quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Dá-nos, Senhor, um coração de amor...


... porque somos frágeis,
volúveis
e muito inseguros.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Sentido cristão do sofrimento




Partilha


Este mês de Fevereiro, não só por celebrarmos, no dia 11, o Dia Mundial do Doente, mas porque celebramos, no dia 7, as Cinco Chagas de Cristo e porque, no dia 4, somos convidados a alegrar-nos pelo martírio cruento, com a degolação, de São João de Brito, queremos centrar o nosso dossier no «sentido cristão do sofrimento». Além disso, a 22 de Fevereiro começamos a viver a Quaresma, com um convite à conversão que só se consegue com mais oração e mais penitência, inserindo esta no plano salvífico da Cruz, por onde passou nosso Senhor Jesus Cristo Trata-se de olhar Jesus Crucificado, suas chagas, contemplar como a paixão de Cristo continua na vida e na doença de milhões de irmãos e irmãs nossos, e buscar no martírio de São João de Brito um exemplo maravilhoso para aprender a sofrer, para amar a dor como redentora, para conseguir coragem para ir ao encontro de quem sofre.

Jesus, o «homem das dores», foi «feito maldito e pecado na cruz», carregou as nossas dores e foi ferido por causa das nossas iniquidades. A sua vida, desde o nascimento no curral de animais, foi sempre «sinal de contradição» e mergulhada em muitas situações de dor, de fome e sede, de cansaço, de incompreensão, de perseguição e calúnia, de desprezo dos seus contemporâneos, de negações do discípulo Pedro e traição de Judas, dum processo doloroso e de verdadeira carnificina na longa Paixão, que acabou na Crucifixão e na Morte. Experimentado no sofrimento, Jesus ensina-nos e indica-nos o caminho da Cruz: «Quem quiser ser meu discípulo, tome a sua cruz cada dia e siga-Me». Ensina-nos a arte de saber sofrer, saber assumir o valor salvífico e cristão da dor, qualquer que ela seja. N’Ele, a cruz e a dor são um tesouro de graça e de salvação.

Por outro lado, em Jesus e com Jesus, ao descobrirmos o sentido cristão do sofrimento, perceberemos também algo de extraordinário, ou seja: o que nos salvou e continua a salvar não é a dor pela dor, o sofrimento pelo sofrimento, mas o amor com que Ele sofreu, amor louco e apaixonado pelo Pai e por cada um de nós. Só o amor salva, só ele nos pode redimir, só ele é modo eficaz de sofrer com grandeza e dignidade, dando valor salvífico à dor. O sofrimento assumido em amor por Jesus, pela Igreja, pelo Reino, é salvífico, colabora na redenção, ajuda a salvar, a converter, a gerar vida e vida em abundância. Se percebermos que o sofrimento entendido assim é um tesouro, não nos lamentaremos, não esbanjaremos uma pérola como ele é, não o deitaremos fora, não nos revoltaremos. Encontramos, por amor, sentido para a dor, para o sofrimento.

Fazendo passar pelo nosso coração e a nossa oração os muitos milhões de doentes e de pessoas que sofrem horrivelmente e de maneiras tão difíceis e tão cruéis, tentaremos encontrar em cada uma dessas pessoas o rosto de Jesus que sofre fome e nudez, prisão e doença, calúnia e desemprego, solidão e depressão, etc. É Ele, o Senhor Crucificado, Aquele cujo corpo glorioso apresenta as Cinco Chagas, que está presente, que Se identifica com cada um dos homens e mulheres que sofrem, das crianças e dos velhinhos que sofrem. E se descobrimos o rosto do Crucificado e as suas chagas em cada pessoa doente e que sofre, saberemos amá-la, cuidar dela, ir ao seu encontro com um novo coração e uma alma nova.

