domingo, 9 de novembro de 2025

Zaqueu Caminho Neocatecumenal com Cifras

Santa Missa, 9 de novembro de 2025 - Papa Leão XIV

 

SANTA MISSA NA SOLENIDADE DA DEDICAÇÃO DA BASÍLICA DE SÃO JOÃO DE LATRÃO

HOMILIA DO PAPA LEÃO XIV

Basílica de São João de Latrão
Domingo, 9 de novembro de 2025


Queridos irmãos e irmãs,

Celebramos hoje a solenidade da Dedicação da Basílica de Latrão – portanto, desta Basílica, Catedral de Roma –, que teve lugar no século IV por obra do Papa Silvestre I. A construção foi realizada por vontade do imperador Constantino, depois de ter concedido aos cristãos, no ano 313, a liberdade de professar a sua fé e de exercer o culto.

Lembramos este evento até ao dia de hoje. Porquê? Certamente para recordar, com alegria e gratidão, um acontecimento histórico muito importante para a vida da Igreja, mas não só. Com efeito, esta Basílica, “mãe de todas as igrejas”, é muito mais do que um monumento e uma memória histórica: é sinal da Igreja «de pedras vivas, edificada sobre o alicerce dos apóstolos, tendo Cristo Jesus como pedra angular» (Pontifical Romano. Dedicação da igreja e do altar), e como tal lembra-nos que também nós, formando um templo espiritual, «somos edificados cá na terra como pedras vivas (cf. 1 Pe 2, 5)» (Conc. Ecum. Vat. II, Const. Dogm. Lumen gentium, 6). Por esta razão, como observava São Paulo VI, surgiu desde muito cedo na comunidade cristã o uso de atribuir o «nome de Igreja, que significa a assembleia dos fiéis, ao templo que os reúne» (Angelus, 9 de novembro de 1969). É a comunidade eclesial, «a Igreja, sociedade dos crentes, [que] demonstra em Latrão a sua estrutura exterior mais sólida e evidente» (ibid.). Portanto, ao olharmos para este edifício, reflitamos com a ajuda da Palavra de Deus sobre o nosso ser Igreja.

Em primeiro lugar, podemos refletir sobre os seus alicerces. A sua importância é evidente, de tal forma que, em certos aspectos, chega a ser inquietante. Se quem a construiu não tivesse escavado bem fundo até encontrar uma base suficientemente sólida sobre a qual erguer tudo o resto, há muito que toda a construção teria ruído ou a qualquer momento correria o risco de ceder, de tal forma que também nós, estando aqui, nos exporíamos a sério perigo. Felizmente, aqueles que nos precederam deram à nossa Catedral bases sólidas, escavando em profundidade, com esforço, antes de começarem a erguer as paredes que nos acolhem, e isso faz-nos sentir muito mais tranquilos.

Contudo, isso também nos ajuda a refletir. De igual modo nós, operários da Igreja viva, antes de podermos erguer estruturas imponentes, devemos escavar em nós mesmos e à nossa volta, para eliminar todo o material instável que possa impedir-nos de alcançar a verdadeira rocha de Cristo (cf. Mt 7, 24-27). São Paulo fala-nos explicitamente disso na segunda leitura, quando diz que «ninguém pode pôr um alicerce diferente do que já foi posto: Jesus Cristo» (1 Cor 3, 11), o que significa voltar constantemente a Ele e ao seu Evangelho, dóceis à ação do Espírito Santo. Caso contrário, o risco seria sobrecarregar com estruturas pesadas um edifício com bases frágeis.

Por isso, queridos irmãos e irmãs, ao trabalharmos com todo o empenho ao serviço do Reino de Deus, não sejamos nem precipitados nem superficiais: escavemos em profundidade, livres dos critérios do mundo, que demasiadas vezes exige resultados imediatos, porque desconhece a sabedoria da espera. A história milenar da Igreja ensina-nos que só com humildade e paciência se pode construir, com a ajuda de Deus, uma verdadeira comunidade de fé, capaz de difundir a caridade, de favorecer a missão, de anunciar, celebrar e servir o Magistério apostólico, do qual este Templo é a primeira sede (cf. São Paulo VI, Angelus, 9 de novembro de 1969).

