domingo, 9 de outubro de 2022
Igreja no Brasil celebra Nossa Senhora de Nazaré, a Rainha da Amazônia
REDAÇÃO CENTRAL, 09 Out. 22 / 05:00 am (ACI).- Hoje, segundo domingo de outubro, a Igreja no Brasil celebra a maior devoção mariana do Norte do país, Nossa Senhora de Nazaré, chamada carinhosamente pelos fiéis de Rainha da Amazônia.
Para a comemoração da data, em Belém (PA) é realizada uma das maiores procissões católicas do mundo, o Círio de Nazaré, que chega a reunir cerca de 2 milhões de romeiros em uma caminhada de fé de 3,6 quilômetros. Este ano, porém, devido à pandemia de coronavírus, a programação teve que ser adaptada e não haverá a tradicional procissão.
A devoção a Nossa Senhora de Nazaré teve início em Portugal. A imagem original da Virgem pertencia ao Mosteiro de Caulina, na Espanha, e teria saído da cidade de Nazaré, em Israel, no ano de 361. Acredita-se que a imagem foi esculpida pelo próprio são José.
Por causa de uma batalha, a imagem foi levada para Portugal, onde, por muito tempo, ficou escondida no Pico de São Bartolomeu. Só em 1119, foi encontrada e a notícia se espalhou, levando muitas pessoas a venerarem a santa. Desde então, muitos milagres foram atribuídos a ela.
No Brasil, uma pequena imagem da Senhora de Nazaré foi encontrada em 1700, na cidade de Belém (PA), pelo caboclo Plácido José de Souza, às margens do igarapé Murutucú, onde hoje se encontra a Basílica Santuário.
Plácido teria levado a imagem para a sua choupana e, no dia seguinte, ela não estava mais lá. Correu ao local do encontro e lá estava a “Santinha”. O fato teria se repetido várias vezes até a imagem ser enviada ao Palácio do Governo. No local onde a estátua foi achada, Plácido construiu uma pequena capela.
Em 1792, a Santa Sé autorizou a realização de uma procissão em homenagem à Virgem de Nazaré, na capital paraense. Organizado pelo presidente da Província do Pará, capitão-mor dom Francisco de Souza Coutinho, o primeiro Círio foi realizado no dia 8 de setembro de 1793. No início, não havia data fixa para o Círio, que poderia ocorrer nos meses de setembro, outubro ou novembro.
A partir de 1901, por determinação do bispo dom Francisco do Rêgo Maia, a procissão passou a ser realizada sempre no segundo domingo de outubro. Tradicionalmente, a imagem é levada da catedral de Belém à basílica santuário.
Hoje, o Círio de Nazaré vai além da procissão principal do segundo domingo de outubro, contando com uma programação que se estende por vários dias, incluindo missas, momentos de adoração e procissões.
Por sua grandiosidade, o Círio de Nazaré foi registrado, em setembro de 2004, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial.
(acidigital)
quinta-feira, 6 de outubro de 2022
Hoje é celebrado são Bruno de Colônia, fundador da Ordem dos Cartuxos
REDAÇÃO CENTRAL, 06 Out. 22 / 05:00 am (ACI).- Hoje, 6 de outubro, a Igreja celebra são Bruno de Colônia, fundador em 1084 da Ordem dos Cartuxos. O sábio e devoto cardeal Giovanni Bona (século XVII), falando dos monges cartuxos, disse: "o grande milagre do mundo: vivem no mundo como se estivessem fora dele; são anjos na terra, como João, o Batista no deserto".
São Bruno nasceu em Colônia, então parte do Sacro Império Romano. Foi professor de filosofia e teologia na escola de Reims, França, onde lecionou por 18 anos, ficando conhecido por ter contribuído para o prestígio acadêmico daquela casa de estudos. Mais tarde tornou-se chanceler da diocese, nomeado pelo arcebispo Manassés.
A Igreja considera a vida dos cartuxos como paradigma do estado de contemplação e penitência. No entanto, quando os primeiros monges se estabeleceram em Chartreuse, não havia nenhuma intenção de fundar uma ordem religiosa. A fundação aconteceu pelo fervor e dedicação de seus membros, que suscitou o apoio do Delfim da França e da Igreja, que acabou fazendo um convite para se instituir. O conde Rogelio, irmão do duque da Apúlia e da Calábria, Roberto Guiscardo, deu a são Bruno o fértil vale de La Torre, na diocese de Squillace. O santo instalou-se ali com alguns discípulos.