Os mártires, como São João de Brito e tantos outros, ainda hoje às centenas e milhares, são um exemplo vivo do modo de ver com olhos novos o sentido cristão do sofrimento, ao ponto de se deixarem matar, de verterem o sangue por amor de Jesus. Não só precisamos de olhar para eles como exemplo e como fonte de força e de graça, mas de rezar por todos aqueles e aquelas que continuam a viver o seu martírio, tantas vezes com tiranias cruéis, com violência doméstica, com exploração criminosa, com falta de liberdade religiosa, com atropelos tremendos à vida e ao amor, vivendo suplícios de fome e sede, de espancamentos e violência sexual, de prisão onde vão morrendo aos pedaços. O nosso coração deve tornar-se universal para rezar por todos e a todos acolher com muito amor e solidariedade cristã.

A Quaresma, em que Jesus penitente e orante Se apresenta a nós como modelo último de amor, de desejo de salvação, de oferta redentora, de vítima em holocausto, é tempo privilegiado para sofrer com Ele para que outros tenham vida, para fazer penitência unidos a Ele para que a conversão se apresse, para aprender a viver crucificados ou aprender a morrer como o grão de trigo, para que a vida da graça e da santidade cresça no mundo, no coração de cada pessoa e de cada família. A conversão exige de nós mais oração e mais penitência. Jesus é nosso exemplo e os mártires convidam-nos a essa atitude de amor e de oferenda.

Dário Pedroso, s.j.
Revista “O Mensageiro”

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

ENCONTREI UMA COMUNIDADE EM COIMBRA




O Senhor levou-me a uma Comunidade , que não era a pretendida, porque a indicada por um irmão era outra, nos Olivais. Mas enganei-me no caminho … e fui bater à porta da Comunidade da Paróquia de Nossa Senhora de Lurdes, que “por acaso” é a Igreja que frequentei durante dez anos da minha vida de casada.
Nos primeiros contactos verifiquei o engano, mas fui logo acolhida por um irmão, que “por acaso” é natural da Ilha Terceira e que conhece o meu marido … e que é familiar do irmão com quem contactei inicialmente …

Fui apresentada ao responsável e fiz a minha apresentação como “caminhante” a toda a Comunidade, sendo desde logo adoptada por todos. Será esta a minha Comunidade em Coimbra: a segunda Comunidade do Caminho Neocatecumenal da Paróquia de Nossa Senhora de Lurdes, em Montes Claros – Coimbra – com Celebrações às quartas-feiras e sábados, às 21 horas.

Como tudo isto é interessante! Como me sinto bem, em casa! Agora já não tenho pressa de regressar a casa... Bom é não criar raízes. Bom é abrir-me à vontade de Deus e deixar-me conduzir... Bom é sentir-me peregrina... Bom é viver com o Senhor em todo o lugar... Bom é vivênciar a intervenção de Deus na nossa vida...

“Ocasionalmente” sentaram-me ao lado da Mariana, irmã com os seus setenta e tais anos. Começou a contar-me que era muito doente e que, por ser diabética lhe gelavam muito os pés … .O Presbítero estava atrasado e Mariana subiu o tom das suas queixas: que se queria ir embora porque estava muito frio, não podia aguentar mais, em casa teria os pés em cima do aquecedor... Disse-lhe que se encostasse mais a mim para eu a aquecer, outra irmã colocou-lhe uma manta sobre as pernas … mas a Mariana continuava a reclamar. Não sabendo mais o que lhe dizer, pois estava de facto muito frio, animei-a, dizendo que o frio ia passar...
Quando chegámos ao abraço da paz, perguntei-lhe como se sentia, ao que ela me disse que estava muito quentinha, não tinha frio.

O Senhor é um só, e encontro-O na unidade dos irmãos, porque onde houver unidade, há simplicidade, acolhimento e amor ; foi o que eu encontrei naquela noite.

TEM UM BOM DIA.


domingo, 26 de fevereiro de 2012

HOJE É O DIA DO SENHOR







No Deserto

Estamos no início da QUARESMA.
Quaresma é o grande retiro espiritual dos cristãos
em preparação da festa da Páscoa.
É o coração do ano litúrgico e o cume da fé cristã.
Na Igreja Primitiva, na Quaresma fazia-se a preparação próxima do Batismo.

