um judeu pode ter é a ingratidão. O assassinato por difamação e caráter de Pacelli, roubou o povo judeu da dignidade de expressar uma medida de agradecimento a um líder religioso que agiu para salvar mais judeus do que todos os líderes religiosos e políticos da época. Isso é para mim uma responsabilidade judaica.
ZENIT: O que você fez depois daquela reunião?
Krupp: Eu enviei este projeto internacional potencialmente explosivo para a diretoria da PTWF para considerar. Como nossa missão é identificar e eliminar obstáculos entre religiões, esse projeto se encaixa na minha declaração de missão. O conselho aprovou quase universalmente. Então, nós começamos a entrar em contato com estudiosos internacionais sobre o assunto. Meredith, minha esposa e eu viajamos por toda a Europa para explorar todos os caminhos possíveis para revelar a verdade das ações da Santa Sé, em relação ao povo judeu, sob o pontificado do Papa Pio XII.
ZENIT: Como judeu, suponho que esse assunto seja particularmente significativo ...
Krupp: Como judeu, pensei que utilizar o meu relacionamento positivo com o Vaticano para identificar e revelar esses documentos para o mundo seria elogiado e anunciado. Fiquei chocado quando fui simplesmente atacado e criticado por muitos dos "historiadores" internacionalmente. A boa notícia é que os comentários críticos sobre nosso trabalho no PTWF permanecem na Internet. Nossa vindicação virá quando a opinião do mundo voltar para onde estava em 1958. Um dia, Pio XII será reconhecido como justo entre as nações do Yad Vashem.
ZENIT: Tem muita gente que não concorda com essa última afirmação. O que você responderia?
Krupp: Segundo o historiador e diplomata israelense Pinchas Lapide e apoiado por Sir Martin Gilbert, a Igreja Católica sob o pontificado de Pio XII agiu para salvar a vida de um número estimado de 847.000 judeus, quase um milhão. A diferença é que Lapide e todos os líderes judeus que elogiaram sem reservas Pio XII, viveram os anos de guerra e testemunharam essas ações. Os revisionistas históricos modernos simplesmente leram os falsos livros demoníacos para impulsionar suas agendas negativas.
ZENIT: Você e sua esposa Meredith são os fundadores da Fundação Pave the Way. Por favor, faça-nos entender um pouco melhor o que a Fundação fez, em cooperação com o Vaticano, relacionada a Pio XII.
Krupp: Desde 2006, com a ajuda de nossos parceiros acadêmicos internacionais, descobrimos e publicamos on-line mais de 76.000 páginas de documentos originais, além de entrevistas com testemunhas oculares, graças à cooperação com o Vaticano também. Dois amigos muito queridos e próximos, o cardeal Tauran e o arcebispo Pietro Sambi, disseram-me que “Gary será o trabalho da sua vida”. O cardeal Bertone, ex-secretário de Estado do Vaticano, entregou-nos pessoalmente um conjunto dos volumes de Atos e Documentos da Santa Sé durante a Segunda Guerra Mundial, para que pudéssemos digitalizar as 5000 páginas e torná-las disponíveis para estudos acadêmicos internacionais. Site do Vaticano, o site da Missão Ho ly See nas Nações Unidas e a página de recursos do site Pavimentar o Caminho Pio XII.
Além disso, recebemos permissão para publicar muitos documentos do Vaticano com a condição de que eles não fossem usados ​​para fins comerciais. Consequentemente, quando viajamos internacionalmente, recebemos acesso a muitos dos arquivos. Nós descobrimos literalmente centenas de 'armas de fumar'.
ZENIT: Com relação à cooperação com o Vaticano, você e Meredith também são o primeiro casal a ser o cavaleiro papal e a dama da Grã-Cruz de São Gregório Magno. Por que você recebeu essa honra?
Krupp: Por causa de nossas décadas de trabalho para ajudar o hospital do Padre Pio. Em 31 de julho de 2000, fui investido pelo Papa João Paulo II e fiz um Cavaleiro Comandante da Ordem Pontifícia de São Gregório Magno. Então, novamente em janeiro de 2007, fui elevado ao papa Bento XVI, aumentando ainda mais nosso nível de confiança. Então, em 1º de outubro de 2019, no 16º aniversário da criação de Pavimentar o Caminho, Meredith e eu fomos elevados à mais alta classe da mais alta honraria papal concedida novamente a um leigo pelo Papa Francisco. Esses são sinais providenciais da aprovação de Deus ao nosso trabalho. Pavimentar o Caminho é agora em 23 países onde trabalhamos para resolver problemas com muitas das religiões do mundo, sempre nos bastidores, tudo devido ao nosso reconhecimento pelo Vaticano. Ironicamente,
ZENIT: O julgamento sobre o trabalho de Pio XII em relação ao nazismo e ao Holocausto ainda divide a Igreja Católica e o mundo judaico. Quais serão as consequências da abertura dos arquivos do Vaticano?
