quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Papa Francisco - Audiência Geral 2019-09-18

A oração do Papa aos doentes de Alzheimer


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Audiência Geral 
“Rezemos pela conversão dos corações e por quem sofre com o Alzheimer, por suas famílias e por aqueles que cuidam dos doentes", afirmou o Papa ao final da Audiência Geral.

Bianca Fraccalvieri – Cidade do Vaticano

Ao final da Audiência Geral desta quarta-feira (18/09), o Papa Francisco recordou que em 21 de setembro celebra-se o Dia Mundial do Alzheimer.

Esta doença, afirmou o Papa, atinge inúmeros homens e mulheres, os quais com frequência são vítimas de violência, maus-tratos e abusos que espezinham a sua dignidade.

“ Rezemos pela conversão dos corações e por quem sofre com o Alzheimer, por suas famílias e por aqueles que cuidam dos doentes. ”

A esta oração, Francisco incluiu também quem sofre de patologias tumorais, para que sejam também eles amparados, seja na prevenção, seja no tratamento desta doença.

Memória

No Dia Mundial da Doença de Alzheimer, a ‘Alzheimer’s Disease International’ (ADI) vai lançar um relatório mundial que aborda as atitudes globais em relação à demência, com base numa pesquisa com quase 70 mil pessoas em 155 países.

A síndrome afeta a memória, outras capacidades cognitivas e comportamentos que interferem significativamente na capacidade de uma pessoa em manter as suas atividades diárias.

Segundo a ADI, as mortes devido à demência mais do que duplicaram entre os anos 2000 e 2016, tornando-a a quinta principal causa de morte global em 2016; estima-se que o número de pessoas que vivem com demência passará dos 50 milhões atuais para 152 milhões em 2050.

(vaticannews)

terça-feira, 17 de setembro de 2019

A compaixão é a linguagem de Deus e nos salva da indiferença, afirma o Papa



Se a compaixão é a linguagem de Deus, muitas vezes a indiferença é a linguagem humana, disse o Papa Francisco ao celebrar a missa na capela da Casa Santa Marta.

Debora Donnini – Cidade do Vaticano

Abrir o coração à compaixão e não fechar-se na indiferença. Este foi o convite que o Papa Francisco fez esta manhã (17/09) ao celebrar a missa na Casa Santa Marta. A compaixão, de fato, nos leva para o caminho da verdadeira justiça”, salvando-nos assim do fechamento em nós mesmos.

Sentiu compaixão

Toda a reflexão foi feita a partir do trecho do Evangelho de Lucas da liturgia de hoje (Lc 7,11-17), em que é narrado o encontro de Jesus com a viúva de Naim, que chora a morte do seu único filho, enquanto é levado ao túmulo.

O evangelista diz que Jesus “sentiu compaixão para com ela”, como se fosse “foi vítima da compaixão”, explicou o Papa. Havia muita gente que acompanhava aquela mulher, mas Jesus viu a sua realidade: ficou sozinha hoje e até o final da vida, é viúva, perdeu o único filho. É propriamente a compaixão que faz compreender profundamente a realidade:

A compaixão faz ver as realidades como são; a compaixão é como a lente do coração: nos faz entender realmente as dimensões. E no Evangelho, Jesus sente muitas vezes compaixão. A compaixão também é a linguagem de Deus. Não começa, na Bíblia, a aparecer com Jesus: foi Deus quem disse a Moisés “vi a dor do meu povo” (Ex 3,7); é a compaixão de Deus, que envia Moisés a salvar o povo. O nosso Deus é um Deus de compaixão, e a compaixão é – podemos dizer – a fraqueza de Deus, mas também a sua força. Aquilo que de melhor dá a nós: porque foi a compaixão que o levou a enviar o Filho a nós. É uma linguagem de Deus, a compaixão.

A compaixão não é pena

A compaixão “não é um sentimento de pena” que se sente, por exemplo, quando vemos morrer um cachorro na rua: “coitadinho, sentimos um pouco de pena”, afirmou Francisco. Mas é “envolver-se no problema dos outros, é arriscar a vida ali”. O Senhor, de fato, arrisca a vida e vai.

Outro exemplo feito pelo Papa Francisco vem do Evangelho da multiplicação dos pães, quando Jesus diz aos discípulos que deem de comer à multidão que o seguiu, enquanto eles preferiam que fosse embora. “Os discípulos eram prudentes”, notou o Papa.