As Leituras nos introduzem no caminho da renovação do Batismo
e nos chamam à conversão.

A 1a Leitura evoca o Dilúvio, o BATISMO
pelo qual todo o Universo teve de passar
para que surgisse uma nova criação. (Gn 9,8-15)

Começamos a ler a Historia da salvação a partir do episódio do Dilúvio,
quando Deus salvou o justo Noé e sua família e
fez a primeira Aliança com a humanidade.

Através do dilúvio, Deus purificou a humanidade corrompida.
O Dilúvio foi o grande batismo de todo o Universo,
que renasceu das águas para estabelecer uma nova Aliança.
E o arco-íris deixado por Deus no céu foi o sinal dessa Aliança,
desse abraço entre o céu e a terra, entre Deus e os homens.

A 2a Leitura, nos lembra que as águas purificadoras do Dilúvio
são imagem das águas purificadoras do Batismo. (1Pd 3,18-22)

* Pedro interpreta a figura de Noé e do Dilúvio em chave batismal.
É uma antiga catequese Batismal da Igreja primitiva.

O Evangelho resume as palavras inaugurais do ministério de Jesus,
proclamando a graça do reino e chamando os homens à conversão. (Mc 1,12-15)

O episódio das TENTAÇÕES de Jesus no DESERTO,
mais do que uma narrativa histórica, trata-se de uma Catequese.
- "O deserto", para os judeus, é o lugar privilegiado do encontro com Deus.
Foi no deserto que o Povo experimentou o amor e a solicitude de Deus
e foi no deserto que Deus propôs a Israel uma Aliança.
Foi também no deserto, que Israel tentou Deus: Valia a pena o êxodo:
Não seria melhor permanecer no Egito ao redor das panelas de carne e cebolas.
- Para Jesus o "deserto" é o "lugar" do encontro com Deus
e do discernimento dos seus projetos. E é o "lugar" da prova,
da tentação de abandonar Deus e de seguir outros caminhos.
- "Quarenta dias" é um número simbólico, que lembra o tempo
da caminhada do Povo no deserto e a experiência de Moisés e de Elias.
- "Satanás" representa os que se opõem ao estabelecimento do seu Reino.
- "As tentações": Marcos não especifica as tentações,
mas elas simbolizam as provações que Jesus enfrentou ao longo
de toda a sua vida para se manter fiel à missão confiada por Deus.
Elas resumem também as tentações de todos nós...

A vida de Jesus será uma luta constante de superação
até a vitória definitiva na cruz, através da Ressurreição.
Da sua opção, vai surgir um mundo de paz e de harmonia.
Jesus aparece como o novo Adão, que vence o tentador.
Vencendo a tentação, Jesus inaugura a Aliança definitiva,
mais importante que a de Noé.

Após ser Batizado e ter superado as Tentações no DESERTO,
Jesus inicia o seu trabalho apostólico, proclamando:
"O Reino já chegou... Convertei-vos e crede no evangelho".
As mesmas palavras, que ouvimos quarta feira passada ao receber as cinzas
e que são um resumo do espírito da Quaresma, que estamos iniciando.

* QUARESMA é DILÚVIO e DESERTO.

- É Dilúvio que arranca o pecado e leva a construir a área de Salvação
e é Sinal de que Deus está em Paz conosco.
- É Deserto pela espiritualidade do despojamento, que nos propõe.

* QUARESMA é CONVERTER-SE e CRER:

- "Converter-se" é muito mais que fazer penitências ou
realizar privações momentâneas.
É fazer com Deus seja o centro de nossa existência e
ocupe sempre o primeiro lugar.

- "Crer" não é apenas aceitar um conjunto de verdades intelectuais.
É aderir à pessoa de Cristo, escutar a sua proposta,
acolhê-la no coração e fazer dela o guia de nossa vida.