A tal respeito, é elucidativa a cena que nos é apresentada no Evangelho há pouco proclamado (Lc 19, 1-10): Zaqueu, homem rico e poderoso, sente a necessidade de encontrar Jesus. No entanto, percebe que é baixo demais para o poder ver e, por isso, trepa a uma árvore, num gesto invulgar e impróprio para uma pessoa do seu estrato social, habituada a receber o que queria de bandeja, no banco dos impostos, como um tributo devido. Porém, aqui, o caminho revela-se mais longo e subir aos ramos duma árvore significa para Zaqueu reconhecer os seus limites e superar os freios inibidores do orgulho. Desta forma, ele pode encontrar Jesus, que lhe diz: «Hoje tenho de ficar em tua casa» (v. 5). A partir daí, a partir deste encontro, começa para ele uma nova vida (cf. v. 8).

Jesus transforma-nos e convida-nos a trabalhar no grande estaleiro de Deus, moldando-nos sabiamente segundo os seus desígnios de salvação. Nos últimos anos, a imagem do «estaleiro» foi frequentemente utilizada para descrever o nosso caminho eclesial. É uma imagem bonita, que fala de atividade, criatividade, empenho, mas também de esforço, de problemas – por vezes, complexos – a resolver. Ela expressa o esforço real, palpável, com que as nossas comunidades crescem todos os dias, na partilha dos carismas e sob a orientação dos Pastores. Em particular, a Igreja de Roma é testemunha disso nesta fase da implementação do Sínodo, na qual o que amadureceu ao longo de anos de trabalho pede para passar através do confronto e da verificação “na prática”. Isto implica um caminho íngreme, mas não devemos desanimar. Pelo contrário, é bom continuar a trabalhar, com confiança, para crescermos juntos.

Na história do edifício majestoso em que nos encontramos, não faltaram momentos críticos, pausas, correções de projetos em andamento. No entanto, graças à tenacidade de quem nos precedeu, podemos reunir-nos neste lugar maravilhoso. Em Roma, ainda que com muito esforço, há um grande bem em crescimento. Para alimentar e renovar o nosso entusiasmo, não permitamos, pois, que o cansaço nos impeça de o reconhecer e celebrar. Afinal, a caridade vivida também molda o nosso rosto de Igreja, para que se manifeste cada vez mais claramente a todos que ela é «mãe», «mãe de todas as Igrejas», ou antes «mamã», como disse São João Paulo II ao falar às crianças, precisamente nesta festa (cf. Discurso pela ocasião da Dedicação da Basílica de Latrão, 9 de novembro de 1986).

Por fim, gostaria de mencionar um aspecto essencial da missão de uma Catedral: a liturgia. Ela é o «a meta para a qual se encaminha a ação da Igreja e a fonte de onde promana toda a sua força» (Conc. Ecum. Vat. II, Const. Sacrosanctum Concilium, 10). Nela, podemos encontrar todos os temas que mencionámos: somos edificados como templo de Deus, como sua morada no Espírito, e recebemos força para pregar Cristo no mundo (cf. ibid., 2). Por essa razão, o cuidado posto na celebração da liturgia, no lugar da Sé de Pedro, deve ser tal que possa servir de exemplo para todo o povo de Deus, no respeito pelas normas, na atenção às diversas sensibilidades de quem participa, segundo o princípio de uma sábia inculturação (cf. ibid. 37-38) e, ao mesmo tempo, na fidelidade ao estilo de solene sobriedade típico da tradição romana, que tanto bem pode fazer às almas de quantos nela participam ativamente (cf. ibid., 14). Preste-se muita atenção para que, aqui, a beleza simples dos ritos expresse o valor do culto em prol do crescimento harmonioso do inteiro Corpo do Senhor. Santo Agostinho dizia que «a beleza não é senão amor, e o amor é a vida» (Discurso 365, 1). A liturgia é um âmbito onde esta verdade se realiza de forma eminente; e desejo que quem se aproxima do Altar da Catedral de Roma possa depois partir cheio daquela graça com a qual o Senhor deseja inundar o mundo (cf. Ez 47, 1-2.8-9.12).

