sábado, 22 de julho de 2017

Palavra de Vida – julho 2017




«Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, que Eu hei de aliviar-vos» (Mt 11, 28).

Cansados e oprimidos. Estas palavras fazem-nos lembrar pessoas – homens e mulheres, jovens, crianças e idosos – que, de alguma maneira, carregam pesos ao longo do caminho da vida e esperam que chegue o dia em que se possam libertar deles.
Nesta passagem do Evangelho de Mateus, Jesus faz um convite: «Vinde a mim…».
À sua volta estava uma multidão, que tinha vindo para O ver e ouvir. Na sua maioria, eram pessoas simples, pobres, com pouca instrução, incapazes de conhecer e cumprir todas as complicadas prescrições religiosas daquele tempo. Para além disso, sentiam-se esmagadas pelas taxas e pela administração romana, que muitas vezes se tornava um peso insuportável. Esperavam ansiosamente por alguém que lhes oferecesse uma vida melhor.
Com o seu ensinamento, Jesus manifestava uma atenção especial para com eles e para com todos aqueles que, por serem considerados pecadores, eram excluídos da sociedade. Ele queria que todos pudessem compreender e receber a lei mais importante, aquela que abre a porta da casa do Pai: a lei do amor. Com efeito, Deus revela as suas maravilhas a todos aqueles que têm o coração aberto e simples.
Mas Jesus convida-nos também a nós, hoje, a aproximarmo-nos d’Ele. Ele manifestou-se como o rosto visível de Deus que é amor, um Deus que nos ama imensamente, tal como somos, com as nossas capacidades e os nossos limites, com as nossas aspirações e os nossos fracassos! E convida-nos a confiar na sua “lei”, que não é um peso para nos esmagar, mas sim um jugo suave, que pode encher de alegria o coração daqueles que a vivem. É uma lei que exige de nós o compromisso de não nos fecharmos em nós mesmos, mas de fazer da nossa vida, de cada dia, uma oferta cada vez maior aos outros.
«Vinde a mim todos os que estais cansados e oprimidos, que Eu hei de aliviar-vos» (Mt 11, 28).

Jesus faz também uma promessa: «… hei de aliviar-vos».
De que maneira poderá fazê-lo? Antes de mais, com a Sua presença, que se torna cada vez mais decisiva e profunda em nós, se O escolhermos como o fulcro da nossa existência. Depois, com uma luz especial que ilumina diariamente os nossos passos, fazendo-nos descobrir o sentido da vida, mesmo quando as circunstâncias externas são difíceis. E, se começarmos a amar como Jesus nos amou, encontraremos no amor a força para avançar e a plenitude da liberdade, porque é a própria vida de Deus que vai entrando em nós.
Assim escreveu Chiara Lubich«… um cristão, que não estiver sempre no esforço de amar, não merece o nome de cristão. E isto porque todos os mandamentos de Jesus se resumem num só: no mandamento do amor a Deus e ao próximo, em quem devemos ver e amar Jesus. O amor não é um mero sentimentalismo, mas traduz-se em vida concreta, no serviço aos irmãos, especialmente àqueles que estão ao nosso lado, começando pelas pequenas coisas, pelos serviços mais humildes. Diz Charles de Foucauld: “Quando alguém ama outra pessoa, está profundamente nela, está nela pelo amor, vive nela pelo amor, deixa de viver em si e passa a viver ‘desapegado’ de si, ‘fora de si’” (1). E é por este amor que a sua luz, a luz de Jesus, inunda a nossa vida, de acordo com a sua promessa: “Quem me tiver amor… Eu o amarei” (2). “O amor é fonte de luz: amando, compreende-se melhor a Deus que é Amor (…)” (3)».
Aceitemos o convite de Jesus a ir ter com Ele e reconheçamo-lo como fonte da nossa esperança e da nossa paz.
Aceitemos o seu “mandamento”, e esforcemo-nos por amar, como Ele fez, nas múltiplas ocasiões que se nos deparam diariamente, na família, na paróquia, no trabalho. Respondamos à ofensa com o perdão, construamos pontes em vez de muros e coloquemo-nos ao serviço de quem está sob o peso das dificuldades.
Descobriremos que esta lei não é um peso, mas sim asas que nos permitirá voar mais alto.
Letizia Magri