A nossa Quaresma:
A Liturgia de hoje nos conscientiza da fidelidade de Deus
e da necessidade de morrer ao homem velho
para ressuscitar com Cristo a uma vida nova.
Sinal eficaz desse passo é o Batismo;
o caminho é a conversão até a Páscoa.

Gesto concreto:

O que pretendo fazer nesse tempo sagrado da Quaresma?
Planejei gestos concretos:
- Quais são os momentos especiais de Oração... de Deserto?
- Qual a minha Penitência quaresmal, proveitosa para mim e agradável a Deus?
- Quais os atos de Caridade que pretendo realizar?
- O que poderia fazer para promover a minha saúde e de todos os irmãos,
para que "a saúde se difunda sobre a terra".

Esse é o caminho para que a Páscoa aconteça dentro de cada um de nós...


Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa - 26.02.2012






sábado, 25 de fevereiro de 2012

Cuidado con las tentaciones






Todos tenemos un deseo innato de ser felices, buscamos ansiosamente serlo, pensamos que nuestro bien es aquello que nos beneficie de alguna manera y para lograrlo estamos dispuestos a pagar cualquier precio. La tentación que nos propone: "todo esto te daré si postrado ante mí me adoras", suele tener bastante éxito entre las personas.
El señuelo de la riqueza, del sexo, del poder, de la ganancia fácil, del medro personal, del puesto importante, del comer y beber manjares exquisitos, de las diversiones placenteras, puede llevarnos a aceptar cualquier servidumbre, a dejar de lado los gritos de nuestra conciencia, a olvidar viejos propósitos, o pasados ideales si alguna vez los tuvimos.
Si vivimos en la estrechez o la pobreza, quizás envidiemos la suerte de los que supieron aprovechar la ocasión para encumbrarse y encontremos dentro de nosotros como va creciendo el descontento. Convertir el descontento en odio y dirigirlo hacia enemigos prefabricados es fácil.
La culpa de que no seamos felices es de los bancos, de la derecha o de la izquierda, de los empresarios, de los sindicatos, del sistema económico, de la iglesia, de los inmigrantes… Es la tentación del odio que reclama nuestra sumisión para que salgamos a la calle a gritar, a interrumpir el tráfico, a insultar a la policía. Somos felices mientras protestamos exaltados, aunque sea una felicidad destructiva y triste.
Otros se sientes desolados al comprobar que el estado del bienestar en el que habían confiado se resquebraja. Naturalmente la tentación que seofrece es la de no sentirnos responsables del desaguisado: somos inocentes del despilfarro, de la corrupción, de la mala administración… aunquemás de una vez hayamos incumplido las leyes, hayamos defraudado a la hacienda pública, aunque nuestra productividad y nuestro rendimiento sean manifiestamente mejorables. Mientras que nos quejamos de los demás, sentimos también la raquítica felicidad de creernos buenos y víctimas.
Para alcanzar problemáticas felicidades sucumbimos a las más variadas tentaciones y nos postramos ante la mentira, la injusticia, el enjuague, la trampa, el delito, pensando en lo que vamos a recibir a cambio.
Antes o después comprobaremos que todo fue un engaño, que nuestra ansia de felicidad no puede colmarse con las cosas materiales que posees pero que temes perder, ni gozando de todos los placeres, ni puede satisfacerse odiando a los demás, que todo es vanidad y caza de viento, como dice Quoelet.
Los cristianos rezamos a menudo el Padre nuestro, que termina pidiendo a Dios que no nos deje caer en la tentación y que nos libre del mal. El mal, que nos impide ser felices,es demasiado grande para que podamos vencerlo sin la ayuda de Dios. Solo vivimos una vez e importa mucho cómo vivamos. No nos hemos dado la existencia a nosotros mismos. Somos criaturas de Dios y este Dios nos ha mostrado su amor en Jesús que quiere salvarnos del mal.
Hemos de entender que no podemos ser felices sin Dios, de espaldas a Dios. Dios es la garantía de que podemos esperar un mundo nuevo en el que habite la justicia. Todos habremos de comparecer un día ante Dios para ser juzgados, incluso los que piensan que Dios no existe, y en este juicio podremos alcanzar o no la auténtica felicidad para siempre.