 

 

9 November, 2025 Angelus prayer- Pope Leo XIV

PAPA LEÃO XIV

ANGELUS

Praça de São Pedro
Domingo, 9 de novembro de 2025


Irmãos e irmãs, bom domingo!

Neste dia da Dedicação da Basílica de Latrão, contemplamos o mistério de unidade e comunhão com a Igreja de Roma, chamada a ser a mãe que cuida com solicitude da fé e do caminho dos cristãos espalhados pelo mundo.

A Catedral da Diocese de Roma e, como sabemos, sede do sucessor de Pedro não é apenas uma obra de extraordinário interesse histórico, artístico e religioso, mas representa o centro propulsor da fé, confiada e guardada pelos Apóstolos, e da sua transmissão ao longo da história. A grandeza deste mistério brilha também no esplendor artístico do edifício que, precisamente na nave central, acolhe doze grandes imagens dos Apóstolos, primeiros seguidores de Cristo e testemunhas do Evangelho.

Isto remete para uma visão espiritual, que nos ajuda a ir além da aparência exterior, compreendendo no mistério da Igreja muito mais do que um simples lugar, um espaço físico, uma construção feita de pedras; na verdade, como nos recorda o Evangelho, no episódio da purificação do Templo de Jerusalém, realizada por Jesus (cf. Jo 2, 13-22), o verdadeiro santuário de Deus é Cristo morto e ressuscitado. Ele é o único mediador da salvação, o único Redentor, Aquele que, unindo-se à nossa humanidade e transformando-nos com o seu amor, representa a porta (cf. Jo 10, 9) que se escancara para nós e nos conduz ao Pai.

Unidos a Ele, também nós somos pedras vivas deste edifício espiritual (cf. 1 Pe 2, 4-5). Somos a Igreja de Cristo, o seu corpo, os seus membros chamados a difundir no mundo o seu Evangelho de misericórdia, consolação e paz, através daquele culto espiritual que deve resplandecer em primeiro lugar no nosso testemunho de vida.

Irmãos e irmãs, é para este olhar espiritual que devemos treinar o nosso coração. Muitas vezes, as fragilidades e os erros dos cristãos, a par de tantos lugares-comuns e preconceitos, impedem-nos de compreender a riqueza do mistério da Igreja. Efetivamente, a sua santidade não reside nos nossos méritos, mas na «liberalidade da entrega do Senhor que nunca foi revogada» e que continua a escolher «como recetáculo da sua presença, num amor paradoxal, também e precisamente as mãos sujas dos homens» (J. Ratzinger, Introdução ao Cristianismo, Cascais 2005, 249-250).

Caminhemos, pois, na alegria de sermos o Povo santo que Deus escolheu e invoquemos Maria, Mãe da Igreja, para que nos ajude a acolher Cristo e nos acompanhe com a sua intercessão.

_____________

Depois do Angelus:

Queridos irmãos e irmãs!

Estou próximo das populações das Filipinas atingidas por um violento tufão: rezo pelos falecidos e seus familiares, pelos feridos e pelos desalojados.

Hoje, a Igreja na Itália celebra o Dia de Ação de Graças. Associo-me à mensagem dos Bispos, encorajando todos a cuidar com responsabilidade da terra, a combater o desperdício alimentar e a adotar práticas agrícolas sustentáveis. Agradeçamos a Deus pela «nossa irmã, a mãe terra» (São Francisco, Cântico das Criaturas) e por todos aqueles que a cultivam e cuidam dela!

Saúdo cordialmente cada um de vós, romanos e peregrinos vindos de Itália e de muitas partes do mundo, em particular os jovens jesuítas polacos, os fiéis vindos de Varsóvia e Gdansk, na Polónia, de Newark e Kearny, nos Estados Unidos da América, de Toledo e Galapagar, na Espanha, e de Londres, bem como o coro dos Regensburger Domspatzen.

