quarta-feira, 10 de julho de 2019
Barco-Hospital Papa Francisco
“estamos diante de um milagre”,
afirma Dom Bernardo
A embarcação hospitalar inspirada e solicitada pelo próprio Papa
Francisco foi inaugurada no último final de semana, em meio à comunidade
amazônica do Pará que será beneficiada com o projeto. De fato, 700 mil pessoas
que vivem ao longo do Rio Amazonas vão receber atendimento básico à saúde e
poderão fazer exames preventivos ao câncer. “Estamos aqui realmente diante de
um milagre e, se Deus quiser, vamos poder atender muita gente”, afirma Dom
Bernardo Bahlmann, bispo de Óbidos
Andressa Collet – Cidade do Vaticano
O atendimento básico de
saúde e espiritual a cerca de 700 mil pessoas ao longo do Rio Amazonas, no
Estado do Pará, ao norte do Brasil, já é uma realidade graças ao Barco-Hospital
Papa Francisco que leva médicos e consagrados, de cais em cais, entre as mil comunidades
ribeirinhas de 12 municípios. No final de semana, em cerimônias oficiais em
diferentes paradas, a embarcação hospitalar aportou para ser inaugurada e
comemorada pelos brasileiros.
Barco-Hospital foi um pedido do Papa Francisco
Quem embarcou no projeto,
inspirado e solicitado pelo próprio Pontífice quando encontrou os frades da
Fraternidade São Francisco de Assis na Providência de Deus no Rio de Janeiro,
em 2013, foi a diocese de Óbidos, com o apoio dos frades, do Ministério Público
do Trabalho de São Paulo e do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região. Dom
Bernardo Bahlmann, bispo de Óbidos e presidente da CNBB Norte 2, e Frei
Francisco Belotti, fundador da Fraternidade, estiveram no Vaticano em novembro
de 2018 para apresentar o projeto ao Papa. Dom Bernardo explica como nasceu
esse sonho:
“ Muita gente, sobretudo no interior, já não vai mais para a
cidade procurar um médico e fica doente em casa. E, a partir disso, pensamos
que poderia ser um barco, que fosse até as comunidades. Se as pessoas não vão
até o hospital, o hospital vai até eles. E assim nasceu essa ideia, que se
tornou um sonho e que surgiu às margens do Rio Amazonas, olhando pra ele. ”
Como será feito o atendimento
Além dos frades e
voluntários, a comitiva que percorre o trajeto hidroviário também é composta
pela tripulação da Marinha Mercante e por uma equipe de saúde que reúne
religiosas das Pequenas Missionárias de Maria Imaculada, de São José dos
Campos. Já existe inclusive uma lista de médicos interessados em ajudar no
atendimento.
O Barco-Hospital já está
se preparando para fazer expedições de 10 dias, com base sempre em Óbidos, para
realizar os atendimentos de atenção básica à saúde, além de ações e exames para
prevenir e diagnosticar precocemente o câncer da população ribeirinha daquela
região amazônica. Para tanto, a embarcação oferece consultórios, centro
cirúrgico, laboratórios, leitos de enfermaria e salas especiais, como a de
vacinação, além de equipamentos para realizar os exames. Os casos de maior complexidade
serão encaminhados aos hospitais de base de Óbidos, Juruti e Alenquer.
Em véspera de Sínodo Amazônico, iniciativa
“sacode rosto do Sul” do país
Pe. Vilson Groh,
presidente de um instituto que, em Florianópolis/SC, leva o seu nome e busca
sensibilizar o mundo empresarial a compreender a realidade das periferias,
reconhece a importância do trabalho realizado pela diocese de Óbidos com o
Barco Hospital Papa Francisco. Segundo o sacerdote, é uma iniciativa que
acontece em véspera de Sínodo Amazônico e dá o exemplo ao outro extremo do
Brasil para “sacudir também o rosto do Sul” do país.