Sat, 25 Feb 2012 15:01:00
(camineo.info)




LOS CRISTIANOS HAN DE CONOCER A FONDO LA FE PARA AYUDAR A LOS DEMÁS A LLEGAR A DIOS



Ciudad del Vaticano, 24 febrero 2012 (VIS).

-El Santo Padre mantuvo ayer un encuentro con los párrocos y sacerdotes de la diócesis de Roma, de la que es obispo. Tras la lectura de un fragmento de la carta de San Pablo a los efesios (4,1-16), Benedicto XVI glosó el texto directamente.

Escribe el apóstol: “Os ruego (…) que viváis una vida digna de la vocación a la que habéis sido llamados, con toda humildad y mansedumbre, (…) sobrellevándoos unos a otros con caridad, continuamente dispuestos a conservar la unidad del Espíritu con el vínculo de la paz”.

El Papa explicó que la primera llamada que han recibido los sacerdotes es la del bautismo; la segunda, la vocación de pastores al servicio de Cristo. “El gran sufrimiento de la Iglesia de hoy en Europa y en Occidente es la falta de vocaciones sacerdotales; pero el Señor llama siempre, falta la escucha. Nosotros hemos escuchado su voz y debemos estar atentos a la voz del Señor también para los demás, ayudándoles para que la oigan y así la llamada sea aceptada”.

La primera de las virtudes que debe acompañar la vocación, según señala San Pablo, es la humildad, la virtud de los seguidores de Cristo, quien “siendo igual a Dios, se ha humillado, aceptando el papel de siervo y obedeciendo hasta la cruz. Este es el camino de la humildad del Hijo que debemos imitar. (…) Lo contrario de la humildad es la soberbia, raíz de todos los pecados. La soberbia es arrogancia, quiere sobre todo poder, apariencia (…) no tiene intención de agradar a Dios, sino de agradarse a sí mismo, de ser aceptado e incluso venerado por los demás. Pone el 'yo' en el centro del mundo: se trata del 'yo' soberbio que todo lo sabe. Ser cristiano quiere decir superar esta tentación originaria, que está en el núcleo del pecado original: ser como Dios, pero sin Dios”.

Frente a ello, “la humildad es, sobre todo, verdad (…). Reconociendo que soy un pensamiento de Dios, de la construcción de su mundo, y soy insustituible precisamente así, en mi pequeñez, solo de este modo, soy grande. (…) Aprendamos a ser realistas de esta manera: no queramos aparentar, sino agradar a Dios y hacer lo que ha pensado de cada uno de nosotros y para nosotros, y así aceptaremos también a los demás. (…) Aceptarse a sí mismo y aceptar al otro van juntos: sólo aceptándome a mí mismo como parte del gran tejido divino puedo aceptar también a los demás, que forman conmigo la gran sinfonía de la Iglesia y de la Creación”. Y se aprende también a aceptar la propia posición en la Iglesia, sabiendo que “cada pequeño servicio es grande a los ojos de Dios”.

La falta de humildad destruye la unidad del Cuerpo de Cristo. Asimismo, la unidad no puede crecer sin el conocimiento de la fe: “Un gran problema de la Iglesia actual es la falta de conocimiento de la fe, el 'analfabetismo religioso'. (…) Con este analfabetismo no podemos crecer. (…) Por eso debemos reapropiarnos de los contenidos de la fe, no como un paquete de dogmas y mandamientos, sino como una realidad única que se revela en toda su profundidad y belleza. Debemos hacer lo posible por actuar una renovación catequística, para que la fe sea conocida, de modo que Dios sea conocido, Cristo sea conocido, la verdad sea conocida y crezca la unidad en la verdad”.