”Eu creio que naquele momento Jesus tenha ficado bravo, no coração”, prosseguiu Francisco, considerando a resposta que deu: ‘Deem vocês de comer!’”. O seu convite é para cuidar das pessoas, sem pensar que depois de um dia assim poderiam ir aos vilarejos para comprar pão. “O Senhor, diz o Evangelho, sentiu compaixão porque via aquelas pessoas como ovelhas sem pastor”, recordou o Papa. De um lado, portanto, o gesto de Jesus, a compaixão e, de outro, a atitude egoísta dos discípulos, que “buscam uma solução sem se comprometer”, sem sujar as mãos, como dizendo: “que se virem”:

E se a compaixão é a linguagem de Deus, muitas vezes a indiferença é a linguagem humana. Cuidar até certo ponto e não pensar além. A indiferença. Um dos nossos fotógrafos, do l’Osservatore Romano, tirou uma foto que agora está na Esmolaria, que se chama “Indiferença”. Já falei outras vezes disto. Uma noite de inverno, diante de um restaurante de luxo, uma senhora que vive na rua estende a mão a outra senhora que sai, bem coberta, do restaurante, e esta senhora olha para o outro lado. Esta é a indiferença. Vejam aquela foto: esta é a indiferença. A nossa indiferença. Quantas vezes olhamos para o outro lado… E assim fechamos a porta para a compaixão. Podemos fazer um exame de consciência: eu habitualmente olho para o outro lado? Ou deixo que o Espírito Santo me leve para o caminho da compaixão? Que é uma virtude de Deus…

A seguir, o Papa se dissecomovido com uma palavra do Evangelho de hoje, quando Jesus diz a esta mãe: “Não chore”. “Uma carícia de compaixão”, afirmou Francisco. Jesus toca no caixão, ordenando ao jovem que levante. O jovem então fica sentado e começa a falar. E o Papa ressaltou propriamente o final: “E Jesus o entregou à sua mãe”:

Ele o entregou: um ato de justiça. Esta palavra se usa na justiça: restituir. A compaixão nos leva para o caminho da verdadeira justiça. É preciso sempre devolver àqueles que têm certo direito, e isso nos salva sempre do egoísmo, da indiferença, do fechamento em nós mesmos. Continuemos a Eucaristia de hoje com esta palavra: “O Senhor sentiu compaixão”. Que Ele tenha também compaixão de cada um de nós: nós precisamos disso.

(vaticannews)

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

O Papa na Casa Santa Marta



rezar pelos governantes, eles farão o mesmo pelo povo
Depois da pausa de verão, o Papa celebrou nesta manhã (16/09) a missa matutina na Capela da Casa Santa Marta. Sua reflexão foi centralizada na Primeira Carta de São Paulo a Timóteo encorajando a rezar a Deus também pelos governantes.

Cidade do Vaticano

Rezar também pelos governantes e pelos políticos, para que “possam levar adiante com dignidade sua vocação”. São palavras do Papa Francisco na Missa desta manhã (16/09) na capela da Casa Santa Marta, a primeira depois da pausa de verão.

A oração

Refletindo sobre a Primeira Carta de São Paulo apóstolo a Timóteo, o Pontífice observa quanto seja encorajado a “todo o povo de Deus” a rezar, por um “pedido universal”: sejam feitos “sem cólera e sem polêmicas”, evidencia Francisco, “pedidos, súplicas, orações e agradecimentos para todos os homens” e ao mesmo tempo “pelos reis e por todos os que estão no poder” para que tenham “uma vida calma e tranquila, digna e dedicada a Deus”.

Paulo evidencia o ambiente de uma pessoa que crê: é a oração. É a oração de intercessão, aqui: “Que todos rezemos por todos, para que possamos levar uma vida calma e tranquila, digna e dedicada a Deus”. É necessária a oração a para que isso seja possível. Mas há um detalhe que gostaria de me deter: “Para todos os homens – e depois acrescenta – pelos reis e por todos os que estão no poder”. Portanto trata-se da oração pelos governantes, pelos políticos, pelas pessoas que são responsáveis de levar adiante uma instituição política, um país, uma província.

Rezar pelos que pensam diversamente

Esses, afirma, recebem “adulações por parte de seus favoritos ou insultos”. Há políticos, mas também padres e bispos, diz o Papa, que são insultados, “alguns o merecem”, acrescenta, mas já se torna “um hábito” recordando o que define um “acúmulo de insultos e de palavrões, de depreciações”. Ainda assim quem está no governo “têm a responsabilidade de conduzir o país”: e nós – pergunta-se o Pontífice – “o deixamos só, sem pedir a Deus que o abençoe?”. “Tenho certeza” – prossegue – que não se reza pelos governantes, ao contrário: poderia parecer que a oração aos governantes seja “insultar-lhes”. E assim, constata, “segue nossa vida nas relações” com quem está no poder. Mas São Paulo, explica, é “claro” ao pedir que se “reze por cada um deles para que possam levar adiante uma vida calma, tranquila, digna para seu povo”. Por fim recorda como os italianos passaram recentemente por uma "crise de governo”.