quinta-feira, 20 de julho de 2017

Em prol da liberdade e da justiça
· ​No dia 21 de julho, oração e jejum


A Conferência episcopal convocou para sexta-feira, 21 de julho, um dia de oração e de jejum pela liberdade, justiça e paz na Venezuela, a fim de – lê-se numa nota – «pedir a Deus que abençoe os esforços dos venezuelanos» para alcançar a convivência fraterna no país. Os bispos recordam que a nível diocesano e paroquial foram realizadas outras iniciativas deste tipo, durante as quais «milhares de pessoas manifestaram a sua fé através de procissões, vigílias de oração, terços, para pedir a Deus o seu apoio neste momento crucial». O episcopado convida a «não se deixar roubar a esperança que torna possível, com a ajuda de Deus, o que parece impossível, a fim de comunicar esperança e ser protagonistas deste momento histórico e do futuro do nosso país».
Tem como título «Não ouvidos. Um povo exausto pede os seus direitos fundamentais», o dossier produzido pela Cáritas italiana em que sublinha a dramática situação do povo venezuelano que só exige o respeito dos direitos fundamentais. Para enfrentar as emergências da população, a Conferência episcopal italiana (CEI), graças aos fundos de 8 x 1000, disponibilizou quinhentos mil euros em apoio às intervenções da Cáritas para ajudas em âmbito alimentar, higiénico e sanitário em prol de 4800 famílias residentes em dez dioceses.
A crise humanitária está a pôr à dura prova a Venezuela, confinando este país numa espiral perigosa. De acordo com alguns dados do Observatório de Cáritas Venezuela, com uma inflação já acumulada de 700 por cento, a pobreza já afetou 82 por cento da população. Há uma necessidade urgente de respostas que não sejam violência e repressão, especialmente em relação aos mais jovens, que não têm nada para comer, nem podem comprar medicamentos e outros géneros de primeira necessidade. Em 2016, mais de onze mil crianças faleceram por falta de medicamentos e a mortalidade materna aumentou cerca de 70 por cento. Precisamente sobre estes aspetos se estão a concentrar os esforços da Cáritas local.


(osservatoreromano)

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Superar todas as formas de racismo e de intolerância

Cidade do Vaticano (RV) – “É preciso superar todas as formas de racismo, de intolerância e de instrumentalização da pessoa humana.” Com um tuíte, o Papa Francisco recorda a celebração neste 18 de julho do Dia Internacional Nelson Mandela.

Se estivesse vivo, hoje Madiba – como era conhecido – completaria 99 anos. Considerado uma das personalidades mais ilustres do século XX, Mandela morreu em 5 de dezembro de 2013, aos 95 anos. Naquela ocasião, o Papa Francisco enalteceu o firme compromisso demonstrado por Mandela para “promover a dignidade humana de todos os cidadãos do país e forjar uma nova África do Sul construída sobre os pilares da não-violência, da reconciliação e da verdade.

“Rezo para que o exemplo do ex-presidente inspire gerações de sul-africanos, para que coloquem a justiça e o bem comum à frente de suas aspirações políticas”, disse o Papa Francisco em telegrama.

S. João Paulo II 

Ao longo de sua vida, Nelson Mandela encontrou um único Pontífice: João Paulo II. A primeira vez foi em junho de 1990, pouco depois que deixou a prisão, onde transcorreu 27 anos de sua vida.

Em setembro de 1995, o Papa polonês visitou a África do Sul, sendo acolhido justamente por Nelson Mandela. Eis as palavras de João Paulo II na cerimônia de boas-vindas, em 16 de setembro: hoje a minha viagem me traz à África do Sul, à nova África do Sul, uma nação que se colocou firmemente no caminho da reconciliação e da harmonia entre todos os seus habitantes. No início da minha visita, desejo homenagear o Senhor, Presidente, que, depois de ter sido uma “testemunha” silenciosa e partícipe do anseio do seu povo à verdadeira libertação, agora assumiu a responsabilidade de inspirar e de desafiar cada um a ter êxito na tarefa de reconciliação e de reconstrução nacional.

Apartheid

Mais uma menção a Mandela foi feita ao regressar desta viagem, no Angelus de 24 de setembro de 1995 no Vaticano: “Infelizmente, mais uma vez pude tocar com as mãos os problemas deste Continente. A África carrega os sinais da sua longa história de humilhações. Muito se olhou para este Continente somente em nome de interesses egoístas. Hoje, a África pede para ser estimada e amada por aquilo que é. Não pede compaixão, pede solidariedade. Esta mensagem colhi em todos os lugares e, em especial, no encontro com Nelson Mandela, o homem que guiou a superação do apartheid, interpretando o desejo do seu povo, e de toda a África, de renascer na pacificação e na colaboração entre todos os seus filhos”.