En este punto, Benedicto XVI advirtió que no se puede vivir en una “niñez de la fe”: muchos fieles no han ido más allá de la primera catequesis, con lo que “no pueden exponer como adultos, con competencia y convicción profunda, la filosofía de la fe, la gran sabiduría, la racionalidad de la fe” para iluminar a los demás. Es por ello necesaria una “fe adulta”, que no quiere decir, como se ha entendido en los últimos decenios, emancipada del Magisterio de la Iglesia; cuando se abandona el Magisterio, el resultado es “la dependencia de las opiniones del mundo, de los dictados de los medios de comunicación”. Por el contrario, la auténtica emancipación consiste en liberarse de estas opiniones, en la libertad de los hijos de Dios. “Debemos rezar mucho al Señor para que nos ayude a emanciparnos y a ser libres en este sentido, con una fe realmente adulta que pueda ayudar también a los demás a llegar a la verdadera perfección (…) en comunión con Cristo”.

Hoy día, el concepto de verdad está bajo sospecha, porque se asocia al de violencia. Lamentablemente, en la historia ha habido episodios en los que se trataba de defender la verdad con la violencia. Sin embargo, las dos son contrarias. La verdad no se impone con otros medios que no sean ella misma. Puede llegar solo mediante su propia luz. Pero tenemos necesidad de la verdad. (…) Sin verdad, nos quedamos ciegos en el mundo, no tenemos un camino, El gran don de Cristo es precisamente que vemos el rostro de Dios y (…) conocemos el fondo, lo esencial de la verdad en Cristo”.

Donde está la verdad, nace la caridad -afirmó el Papa para terminar-. Gracias a Dios, podemos verlo a lo largo de los siglos: a pesar de los hechos negativos, los frutos de la caridad han estado siempre presentes en la cristiandad, y están también presentes hoy. Lo vemos en los mártires, en tantas monjas, frailes y sacerdotes que sirven humildemente a los pobres, los enfermos, que son presencia de la caridad de Cristo. Y son así el gran signo de que aquí está la verdad”.

(In: Blog do Vaticano)

O percurso do meu catequizando




O meu grupo de catequese deste ano está mais reduzido, porque este ano damos o 7º ano, o que significa que o ano passado celebrámos a Profissão de fé. Esta etapa é considerada pelos pais, um “terminus” da catequese infantil. Chegados aqui terminam a catequese: ou porque não lhes apetece levantar cedo para trazerem os filhos à catequese, ou para que estes fiquem liberados para o desporto da sua preferência, por preguiça, por desinteresse pelas coisas da religião....
Quando os filhos fizerem 18 anos, aí há que fazer o “crisma”, porque não podem casar ou serem padrinhos, se não o “tiverem” …

O mesmo é dizer que, se eu não tiver o 9º ano de escolaridade, não posso tirar a carta de condução! São estas “negociações” que eu denuncio, porque se está a deturpar a Lei de Deus, tal como antigamente os nossos ancestrais.

Algum tempo antes do “crisma” há uns encontros nas Obras Católicas, a que se chama “catequese de adultos” – tipo curso intensivo - onde se administram conhecimentos e o candidato é dado como apto. Após isto, o crismado geralmente nunca mais põe o pé na igreja.
Conta-se que um padre velhote queixava-se a outro, de que havia muitos ratos na Igreja e que não sabia como exterminá-los, ao que o outro respondeu: crisme-os …

Agora, os meus catequizandos já podem casar e serem padrinhos!!! Chegado o tempo, um pouco mais tarde, propõe-se casar. Mas não o podem fazer sem participarem num curso de preparação, realizado igualmente nas Obras Católicas: continuam fora da Igreja, não praticam, mas é-lhes administrado o Sacramento do Matrimónio com entrada triunfal na Igreja e a família oferece a centenas de convivas uma festa de arromba. Passados 2 a 3 anos, divorciam-se e voltam a casar, mas desta vez, a festa é realizada num lindo jardim, com os mesmos convidados.