“Uma diocese como Óbidos
que, do ponto de vista da infraestrutura, tem todas as suas pobrezas, mas do
ponto de vista de se dar daquilo que se tem, do seu pequeno dom, o que
significa atender 700 mil pessoas com um barco e que pode fazer um grande
trabalho do acesso do direito à saúde e ao mesmo tempo à pastoral. Porque esse
barco tem duas equipes: a de pastoral e da área da medicina; imagina todo o
conjunto da área da Igreja. E, aqui, a Igreja do Sul poderia ser muito mais
solidária com a Amazônia em todos os sentidos, eu diria, do campo missionário,
da partilha de clero e de bens, da partilha de instrumentos e de expertise.
Acho que pensar uma Igreja de rosto Amazônico, é pensar em uma Igreja que vai
ter que sacudir o rosto do Sul. Eu tenho uma esperança enorme nessa
perspectiva, de que sejamos capazes de ouvir o espírito de um rosto amazônico
que vem ao encontro de uma grande conversão nossa do Sul para um novo olhar
sobre a dimensão da Igreja”, afirma Pe. Vislon. E Dom Bernardo finaliza:
“ Estamos aqui realmente diante de um milagre e, se Deus quiser,
vamos poder atender muita gente! Aqui, nós poderemos, de fato, colocar a
caridade em prática, indo ao encontro daqueles mais necessitados, dos pobre e
sem condições e que precisam de um tratamento melhor. ”
(vaticannews)
terça-feira, 9 de julho de 2019
O Tu a Deus
1 de Julho de 2019
Falando dos
Santos Pedro e Paulo, no sábado passado o Papa deu continuidade ao seu
trabalho, que já dura mais de seis anos, de apresentação do rosto de Jesus. De
resto, esta é a principal atividade do vigário de Cristo: representá-lo,
mostrar-nos a sua face. E sábado disse-nos que Cristo, ou seja, o Messias, «é
uma palavra que não indica o passado, mas o futuro: o Messias é o esperado, a
novidade, aquele que traz ao mundo a unção de Deus. Jesus não é o passado, mas
o presente e o futuro. Não é um personagem distante para lembrar, mas alguém a
quem Pedro trata por tu: Tu és Cristo. Para a testemunha, mais do que um
personagem da história, Jesus é a pessoa da vida: é o novo, não o já visto; a
novidade do futuro, não uma lembrança do passado. Por isso, não é testemunha
quem conhece a história de Jesus, mas quem vive uma história de amor com
Jesus». Tratar Deus por “tu”. É o sentido último do cristianismo. São Paulo
di-lo à sua maneira na carta aos Romanos: nós, homens, recebemos «o Espírito
que nos torna filhos adotivos, por meio do qual bradamos: “Abá, Pai!”»; pai,
mas seria melhor traduzir “papá”. Na audiência geral de 22 de maio, falando do
Pai-Nosso o Papa afirmou que a oração nasce da audácia de chamar Deus com o
nome de Pai: «Não se trata tanto de uma fórmula, quanto de uma intimidade
filial na qual somos introduzidos pela graça [...] Jesus é o revelador do Pai e
doa-nos a familiaridade com Ele». No Antigo Testamento os Hebreus não têm esta
audácia, o nome de Deus é sagrado, intangível e impronunciável, não obstante
haja várias antecipações desta intimidade, como por exemplo naquele adjetivo
possessivo que acompanha a primeira afirmação do Decálogo: “Eu sou o Senhor teu
Deus”.