Krupp: A abertura dos seis principais arquivos irá percorrer um longo caminho para resolver os mal-entendidos das ações da Santa Sé durante a Segunda Guerra Mundial, mesmo que sejam necessárias décadas de pesquisas dedicadas para examinar o material.
O problema, no entanto, é que muitos dos críticos de Pio XII simplesmente não fizeram nenhuma pesquisa legítima sobre o assunto. Uma entrevista recente de Robert Ventresca é muito reveladora. Ele não acredita que haverá uma arma fumegante nos arquivos do Vaticano. Ele provavelmente está correto, porque nossos parceiros acadêmicos internacionais já descobriram centenas de “armas de fumaça” em todo o mundo. Os críticos escolheram convenientemente não olhar para esses documentos. Em seu recente livro  Church of Spies,  Mark Riebling revelou que Pio XII estava ciente de todas as tentativas de assassinato contra Hitler. Sua pesquisa foi feita nos arquivos da CIA americana e nos arquivos britânicos. Nenhuma palavra estará em nenhum dos arquivos do Vaticano.
ZENIT: Muito interessante…
Krupp: Mais um exemplo no livro de Susan Zuccotti,  Under His Very Windows . Aqui, ela pelo menos tentou entrevistar uma testemunha ocular, Monsenhor Aldo Brunacci, em Assis. Monsenhor Brunacci afirmou que o cardeal Nicolini de Assis o convocou e sustentou uma carta do Santo Padre pedindo para fazer todo o possível para salvar os judeus perseguidos. Zuccotti perguntou a Brunacci se ele lia a carta. Ele disse não. Então, ela concluiu que não há provas de que essa carta realmente existiu. Esses pedidos por escrito foram dados a muitos da diocese, mas ordenados a serem queimados para proteger a neutralidade da Santa Sé.
ZENIT: E quanto a Roma, a cidade do papa?
Krupp: O professor Johan Ickx e o Dr. Michael Hesemann fizeram uma enorme quantidade de pesquisas nos arquivos de Santa Maria dell'Anima, que revelaram os fatos que Pio XII agiu diretamente para impedir a prisão dos judeus romanos em 16 de outubro de 1943. Então Quando viajamos para a Áustria, Meredith e eu obtivemos 250 páginas de documentos em tempo de guerra da Arquidiocese de Viena mostrando como Pio XII enviou dinheiro para apoiar a comunidade israelita em Viena e as ações do Vaticano para obter vistos para os judeus irem para Portugal e finalmente para a República Dominicana, EUA, Cuba e América do Sul. Estes são apenas alguns exemplos de como os críticos nunca se preocuparam em examinar arquivos que foram abertos por décadas.
ZENIT: Como tem sido possível?
Krupp: Quando o Pave the Way publicou essas informações em nosso site da página Recursos de Pio XII, literalmente, nenhum dos revisionistas se incomodou em entrar em nosso site para examinar esses documentos. Nós literalmente entregamos essa informação a eles e eles ainda se recusaram a olhar para esse material. Devemos então concluir que literalmente nada que o futuro venha a revelar mudará a mentalidade de algumas dessas pessoas. Eles acusarão o Vaticano de desinfetar os arquivos. As conseqüências infelizes de tal negação serão a perda de qualquer credibilidade de suas qualificações como acadêmicos.
ZENIT: Há alguns judeus - por exemplo, o rabino-chefe de Roma, Riccardo Di Segni - que disse que seu julgamento negativo sobre o papa Pio XII não mudará de qualquer maneira. Como você julga essa afirmação?
Krupp: Em 2008, Meredith e eu fomos visitar o Rabino Chefe de Roma para convidá-lo a participar do simpósio de 80 acadêmicos judeus internacionais que estávamos patrocinando em Roma. Ele simplesmente disse: “Você está pavimentando o caminho para a Canonização de Pio XII. O papa permaneceu em silêncio quando 1259 judeus romanos foram enviados a Auschwitz. Eu estudei esse problema e você está errado. Nenhum judeu romano comparecerá ao seu simpósio. ”A realidade é que Di Segni nunca viveu a guerra em contraste com seus antecessores, o rabino Elio Toaff e o rabino Israel Zolli, testemunhas oculares das ações de Pio XII. Ironicamente, ele permanece a uma curta distância de vários arquivos, o que teria provado a verdade.
ZENIT: E qual é a verdade?