E são estes dois que foram recebidos por mim há alguns anos atrás, com muito carinho e alegria. Estudei, rezei e empenhei-me muito para lhes passar a doutrina - a fé que os pais deveriam ter passado. São eles que os vi partir com tristeza e que nunca mais me conheceram... Os pais , a maior parte deles nunca os vi... Provavelmente também fizeram o mesmo percurso que os filhos estão fazendo.

É uma pena! Todos os anos se coloca o problema da catequese! Todos os anos se fica muito angustiado porque os pais não colaboram! Todos os anos se fala da mesma coisa... e nada acontece.
Meus amigos é urgente a Catequese de Adultos, mas aquela que é para a vida inteira, que chama as famílias – pais e filhos – que inclui os afastados, os isolados, os pecadores que somos todos nós. O Caminho Neocatecumenal tem esta “especialidade”. Porquê, as paróquias não incentivam os seus paroquianos a virem às Catequeses que estão a decorrer em Angra – nas Obras Católicas - e nas Lajes? Porquê, ao menos, não se olha para os frutos que o Espírito Santo nos está a oferecer através desta iniciação cristã?

Nesta Quaresma, a nossa reflexão passa também por nos conhecermos melhor: olhar para dentro de nós e encontrar o obstáculo que nos deixa na escuridão e tentar removê-lo. Se calhar, seria uma boa ideia pedir ajuda a um irmão da tua comunidade.

Ânimo. Peçamos ao Senhor que remova o orgulho do nosso coração e nos faça simples e humildes, à semelhança de Maria, nossa Mãe.

TEM UM BOM DIA


sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Sexta-feira depois das Cinzas




Partilha


Livro de Isaías 58,1-9a.

Eis o que diz o Senhor Deus: «Grita em voz alta, sem te cansares. Levanta a tua voz como uma trombeta. Denuncia ao meu povo as suas faltas, aos descendentes de Jacob, os seus pecados.
Consultam-me dia após dia, mostram desejos de conhecer o meu caminho, como se fosse um povo que praticasse a justiça, e não abandonasse a lei de Deus. Pedem-me sentenças justas, querem aproximar-se de Deus.
Dizem-me: «Para quê jejuar, se vós não fazeis caso? Para quê humilhar-nos, se não prestais atenção?» É porque no dia do vosso jejum só cuidais dos vossos negócios, e oprimis todos os vossos empregados.
Jejuais entre rixas e disputas, dando bofetadas sem dó nem piedade. Não jejueis como tendes feito até hoje, se quereis que a vossa voz seja ouvida no alto.
Acaso é esse o jejum que me agrada, no dia em que o homem se mortifica? Curvar a cabeça como um junco, deitar-se sobre saco e cinza? Podeis chamar a isto jejum e dia agradável ao SENHOR?
O jejum que me agrada é este: libertar os que foram presos injustamente, livrá-los do jugo que levam às costas, pôr em liberdade os oprimidos, quebrar toda a espécie de opressão,
repartir o teu pão com os esfomeados, dar abrigo aos infelizes sem casa, atender e vestir os nus e não desprezar o teu irmão.
Então, a tua luz surgirá como a aurora, e as tuas feridas não tardarão a cicatrizar-se. A tua justiça irá à tua frente, e a glória do SENHOR atrás de ti.
Então invocarás o SENHOR e Ele te atenderá, pedirás auxílio e te dirá: «Aqui estou!»


Livro de Salmos 51(50),3-4.5-6a.18-19.



Tem compaixão de mim, ó Deus, pela tua bondade;
pela tua grande misericórdia, apaga o meu pecado.

Lava-me de toda a iniquidade;
purifica-me dos meus delitos.

Reconheço as minhas culpas
e tenho sempre diante de mim os meus pecados.
Contra ti pequei, só contra ti,
fiz o mal diante dos teus olhos; 

Não te comprazes nos sacrifícios
nem te agrada qualquer holocausto que eu te ofereça.
O sacrifício agradável a Deus é o espírito contrito;
ó Deus, não desprezes um coração contrito e arrependido.




(EvangelhoQuotidiano)


Não há lugar ...