Saúdo os membros da Ação Católica da Arquidiocese de Génova e os grupos paroquiais de Cava Manara, Mede, Vibo Marina, Sant’Arcangelo di Potenza, Noto, Pozzallo e Avola, Cesenatico, Mercato San Severino, Crespano del Grappa e Noventa Padovana. Saúdo o grupo das Manifestações Históricas da região do Lácio e os voluntários do Banco Alimentar, que estarão a recolher alimentos no próximo sábado, véspera do Dia Mundial dos Pobres.

Expresso o meu sincero apreço por quem, a todos os níveis, se está a empenhar na construção da paz nas diversas regiões marcadas pela guerra. Nos últimos dias, rezámos pelos defuntos e, entre eles, infelizmente, muitos foram mortos em combate e em bombardeamentos, apesar de serem civis: crianças, idosos e doentes. Se se quer realmente honrar a sua memória, que se instaure um cessar-fogo e se empreguem todos os esforços nas negociações.

Desejo a todos um bom domingo.

 

SANTO DO DIA - 09 DE NOVEMBRO: DEDICAÇÃO DA BASÍLICA DO LATRÃO

Laudes da Festa da Dedicação da Basílica do Latrão

sábado, 8 de novembro de 2025

Uma garota de repente toca a marcha turca extremamente rápida e todos os...

Missa desde a Basílica da Santíssima Trindade do Santuário de Fátima 08....

POR QUE OS CRISTÃOS INCOMODAM TANTO? | VILELA, PE. DOUGLAS E GUTO | SANT...

Il Papa: le nuove dipendenze sul web, sintomo di un decadimento sociale

 
 Leão XIV fala sobre novos vícios: pornografia e abuso da internet
 

O papa Leão XIV alertou sobre novos vícios dos tempos recentes, como jogos de azar compulsivos, apostas e pornografia, como consequências do uso excessivo da internet.

O papa fez esse alerta numa mensagem em vídeo aos participantes da VII Conferência Nacional sobre Dependências, promovida em Roma pela Presidência do Conselho de Ministros da Itália.

Em sua mensagem, Leão XIV disse que, nos últimos tempos, além de vícios como drogas e álcool, "surgiram novos modos, já que o uso crescente da internet, de computadores e de smartphones está associado não só a benefícios claros, mas também ao uso excessivo que frequentemente leva a dependências com consequências negativas para a saúde".

Essas dependências, disse o papa, estão relacionadas “ao jogo e às apostas compulsivas, à pornografia e à presença quase constante em plataformas digitais”.

“O objeto da dependência torna-se, assim, uma obsessão, condicionando o comportamento e a vida diária”, disse Leão XIV.

Ele disse que esses fenômenos são "sintoma de um mal-estar mental ou interior da pessoa e de um declínio social em valores e modelos positivos, especialmente entre adolescentes e jovens".

Nesse contexto, o papa disse que a juventude “é uma fase de provações e questionamentos, de busca por sentido na existência”, por vezes marcada pelo uso de drogas, pela busca de dinheiro fácil em máquinas caça-níqueis ou pelo vício em internet, o que demonstra “que vivemos num mundo sem esperança, onde faltam propostas humanas e espirituais sólidas”.

Leão XIV lamentou que muitos jovens "pensem que todos os comportamentos são equivalentes, pois não conseguem distinguir o bem do mal e carecem de senso de limites morais".

O papa exortou a todos a valorizar e incentivar “os esforços dos pais e de várias entidades educativas — como escolas, paróquias e oratórios — que visam inspirar valores espirituais e morais nas novas gerações, para que elas possam agir como pessoas responsáveis”.

Ele disse que os jovens “precisam formar sua consciência, desenvolver sua vida interior e estabelecer relações positivas com seus pares, assim como um diálogo construtivo com os adultos, a fim de se tornarem arquitetos livres e responsáveis ​​de sua própria existência”.