Intimidade,
ternura, confiança. Três temáticas sobre as quais o Papa insiste frequentemente
na sua pregação, três caraterísticas do estilo de Francisco que cada evento
público, até quando está imerso na multidão, procura transformá-lo num face a
face, num encontro pessoal, direto, com um “tu” a fitar nos olhos. Então,
entende-se a insistência do Papa sobre a dimensão popular da fé, um fenómeno da
piedade popular, que na Itália muitas vezes revela como que uma esquizofrenia:
há quem rejeita tudo aquilo que parece demasiado “devocional” em nome de uma
abordagem intelectual da religião, “madura”, à religião, contudo interrompendo
todas as formas de vínculo e de dimensão comunitária, e privatizando a fé, e
quem, por outro lado, se imerge profundamente nesta dimensão popular, a ponto
de a transformar em ideologia, talvez em nome de um equivocado sentido da
identidade. Em síntese, precisamente como diz o Papa, há quem pensa que é
testemunha só porque «conhece a história de Jesus» (contudo sem viver «uma
história de amor com Jesus») e que, ao contrário, não conhece ou esqueceu a
essência daquela história e empunha-a contra alguém ou algo, como um talismã
que o possa tranquilizar dos receios verdadeiros ou presumíveis que o
angustiam. À evidente contradição desta última atitude, fez alusão no sábado o
próprio Papa antes do Angelus, afirmando que sem dúvida os católicos podem
dizer “a minha Igreja” mas «não o digamos com um sentido de pertença exclusivo,
mas com um amor inclusivo. Não para nos diferenciarmos dos outros, mas para
aprender a beleza de estar com os outros, porque Jesus nos quer unidos e
abertos. Com efeito, a Igreja não é “minha” porque corresponde ao meu eu, às
minhas vontades, mas para que eu derrame nela o meu afeto». O afeto é o ponto
nevrálgico, a chave: entre as duas posições opostas, no meio estão os cristãos
que, como Pedro e Paulo (e Francisco), se reconhecem pecadores e necessitados
de perdão para os quais, mais simplesmente, «Jesus é a pessoa da vida».
Andrea Monda
(osservatoreromano)
segunda-feira, 8 de julho de 2019
Papa: os migrantes são o símbolo de todos os descartados da sociedade globalizada
O Papa Francisco presidiu à celebração eucarística na Basílica
de São Pedro no sexto aniversário de sua visita à ilha italiana de Lampedusa -
sua primeira viagem como Pontífice.
Bianca Fraccalvieri – Cidade do Vaticano
“Os migrantes são hoje o
símbolo de todos os descartados da sociedade globalizada”: palavras do Papa
Francisco ao presidir na manhã desta segunda-feira (08/07), na Basílica
Vaticana, à celebração eucarística para recordar os seis anos de sua visita a
Lampedusa.
A ilha ao sul da Itália
foi a meta, exatamente em 08 de julho de 2013, da primeira viagem do Pontífice.
Naquele ano, os desembarques de migrantes eram quase diários. Meses depois, em
03 de outubro, ocorreria a maior tragédia registrada nas imediações: num
naufrágio de uma embarcação líbica, perderam a vida 368 pessoas.
"Penso nos últimos"
“Não se trata apenas de
migrantes, mas de pessoas humanas”, reforçou hoje o Papa em sua homilia na
missa celebrada para um restrito grupo de pessoas, cerca de 250, convidadas
pelo Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral.
Neste sexto aniversário
da visita a Lampedusa, disse Francisco, “penso nos ‘últimos’ que diariamente
clamam ao Senhor, pedindo para ser libertados dos males que os afligem”.
“ São os últimos enganados e abandonados a morrer no deserto;
são os últimos torturados, abusados e violentados nos campos de detenção; são
os últimos que desafiam as ondas de um mar impiedoso; são os últimos deixados
em acampamentos de acolhimento. ”
Estes são apenas alguns
dos últimos que Jesus nos pede para amar e levantar. Infelizmente, prosseguiu o
Papa, as periferias existenciais das cidades estão densamente povoadas de
pessoas que foram descartadas, marginalizadas, oprimidas, discriminadas,
abusadas, exploradas, abandonadas, de pessoas pobres e sofredoras.
Pessoas, não apenas migrantes
No espírito das
Bem-aventuranças, portanto, somos chamados a acudir misericordiosamente às suas
aflições; saciar a sua fome e sede de justiça; fazer-lhes sentir a solícita
paternidade de Deus.
“São pessoas; não se
trata apenas de questões sociais ou migratórias! ‘Não se trata apenas de
migrantes!’”, repetiu Francisco, que é o tema do 105º Dia Mundial do Migrante e
do Refugiado (DMMR), que será celebrado em 29 de setembro próximo. “Os
migrantes são, antes de mais nada, pessoas humanas e que, hoje, são o símbolo
de todos os descartados da sociedade globalizada.”
Neste contexto, o Papa
propôs a imagem da escada de Jacob, proposta na primeira leitura da liturgia de
hoje.
Em Jesus Cristo,
explicou, está assegurada e é acessível a todos a ligação entre a terra e o
Céu. Mas subir os degraus desta escada requer empenho, esforço e graça. Os mais
frágeis e vulneráveis devem ser ajudados.