Deus despertou em são Bruno o desejo de uma vida eremita. É verdade que em seu itinerário espiritual ele se aproximou da forma cenobítica do monaquismo - monges isolados do mundo, mas que compartilhavam uma vida em comum -; no entanto, ele finalmente optou pela vida em completa solidão, sozinho com Deus.
O santo morreu no domingo, 6 de outubro de 1101. Depois disso, os monges enviaram um relato de sua morte às principais igrejas e mosteiros da Itália, França, Alemanha, Inglaterra e Irlanda, pois era então costume pedir orações pelas almas dos mortos. Esse documento, juntamente com a Elogia (Elogio aos defuntos) escrita pelos 178 monges que receberam o relato de sua morte, é um dos mais completos e valiosos que existem e confirma a vida exemplar do santo.
São Bruno não foi formalmente canonizado, pois os cartuxos geralmente evitam manifestações públicas. No entanto, em 1514 obtiveram permissão do papa Leão X para celebrar a festa de seu fundador, e Clemente X estendeu-a a toda a Igreja Ocidental em 1674. O santo é particularmente popular na Calábria, e o culto que lhe é prestado reflete em certa forma o duplo aspecto ativo e contemplativo de sua vida.
(acidigital)
quarta-feira, 5 de outubro de 2022
Implantação da República foi há 112 anos. A cerimónia volta à rua
Depois de dois anos com a cerimónia comemorativa da Implantação da República a ser assinalada no interior do edifício da Câmara de Lisboa, por causa da pandemia, os 112 anos da República vão ser hoje celebrados ao ar livre, na Praça do Município. A cerimónica começa às 12h10
Depois de dois anos com a cerimónia comemorativa da Implantação da República a ser assinalada no interior do edifício da Câmara de Lisboa, por causa da pandemia, os 112 anos da República vão ser hoje celebrados ao ar livre, na Praça do Município, junto da população que quiser assistir à cerimónia, que começa às 12:10, com o hastear da Bandeira Nacional
Este 05 de Outubro será o primeiro com Carlos Moedas nas funções de presidente da Câmara Municipal de Lisboa -- há um ano era presidente eleito, mas ainda não tinha tomado posse, e quem discursou foi o cessante Fernando Medina -- e num quadro de maioria absoluta do PS, resultante das eleições legislativas de 30 de janeiro deste ano.
O Presidente da República, que irá discursar, tem aproveitado esta data histórica para se dirigir aos políticos, com alertas sobre a saúde da democracia. No plano interno, o chefe de Estado tem alertado para as dificuldades que os portugueses poderão enfrentar no próximo ano e apelado à divulgação pelo Governo do cenário macroeconómico que irá acompanhar a proposta de Orçamento do Estado para 2023, a apresentar dentro de cinco dias.
Em 2021, Marcelo Rebelo de Sousa defendeu que se deve fazer do 05 de Outubro "uma data viva" e pediu um país "mais inclusivo", que entre a tempo no "novo ciclo da criação de riqueza".
Depois da cerimónia nos Paços do Concelho, Marcelo Rebelo de Sousa irá para o Palácio de Belém, cujos jardins estão abertos ao público entre as 10:00 e as 18:00, tal como o Museu da Presidência, para assinalar os 112 anos da República.
O primeiro-ministro, António Costa, também marcará presença na Praça do Município e segue para o jardim do Palacete de São Bento, para inaugurar uma exposição de arte contemporânea portuguesa, com uma seleção de 15 artistas.
Também a Assembleia da República vai estar de portas abertas, entre as 15:00 e as 18:00 para comemorar a revolução republicana de 1910.
Na quarta-feira à tarde, quem visitar o parlamento poderá ver o original da Constituição de 1911, da I República, assim como as propostas que nesse período da história nacional foram apresentadas para o busto da República.
As maquetas do concurso aberto na época para a estátua da República do hemiciclo vão estar expostas nos corredores do parlamento e, às 18:00, na Sala do Senado, uma formação da Orquestra Sinfónica do Algarve dará um concerto, com entrada livre.
(J. Expresso)
AUDIÊNCIA GERAL (Texto)
PAPA FRANCISCO
AUDIÊNCIA GERAL
Praça São Pedro
Quarta-feira,, 5 de outubro de 2022
Catequeses sobre o discernimento 4. Os elementos do discernimento. Conhecer-se a si mesmo.
Prezados irmãos e irmãs, bom dia!