Quem de nós rezou pelos governantes? Quem de nós rezou pelos parlamentares? Para que possam ir de acordo e levar adiante a pátria? Parece que o espírito patriótico não chega à oração; mas sim às desqualificações, ao ódio, às brigas, e termina assim. Portanto, quero que em todos os lugares as pessoas rezem, levantando as mãos puras para o céu, sem raiva e sem polêmicas”. É preciso discutir e esta é a função de um parlamento. Discutir, mas não destruir o outro. Aliás, é preciso rezar pelo outro, por aquele que tem uma opinião diferente da minha.

Chamado à conversão

Diante dos que pensam que aquele político é “muito comunista” ou “corrupto”, o Papa, citando a passagem do Evangelho de Lucas de hoje, não pede para “discutir sobre política”, mas para rezar. Depois, há quem diga que “a política é suja”. Mas, Paulo VI, sublinhou Francisco, considerava a política “a mais alta forma de caridade”:

Pode ser suja assim como qualquer outra profissão, qualquer uma... Somos nós que sujamos uma coisa, mas não é a coisa em si que é suja. Acredito que devemos nos converter e rezar pelos políticos de todas as cores, todos eles! Rezar pelos governantes. É isso que Paulo nos pede. Enquanto ouvia a Palavra de Deus, esse fato muito bonito do Evangelho me veio à mente, o governante que reza por um dos seus, esse centurião que reza por um dos seus. Até os governantes devem rezar pelo seu povo e o centurião reza por um servo: “Mas não, ele é meu servo, eu sou responsável por ele”. Os governantes são responsáveis pela vida de um país. É bom pensar que, se o povo reza pelos governantes, os governantes também serão capazes de rezar pelo povo, como esse centurião que reza pelo seu servo.

(vaticannews)

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Papa aos bispos: proximidade a Deus e ao povo, não se circundar de bajuladores



Francisco recebeu bispos de recente nomeação e ofereceu conselhos concretos para manterem a proximidade a Deus e ao povo, sem renunciar a uma vida sóbria.

Bianca Fraccalvieri – Cidade do Vaticano

O Papa Francisco concluiu sua série de audiências desta quinta-feira recebendo, no Vaticano, os bispos de recente nomeação que participaram do curso promovido pelas Congregações para os Bispos e para as Igrejas Orientais.

Proximidade

O Pontífice dedicou o seu discurso a uma atitude que é essencial para os Bispos: proximidade. Proximidade a Deus e proximidade ao seu povo.

A proximidade a Deus é a fonte do ministério do Bispo, explicou o Papa. Deus se fez próximo a nós mais do que poderíamos imaginar, encarnando-se em Cristo e a razão da nossa existência é “tornar palpável esta proximidade”.

Por isso o Bispo, sem poupar tempo, precisa estar diante de Jesus e levar até Ele as pessoas e as situações. Em outras palavras, o Bispo deve cultivar esta intimidade com Cristo diariamente na oração.

“Somente estando com Jesus somos preservados da presunção pelagiana de que o bem deriva da nossa capacidade.”

De Deus ao povo

Ao estar próximos de Deus, cresce a consciência de que a identidade do Bispo é fazer-se próximos. “Não é uma obrigação externa, mas uma exigência interna à lógica do dom.” A proximidade ao povo não é uma estratégia oportunista, advertiu o Papa, mas a condição essencial do ministro ordenado.

“ Mesmo na nossa pobreza, cabe a nós fazer com que ninguém sinta Deus como distante, que ninguém use Deus como pretexto para levantar muros, abater pontes e semear ódio. ”

A proximidade do Bispo, prosseguiu Francisco, não é retórica, não é feita de anúncios autorreferenciais, mas de disponibilidade real. É preciso deixar-se surpreender e aprender verbos concretos, como ver, cuidar e curar. É colocar-se em jogo e sujar as mãos.

“Por favor, não deixem que prevaleçam os temores pelos riscos do ministério, retraindo-se e mantendo as distâncias”, exortou o Pontífice.

Sobriedade, sem bajuladores

O termômetro da proximidade é a atenção aos últimos, aos pobres, que é já um anúncio do Reino, assim como o é a sobriedade.

“ Levar uma vida simples é testemunhar que Jesus nos basta. ”

Enfim, são necessários bispos capazes de sentir o palpitar de suas comunidades e de seus sacerdotes, que não se contentem de presenças formais, mas que sejam “apóstolos da escuta”. Por favor, exortou novamente o Papa, não se circundem de bajuladores.

De modo especial, Francisco encoraja as visitas pastorais regulares e uma proximidade especial aos sacerdotes.

“Também eles estão expostos às intempéries de um mundo que, mesmo cansado das trevas, não poupa hostilidade à luz. Eles precisam ser amados, seguidos e encorajados.”

(vaticannews)