“ Apraz-me pensar que poderíamos ser, nós, aqueles anjos que
sobem e descem, pegando ao colo os pequenos, os coxos, os doentes, os
excluídos: os últimos, que caso contrário ficariam para trás e veriam apenas as
misérias da terra, sem vislumbrar já desde agora algum clarão do Céu. ”
Trata-se de uma grande
responsabilidade, da qual ninguém se pode eximir, advertiu o Pontífice.
O Papa concluiu sua
homilia agradecendo aos migrantes que, mesmo recém-chegados à Itália, já ajudam
os “irmãos e irmãs” que chegaram depois. “Quero agradecer-lhes por este
estupendo sinal de humanidade, gratidão e solidariedade.”
(vaticannews)
domingo, 7 de julho de 2019
Papa no Angelus: a oração é realmente cristã se tiver dimensão universal
-->
Na manhã deste domingo (7), antes da Oração Mariana do Angelus,
o Papa comentou o Evangelho do dia e afirmou que a missão de todos nós é
baseada na oração, não limitada, porém, às nossas necessidades. A oração
precisa ser “itinerante, requer desapego e pobreza, leva a paz e cura; uma
oração que não é proselitismo, mas anúncio e testemunho”.
Andressa Collet – Cidade do Vaticano
O sol escaldante deu uma
trégua neste domingo (7) aos milhares de peregrinos que acompanharam a Oração
Mariana do Angelus com o Papa Francisco. Entre eles, na Praça São Pedro,
inclusive um grupo de 60 brasileiros.
Na reflexão do Pontífice
neste XIV Domingo do Tempo Comum, o Evangelho de São Lucas (Lc10,1-12.17-20),
que apresenta Jesus enviando seus 72 discípulos, além dos 12 apóstolos, para
pregar a Boa Nova. O Papa comentou que o número 72 indica provavelmente todas
as nações, representando “a missão da Igreja de anunciar o Evangelho a todas as
pessoas”. Àqueles discípulos, lembrou ainda Francisco, Jesus disse: “A messe é
grande, mas os trabalhadores são poucos! Rezem, então, ao Senhor da messe para
que mande trabalhadores na sua messe!”.
"Esse pedido de
Jesus é sempre válido. Sempre devemos rezar ao 'dono da messe', isto é, Deus
Pai, para que mande operários para trabalhar no seu campo que é o mundo. E,
cada um de nós, deve fazê-lo com o coração aberto, com uma atitude missionária;
a nossa oração não deve se limitar somente ao que precisamos, às nossas
necessidades: uma oração é realmente cristã se também tiver uma dimensão
universal."
A missão e a oração
Ao enviar os 72
discípulos, disse o Papa, Jesus deu instruções precisas que expressavam as
características da missão. Entre elas: rezar, ir ao encontro das pessoas e
levar a paz.
“ Esses imperativos mostram que a missão é baseada na oração;
que é itinerante; que requer desapego e pobreza; que leva paz e cura, sinais da
proximidade do Reino de Deus; que não é proselitismo, mas anúncio e testemunho;
e que também requer a franqueza e a liberdade evangélica de ir embora
demonstrando a responsabilidade de ter rejeitado a mensagem da salvação, mas
sem condenações e maldições. ”
A alegria, aquela que vem da missão
Se vivida nestes termos,
sublinhou o Papa Francisco, “a missão da Igreja será caracterizada pela
alegria” de ser discípulo, que não se trata de “alegria efêmera que vem do
sucesso da missão; ao contrário, é uma alegria enraizada na promessa que – diz
Jesus – ‘os vossos nomes estão escritos no céu’”.
“ Cada um de nós pode pensar no nome que recebeu no dia do
Batismo: esse nome está “escrito no céu”, no coração de Deus Pai. E é a alegria
desse dom que faz de cada discípulo um missionário, aquele que caminha em
companhia do Senhor Jesus, que aprende com Ele a se dedicar sem restrições
pelos outros, livre de si mesmo e dos próprios bens. ”
(vaticannews)
Subscrever:
Mensagens (Atom)