Continuamos a abordar o tema do discernimento. Na semana passada considerámos como seu elemento indispensável o da oração, entendida como familiaridade e confidência com Deus. Oração, não como os papagaios, mas como familiaridade e confidência com Deus; oração dos filhos ao Pai; oração com o coração aberto. Vimos isto na última Catequese. Hoje gostaria de salientar, de maneira quase complementar, que o bom discernimento exige também o conhecimento de si. Conhecer a si mesmo. E isto não é fácil. Com efeito, o discernimento envolve as nossas faculdades humanas: a memória, o intelecto, a vontade, os afetos. Muitas vezes não sabemos discernir porque não nos conhecemos de modo suficiente, e assim não sabemos o que realmente queremos. Ouvistes muitas vezes: “Mas aquela pessoa, por que não se ocupa da sua vida? Nunca soube o que quer…”. Sem chegar àquele extremo, mas também a nós acontece que não sabemos bem o que queremos, não nos conhecemos bem.
Na base de dúvidas espirituais e crises vocacionais encontra-se não raro um diálogo insuficiente entre a vida religiosa e a nossa dimensão humana, cognitiva e afetiva. Um autor de espiritualidade observava que muitas dificuldades a respeito do tema do discernimento remetem para problemas de outro tipo, que devem ser reconhecidos e explorados. Assim escreve este autor: «Cheguei à convicção de que o maior obstáculo para o verdadeiro discernimento (e para o verdadeiro crescimento na oração) não é a natureza intangível de Deus, mas a constatação de que não nos conhecemos suficientemente a nós próprios, e de que nem sequer queremos conhecer-nos como verdadeiramente somos. Quase todos nos escondemos por detrás de uma máscara, não só perante os outros, mas também quando nos olhamos ao espelho» (Th. Green, Il grano e la zizzania, Roma, 1992, 25). Todos temos a tentação de usar máscaras inclusive diante de nós mesmos.
O esquecimento da presença de Deus na nossa vida anda de mãos dadas com a ignorância sobre nós mesmos – ignorar Deus e ignorar-nos – ignorância sobre as caraterísticas da nossa personalidade e sobre os nossos desejos mais profundos.
Conhecer-se a si próprio não é difícil, mas é cansativo: exige um paciente trabalho de escavação interior. Requer a capacidade de parar, de “desativar o piloto automático”, de tomar consciência da nossa maneira de agir, dos sentimentos que nos habitam, dos pensamentos recorrentes que nos condicionam, e muitas vezes sem que saibamos. Exige também que se distinga entre as emoções e as faculdades espirituais. “Sinto” não é a mesma coisa que “estou convencido”; “apetece-me” não é a mesma coisa que “desejo”. Assim chegamos a reconhecer que a visão que temos de nós próprios e da realidade é às vezes um pouco deturpada. Compreender isto é uma graça! Com efeito, muitas vezes pode acontecer que convicções erradas sobre a realidade, baseadas nas experiências do passado, nos influenciem fortemente, limitando a nossa liberdade de apostar naquilo que realmente conta na nossa vida.
Vivendo na era da informática, sabemos como é importante conhecer as passwords para poder entrar nos programas em que se encontram as informações mais pessoais e preciosas. Mas até a vida espiritual tem as suas “passwords”: há palavras que tocam o coração, porque remetem para aquilo a que somos mais sensíveis. O tentador, isto é o diabo, conhece bem estas palavras-chave, e é importante que também nós as conheçamos, para não nos encontrarmos onde não gostaríamos. A tentação não sugere necessariamente coisas más, mas muitas vezes coisas desordenadas, apresentadas com importância excessiva. Deste modo, hipnotiza-nos com a atratividade que tais coisas suscitam em nós, coisas bonitas, mas ilusórias, que não podem cumprir o que prometem, e assim no final deixam-nos uma sensação de vazio e de tristeza. Aquela sensação de vazio e tristeza é um sinal de que empreendemos uma estrada que não era correta, que nos desorientou. Por exemplo, podem ser o título de estudos, a carreira, os relacionamentos, tudo em si louvável, mas em reação ao que, se não formos livres, corremos o risco de alimentar expetativas irreais, como por exemplo a confirmação do nosso valor. Por exemplo, tu quando pensas num estudo que estás a fazer, pensas nele apenas para te promover a ti mesmo, para o teu interesse, ou também para servir a comunidade? Nisto pode-se ver qual é a intencionalidade de cada um de nós. Deste mal-entendido derivam com frequência os maiores sofrimentos, dado que nada disto pode ser a garantia da nossa dignidade.