Em seguida, o papa fez um apelo contundente às instituições, à Igreja e a toda a sociedade: “Para que percebam nesses jovens um pedido de ajuda e uma profunda sede de vida, para que ofereçam uma presença atenta e solidária que os convide a um esforço intelectual e moral, e que os ajude a forjar a sua vontade”.

Assim, ele exortou a um compromisso com esforços de prevenção, “que se traduzem na intervenção de toda a comunidade”. Leão XIV falou sobre a necessidade urgente, no âmbito de uma política de prevenção do sofrimento juvenil, de fortalecer “a autoestima das novas gerações, a fim de combater os sentimentos de insegurança e instabilidade emocional causados ​​tanto pelas pressões sociais quanto pela própria natureza da adolescência”.

Por fim, o papa incentivou a formulação de “propostas concretas destinadas a promover uma cultura de solidariedade e subsidiariedade: uma cultura que se opõe ao egoísmo e às lógicas utilitaristas e econômicas, e que se abre ao outro, escutando, num caminho de encontro e relacionamento com o próximo, especialmente quando o outro é mais vulnerável e frágil”.

(acidigital)

Papa a religiosos: nos cargos haja alternância e nos irmãos se alimente a esperança

O Santo Padre recebeu em audiência esta sexta-feira (07/11) os participantes da 65ª Assembleia Geral da Conferência Italiana dos Superiores Maiores (CISM) e destacou que o “ministério da autoridade” deve ter como objetivo apoiar o apostolado dos coirmãos por meio do “discernimento eclesial, do cuidado com os processos decisórios, do compromisso de prestar contas do próprio trabalho e avaliar seus resultados e modalidades”. Evitar “estaticismos que correm o risco de favorecer rigidez e esclerose”

Vatican News

As famílias religiosas são exemplos de “vida sinodal”, que “ao longo dos séculos” amadureceram práticas de “discernimento comunitário, aprendendo a harmonizar os dons individuais e a missão comum”, e nas quais emerge cada vez mais “o valor da interculturalidade”. Recursos que são “fruto de uma dinâmica de vida e de fé que precisa continuamente evoluir, crescer, desenvolver-se e expressar-se”. Foi o que ressaltou Leão XIV aos participantes da 65ª Assembleia Geral da Conferência Italiana dos Superiores Maiores (CISM), realizada em Assis de 3 a 6 de novembro sobre o tema “Governar a Esperança. Formas e estilos de governo das Províncias em uma Igreja sinodal”, recebidos em audiência pelo Pontífice esta sexta-feira (07/11) na Sala Clementina do Palácio Apostólico, no Vaticano.

As diretrizes oferecidas pelo Sínodo

O Papa definiu esses recursos como um “patrimônio” a ser cuidado e acrescentou que uma contribuição “determinante” nesse sentido é a do “ministério da autoridade, com formas e estilos de ‘governo’ adequados para suscitar esperança no caminho dos irmãos, apoiando seu apostolado generoso e proveitoso”. As “diretrizes” podem ser extraídas do Documento final do Sínodo, indicou Leão XIV, explicando que há três “atitudes importantes” a serem deduzidas: “o discernimento eclesial, o cuidado com os processos decisórios, o compromisso de prestar contas do próprio trabalho e avaliar seus resultados e modalidades”. Para o Pontífice, trata-se de “processos interligados, que se sustentam e corrigem mutuamente”.

A fidelidade à Igreja orienta e ilumina o envolvimento dos irmãos e alimenta a sua corresponsabilidade, garantindo a transparência e facilitando aquela abertura recíproca que, por si só, pode favorecer a cooperação de todos. Além disso, o confronto sincero, a partilha e a correção fraterna podem ajudar muito a evitar e combater eventuais derivas particularistas e autorreferenciais.