Bento XVI

Bento XVI falou de Mandela ao se dirigir ao novo embaixador da África do Sul junto à Santa Sé, em 29 de maio de 2009.

“Ninguém pode duvidar que muitos méritos pelos progressos realizados devem ser atribuídos à extraordinária maturidade política e às qualidades humanas do ex-presidente Nelson Mandela. Ele foi promotor de perdão e de reconciliação e goza de grande respeito no seu país e junto à comunidade internacional.”

Maior nome da política sul-africana, Nobel da Paz, Nelson Mandela deixou um legado não só de convivência, mas também de luta e resistência. Primeiro presidente negro eleito da África do Sul, entre 1994 e 1999, cumpriu um só mandato – feito raro na política mundial.


(radiovaticana)

terça-feira, 18 de julho de 2017

Santa Sé avalia positivamente Plano da ONU contra incitação ao ódio

Nova Iorque (RV) - “A Santa Sé avalia positivamente o Plano de ação da ONU para líderes e outros atores religiosos que visa prevenir a incitação à violência que pode levar a crimes de massa. Segundo a Santa Sé, a responsabilidade primária de proteger os inocentes de crimes horríveis cabe, em primeiro lugar, aos governos e à comunidade internacional.”

Foi o que afirmou o Observador Permanente da Santa Sé na ONU, Dom Bernardito Auza, nesta sexta-feira (14/07), em Nova Iorque, na apresentação do plano de ação.

Impedir incitação ao ódio

Trata-se do primeiro documento internacional que se concentra no papel de líderes e atores religiosos a fim de impedir a incitação ao ódio e à violência contra pessoas ou comunidades, com base em sua pertença, e a desenvolver estratégias regionais específicas em tal âmbito. Uma questão que se tornou premente com a escalada do terrorismo internacional baseado na religião. 

Fruto de três anos de trabalho e de várias pesquisas no âmbito global e nacional, o Plano de ação contém uma série de recomendações detalhadas para os Estados, organizações da sociedade civil e meios de comunicação, na consciência de que a prevenção do genocídio, de crimes de guerra, de limpeza étnica e crimes contra a humanidade requer a colaboração de todas as comunidades e instituições. 

“O Plano, em seu todo, representa um progresso importante e concreto na promoção de uma cultura e de uma sociedade coerentes com a responsabilidade de proteger, conforme definido pelo documento final da Cúpula Mundial de 2005”, afirmou Dom Auza. 

Responsabilidades dos Estados

O primeiro elemento positivo do documento é o fato de “sublinhar a responsabilidade dos Estados de proteger as populações de crimes atrozes, e sua incitação”, mas também da comunidade internacional “de encorajar os Estados a exercer suas responsabilidades”. 

“Se é verdade que os líderes e organizações religiosas têm um papel importante a desempenhar na prevenção de crimes atrozes, é verdade também que eles não possuem os meios que os Estados dispõem para detê-los”, frisou o arcebispo filipino.


Papel positivo dos líderes religiosos

“O segundo elemento positivo do Plano de ação é o reconhecimento do papel positivo dos líderes e organizações religiosas na prevenção de tais atrocidades, nomeadamente na luta contra a instrumentalização da religião para justificar a violência.” 

“Conforme sublinhando, em 28 de abril passado, pelo Papa Francisco na Conferência Internacional para a Paz de Al-Azhar, no Cairo, Egito, “a religião não é o problema, mas parte da solução”. “Mas, para que os líderes religiosos possam desempenhar esse serviço é fundamental que a religião não seja relegada à esfera privada”, observou Dom Auza.

Estimular círculo virtuoso

O prelado sublinhou a importância da participação dos líderes religiosos no diálogo entre as religiões, conforme evidenciado no Plano de ação da ONU, também através de obras em prol da justiça e do bem comum. O Papa Francisco insistiu muito sobre esse tema desde os primeiros dias de seu pontificado, destacando a sua condição necessária para paz no mundo.

“Eis porque o papel e o trabalho dos líderes religiosos, dos fiéis, em geral, e do diálogo inter-religioso, são cruciais não somente para prevenir a incitação à violência religiosa, mas também para estimular um círculo virtuoso que crie sociedades pacíficas e inclusivas, onde os crimes atrozes são eticamente inaceitáveis e inimagináveis”, concluiu Dom Auza.

(MJ)

(radiovaticana)