Por isso, estimados irmãos e irmãs, é importante conhecer-se, conhecer as passwords do nosso coração, aquilo a que somos mais sensíveis, para nos protegermos de quem se apresenta com palavras persuasivas para nos manipular, mas também para reconhecer o que é realmente importante para nós, distinguindo-o das modas do momento ou de slogans vistosos e superficiais. Muitas vezes o que se diz num programa de televisão, nalguma publicidade que se faz, comove-nos o coração e faz-nos ir numa direção sem liberdade. Estai atentos a isto: sou livre ou deixo-me influenciar pelos sentimentos do momento, ou pelas provocações do momento?
Uma ajuda para isso é o exame de consciência, mas não falo do exame de consciência que todos fazemos quando vamos à confissão, não. Isto é: “Mas cometi este pecado, aquile…”. Não. Exame de consciência geral do dia: o que aconteceu no meu coração neste dia? “Aconteceram muitas coisas…”. Quais? Porquê? Quais traços deixaram no coração? Fazer exame de consciência, ou seja, o bom hábito de reler com calma o que acontece no nosso dia, aprendendo a observar nas avaliações e escolhas aquilo a que damos mais importância, o que procuramos e porquê, e o que afinal encontramos. Aprendendo sobretudo a reconhecer o que sacia o meu coração. Pois somente o Senhor nos pode dar a confirmação de quanto valemos. Diz-nos isto todos os dias da cruz: morreu por nós, para nos mostrar quão preciosos somos aos seus olhos. Não há obstáculo nem fracasso que possa impedir o seu terno abraço. O exame de consciência ajuda muito, pois assim vemos que o nosso coração não é uma estrada onde acontece de tudo sem que nós o saibamos. Não. Ver: o que ocorreu hoje? O que aconteceu? O que me fez reagir? O que me entristeceu? O que me alegrou? O que foi desagradável e se pratiquei algum mal aos outros. Trata-se de ver o percurso dos sentimentos, das atrações no meu coração durante o dia. Não vos esqueçais! Na semana passada falámos sobre a oração; hoje falámos da consciência de si mesmo.
A oração e o conhecimento de nós mesmos permitem-nos crescer na liberdade. Eis, é para crescer na liberdade! São elementos básicos da existência cristã, elementos preciosos para encontrar o próprio lugar na vida. Obrigado.
Saudações:
Queridos peregrinos de língua portuguesa, sede bem-vindos! Saúdo-vos a todos, nomeadamente os grupos brasileiros de Goiânia e da arquidiocese de São Paulo, bem como os fiéis portugueses de Alcanena e da paróquia de São Paulo em Setúbal, convidando-vos a pedir ao Senhor uma fé grande para verdes a realidade com o olhar de Deus, e uma grande caridade para vos aproximardes das pessoas com o seu coração misericordioso. Confiai em Deus, como a Virgem Maria! Sobre vós e vossas famílias, desça a bênção do Senhor.
Resumo da catequese do Santo Padre:
Para um bom discernimento, além da oração (vivida em familiaridade e confidência com Deus), requer-se o conhecimento de nós mesmos e dos nossos desejos mais profundos. Isto só se consegue com um paciente trabalho de introspeção, para tomarmos consciência do nosso modo de agir, dos sentimentos que nos animam, dos pensamentos que frequentemente nos condicionam, mesmo sem nos darmos conta. Precisamos de aprender a distinguir entre emoções e impulsos da alma; por exemplo: «ouço» não é o mesmo que «estou convencido», como não o é «apetece-me» e «quero». O problema é que não nos conhecemos suficientemente e, assim, não sabemos aquilo que verdadeiramente queremos. Para superar tal ignorância é de grande ajuda o exame de consciência, ou seja, aquele hábito bom de repassar, calmamente, aquilo que fizemos durante o dia, aprendendo a notar, nas avaliações e nas decisões, aquilo a que demos maior importância, o que procuramos conseguir e porquê, e qual foi o resultado; aprendendo sobretudo a reconhecer aquilo que sacia o nosso coração. Pois o tentador nem sempre nos sugere coisas más, mas apresenta-no-las com uma importância excessiva, hipnotizando-nos com o fascínio que as mesmas exercem sobre nós: são coisas belas mas ilusórias, que no fim nos deixam um sentimento de vazio e tristeza. Só o Senhor é que nos pode confirmar na avaliação justa que fazemos das coisas. Fixemo-Lo na cruz; lá morreu Ele por nós, para nos mostrar quão preciosos somos a seus olhos. Não há obstáculo nem falimento que possam impedir o seu terno abraço.
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