Leão XIV na audiência com os participantes da Assembleia Geral da Conferência Italiana dos Superiores Maiores (Vatican Media)
Leão XIV na audiência com os participantes da Assembleia Geral da Conferência Italiana dos Superiores Maiores (Vatican Media)   (@Vatican Media)

Alternância de responsabilidades e funções

O caminho dos consagrados chamados a viver juntos é “um caminho de purificação” que deve “tornar os indivíduos e as comunidades cada vez mais livres no bem, tanto no nível do crescimento pessoal quanto no exercício da caridade”. Tudo isso, acrescentou o Papa, também para uma “renovada fidelidade carismática, que exige um contínuo despojamento de estruturas e apegos não essenciais, ou mesmo prejudiciais a uma plena atualização, no hoje, da missão original inspirada pelos fundadores”.

Gostaria de lembrar, em particular, a importância de incentivar, nas formas de governo, uma alternância proveitosa nas responsabilidades e nos cargos, evitando estaticismos que correm o risco de favorecer rigidez e esclerose. O Papa Francisco, a esse respeito, nos alertou várias vezes sobre o perigo das “águas estagnadas”.

O desejo de Santo Agostinho

E, por fim, para ressaltar a “dimensão sinodal da responsabilidade”, o Bispo de Roma convidou a refletir sobre o motivo pelo qual Santo Agostinho – como se lê em seus Solilóquios – desejava viver junto com outros irmãos: “interpelar em colaboração harmoniosa sobre nossa alma e sobre Deus. Assim, aquele que por primeiro resolver o problema, induzirá sem esforço os outros ao mesmo resultado”.

Leão XIV na audiência com os participantes da Assembleia Geral da Conferência Italiana dos Superiores Maiores (Vatican Media)
Leão XIV na audiência com os participantes da Assembleia Geral da Conferência Italiana dos Superiores Maiores (Vatican Media)   (@Vatican Media)

 

NINGUÉM PODE SERVIR A DOIS SENHORES - Caminho Neocatecumenal #amazonia

Como administrar seu dinheiro (Lc 16,9-15) Palavra de Deus | Irmã Maria ...

SANTO DO DIA - 08 DE NOVEMBRO: SANTO ADEODATO I

Liturgia das Horas: Laudes (3ªss.sab) 08/11/25

sexta-feira, 7 de novembro de 2025

“Luz da luz”: uma mostra sobre Niceia, 1.700 anos depois do concílio

Apresentada na quinta-feira na Sala Marconi do Dicastério para a Comunicação, a exposição que foi criada por ocasião das comemorações do Concílio de Niceia. Aberta durante o Meeting de Rimini, a mostra segue seu percurso com etapas em Roma e Istambul, onde será visitada pelo Papa durante a sua primeira Viagem Apostólica à Turquia.

Silvia Guidi - Cidade do Vaticano

Uma mostra que se tornou muitas coisas: uma ocasião, muito concreta, de diálogo entre mundos diferentes, uma chave de interpretação original para falar de um tema difícil e, aparentemente, destinado apenas para aqueles que trabalham com teologia, como o Mistério da Trindade. É também uma maneira de entender o que é um concílio e para que ele serve. Uma oficina educativa permanente em que, por vezes, os papéis de professor e aluno se invertem e os estudantes ensinam e explicam aos visitantes os painéis da exposição. 

Mas também é uma oportunidade para descobrir os motivos históricos que causaram a difusão das igrejas com a planta basilical (e não com a planta central, como nos primeiros anos do cristianismo). 

Até mesmo um Vade Mecum – o catálago, editado pela Edizioni Ares de Milão (136 páginas, 15 euros) – ajudará os jornalistas a acompanhar e entender melhor a viagem do Papa Leão XIV à Turquia, de 27 a 30 de novembro próximo. “Luz da Luz. Niceia, 1.700 anos depois”, foi exposta em agosto passado no Encontro pela Amizade entre os Povos. 

Uma mostra itinerante 

A mesma mostra, visitada em Rimini pelo Patriarca de Constantinopla, Sua Santidade Bartolomeu, será exposta – traduzida em inglês e turco – no pátio da Catedral Católica de Instambul e também receberá o Papa, em uma troca ideal com forte valor simbólico. 