Krupp: Se o rabino chefe tivesse examinado os arquivos do bispo Hudal como o professor Johan Ickx fez em Santa Maria dell'Anima, ele teria descoberto como foi Pio XII quem agiu diretamente para acabar com a prisão dos judeus romanos em 16 de outubro de 1943. foi Pio XII quem enviou Pe Pancratius Pfeiffer para tentar obter a libertação dos 1259 judeus presos; infelizmente, ele teve sucesso apenas em resgatar 224 judeus. Os documentos descobertos em Santa Maria dell'Anima também mostraram como Pio XII usou a ameaça para falar contra Hitler e os nazistas, a fim de acabar com a prisão dos judeus romanos. Ele sabia que tal declaração pública teria provocado a planejada invasão do Vaticano. Algo que os militares alemães temiam, uma vez que isso poderia resultar em tumultos maciços em toda a Europa.
ZENIT: Você citou Israel Zolli, o rabino chefe de Roma durante a Segunda Guerra Mundial, famoso por ter decidido se converter ao catolicismo romano, depois da guerra…
Krupp: Até a esposa dele! Ambos levaram o nome Eugenio e Eugenia, como Eugenio Pacelli, Pio XII. A realidade é que toda a comunidade judaica romana teria sido massacrada se Pio XII não agisse para acabar com a prisão e se mover para proteger os judeus nas centenas de instalações eclesiásticas e encorajar os católicos italianos a dar abrigo a seus vizinhos judeus.
ZENIT: Para resumir, que descobertas provavelmente poderiam sair dos arquivos do Vaticano sobre a relação entre Pio XII e o nazismo?
Krupp: As descobertas já foram feitas a partir de centenas de fontes, de relatórios de jornais e documentos e cartas e entrevistas com testemunhas oculares. Muita desta informação foi revelada quando o papa Bento XVI ordenou a abertura dos arquivos até 1939, em 2006. Mas essas “armas de fumar” não foram publicamente aceitas ou reconhecidas. O ódio pessoal de Pacelli ao apoio de Hitler e Pacelli à excomunhão de qualquer nazista que usasse o uniforme ou brandisse a bandeira pelos bispos alemães em 1930 foi relatado ao governo dos EUA em uma carta confidencial no dia seguinte ao eleito Papa em 3 de março de 1939. Dos 44 discursos públicos feitos por Pacelli como núncio até 1929, 40 condenaram o movimento nazista.
ZENIT: “A Igreja não tem medo da história”, disse Francisco no último dia 4 de março. Como você interpretou essa afirmação?
Krupp: Ele disse isso porque sabe que a verdade nos libertará. Os arquivos do Vaticano possuem mais de 16 milhões de páginas de documentos, que revelarão muitos dos fatos das ações da Santa Sé durante a Segunda Guerra Mundial. Mas quando o Papa Bento XVI abriu o Arquivo Secreto até o período de 1939, apenas alguns dos críticos chegaram a fazer qualquer pesquisa real. A infeliz realidade é que muitos daqueles que menosprezaram o nome de Eugenio Pacelli simplesmente não pesquisaram adequadamente a história desse grande homem. Eu tenho confiança no Yad Vashem. Eles finalmente chegarão à conclusão correta. Algum tempo atrás, uma comissão de especialistas, concluiu que a placa negativa em seu Hall of Shame estava incorreta. Então, eles modificaram, afirmando que vão esperar que os arquivos sejam abertos para finalizar suas conclusões.
ZENIT: A causa da beatificação do papa Pacelli prossegue muito devagar. Quais efeitos a abertura dos arquivos do Vaticano poderia ter?
Krupp:   O curso de beatificação de Pacelli é determinado pelo Direito Canônico. Acredito que, uma vez que a verdade seja revelada, o processo estará prosseguindo corretamente, depois de ter sido retardado por razões políticas. Na fé judaica, creio que um dia Eugenio Pacelli será reconhecido como justo entre as nações, quase o equivalente à canonização.
ZENIT: A Fundação Pave the Way visa incentivar o diálogo entre as religiões. Há muitos casos de controvérsias históricas sobre o passado que criam tensão entre diferentes religiões. Em casos como esses, qual é o caminho certo para superar os obstáculos do passado?
Krupp: A missão da Fundação Pave the Way é identificar e trabalhar para eliminar obstáculos não teológicos entre religiões, não encorajando realmente o diálogo. É uma ação que obtém resultados em vez de diálogo. Conseguimos isso estabelecendo confiança através de gestos históricos de boa vontade e, então, confiamos nessas relações para identificar e nos mover para resolver esses obstáculos.
Pavimentar o Caminho trabalha ativamente para resolver problemas com as Igrejas Ortodoxas Cristãs, com os muçulmanos, com os palestinos e israelenses, com a guerra civil em Camarões e muitos outros conflitos internacionais envolvendo desinformação religiosa. Nosso maior obstáculo é a mídia que, em muitos casos, apenas alimenta o ódio, a violência e se recusa intencionalmente a denunciar a verdade. Devemos manter a mídia em um padrão mais elevado quando eles intencionalmente empurram suas agendas pessoais contrárias aos fatos e ao bem-estar internacional dos 7 bilhões de almas humanas em nosso minúsculo planeta.
(zenit.pt)