A gênese e os muitos desdobramentos inesperados e imprevisíveis deste projeto foram discutidos na quinta-feira, 6 de novembro, na Sala Marconi do Pallazo Pio, durante uma coletiva de imprensa. Na ocasião, foi anunciada a chegada da exposição itinerante em Roma, onde ficará aberta à visitação de 7 a 13 de novembro, na Pontifícia Universidade de Santa Cruz. 

Um mergulho em uma página da história aparentemente muito distante, mas, na realidade, percorrida por perguntas que são idênticas às nossas. E uma resposta clara e atualizada fruto de uma década de estudos para os questionamentos: “O que é a heresia ariana? E porque é importante conhecê-la?”. 

O lugar das perguntas 

“Depois de um ano de trabalho conjunto, estamos na primeira apresentação desta mostra itinerante que continua a gerar e a florir uma consciência que nós mesmos precisamos, antes de tudo. É necessário que façamos a experiência de qual é a verdadeira necessidade do homem, encontrar uma paternidade que dê sabor e frescor a cada instante da vida. A exposição do Meeting, um protótipo de basílica, também impressionou os carpinteiros que o estavam construindo, por causa de sua beleza. Mas estávamos conscientes de que não é fácil explicar o Concílio de Niceia em um mundo onde as crianças não sabem mais o Pai Nosso. O objetivo do Meeting é suscitar perguntas. Depois de 250 visitas guiadas, dez mil presentes, filas longuíssimas para conseguir entrar, podemos dizer que conseguimos”, disse Alessandra Vitez, responsável pela Mostra Meeting de Rimini e palestrante do encontro. Prova de que, em todas as épocas, o homem tem uma profunda necessidade de algo verdadeiro. 

A universidade e o mundo 

Pensar em Deus equivale a pensar na humanidade, escreve Rowan Williams, arcebispo emérito de Cantuária, no último capítulo do catálogo, porque falsas interpretações de Deus produzem falsas interpretações do homem. A heresia, contudo, também é um tijolo que contribuiu para construir a história. Tudo é útil porque se pode descobrir um pedaço da das estrada verdadeira, enfatizaram os palestrantes que participaram do encontro. Fenarndo Puig, reitor da Pontifícia Universidade de Santa Cruz, evidenciou a importância da terceira missão de toda universidade (e de uma comunicação por osmose permanente com o mundo externo). Entre os curadores do projeto, estavam presentes também o padre Giulio Maspero (decano da Faculdade de Teologia – Pontifícia Universidade de Santa Cruz) e Ilaria Vigorelli, (diretora do Centro Ror -Centro de Pesquisa de Ontologia Relacional).

“Aos meus estudantes, gostaria sempre que esse conceito fosse claro: não estão aqui para estudar coisas entediosas para se tornarem padres, mas para descobrir que evangelizar é a coisa mais interessante do mundo”, reiterou Puig. “Essa exposição trabalha ativamente para aumentar essa conscientização.” 

Um Deus que gera 

Os curadores assumiram o desafio de mostrar como hoje todos nos sentimos errados, incapazes e insuficientes, também porque a verdade de que o Deus de Jesus Cristo é trinitário está na sombra do nosso contexto cultural. Estamos todos reféns, uns mais outros menos, de “uma lógica do desempenho”, uma tensão contínua para tornarmos os primeiros da classe e alcançar o resultado, na qual o papel de Jesus é apenas funcional. Mas, diante da conversão do bom ladrão, deveríamos entender que a salvação vem do simples fato de reconhecer que Jesus é Deus. 

O cerne daquilo que a exposição pretende apresentar é que, em Niceia, a Igreja conseguiu dizer a si mesma e ao mundo que Deus “é” Pai e não só “age” como Pai, acrescentaram Vigorelli e Maspero. Ou seja, significa que Ele só sabe gerar e regenerar, portanto, sempre perdoar e acolher. E isso, depois do assassinato simbólico de Deus e do Pai pela modernidade, é uma verdade que a era pós-moderna precisa precisa ouvir de novo, profundamente.