Fiquei preocupada ao saber que o lugar destinado à realização das Catequeses do Caminho Neocatecumenal, a decorrer em Angra do Heroísmo – Casa das Obras Católicas - ficou de repente, indisponível, tendo as mesmas sido transferidas para o Seminário Diocesano. Isto causaria um enorme desassossego, se ”estas coisas” fossem coisa dos homens, como querem fazer crer! Mas não é assim: “isto” é coisa de Deus. E os que frequentam as catequeses, estão a ser provados mais uma vez, pois muitos são chamados e poucos os escolhidos. É assim o Senhor quando nos escolhe para a missão: formar-nos, purificar-nos para sermos unidos e darmos testemunho do amor de Deus na dimensão da cruz, sermos luz e sal no meio dos irmãos.

Há uma passagem na Bíblia em que Jesus diz que não tem onde reclinar a cabeça … e parece que está a ser difícil deixarem o Senhor entrar no coração de pedra que cada um transporta no seu corpo. É importante para já reconhecer, que de facto, temos um coração mau e que é urgente transformá-lo num coração de amor.

Sempre que acontecem situações semelhantes a esta que tanto me indignou, lembro com tristeza as perseguições que os cristãos tiveram quando formaram as primeiras comunidades em Jerusalém, e por comparação, as que temos agora, embora ambas sejam diferentes no modo de agir.

Quando recebemos um convidado, damos sempre do melhor que temos, porque ele foi convidado pelo dono da casa; geralmente oferecemos o nosso quarto … e nós, ficamos mal instalados... É natural isso acontecer. Então todos os membros da família devem recebê-lo com delicadeza e alegria, provendo as suas necessidades.

Nesta Quaresma, peçamos a Deus perdão dos nossos pecados e discernimento para escolhermos fazer a Sua vontade .


TEM UM BOM DIA




quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Hoje rezei por ti.



Hoje fui a Fátima e rezei por ti e por todas as pessoas que gostam de mim; e por todas as pessoas que não gostam de mim; por aquelas que pediram orações e pelas que rezam por mim.
Tudo coloquei no regaço de Maria de Nazaré, a Mãe de Deus e nossa Mãe.
Fátima, hoje esteve assim: 







quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Quarenta dias para crescer no amor de Deus e do próximo




Festa da Igreja : Quarta-feira de Cinzas 






Livro de Joel 2,12-18.
Diz agora o Senhor: «Convertei-vos a Mim de todo o vosso coração com jejuns, com lágrimas, com gemidos.
Rasgai os vossos corações e não as vossas vestes, convertei-vos ao Senhor, vosso Deus, porque Ele é clemente e compassivo, paciente e rico em misericórdia.
Quem sabe? Talvez Ele mude de ideia e volte atrás, deixando, ao passar, alguma bênção, para oferenda e libação ao Senhor vosso Deus!
Tocai a trombeta em Sião, ordenai um jejum, proclamai uma reunião sagrada.
Reuni o povo, purificai a assembleia, juntai os anciãos, congregai os pequeninos e os meninos de peito. Saia o esposo dos seus aposentos e a esposa do seu tálamo nupcial.
Entre o pórtico e o altar chorem os sacerdotes, e digam os ministros do Senhor: «Tem piedade do teu povo, Senhor, não transformes em ignomínia a tua herança, para que ela não se torne o escárnio dos povos! Porque diriam: ‘Onde está o seu Deus?’»
O Senhor encheu-se de zelo pelo seu país e teve compaixão do seu povo.


Livro de Salmos 51(50),3-4.5-6a.12-13.14.17.
Tem compaixão de mim, ó Deus, pela tua bondade;
pela tua grande misericórdia, apaga o meu pecado.

Lava-me de toda a iniquidade;
purifica-me dos meus delitos.

Reconheço as minhas culpas
e tenho sempre diante de mim os meus pecados.
Contra ti pequei, só contra ti,
fiz o mal diante dos teus olhos; 

Cria em mim, ó Deus, um coração puro;
renova e dá firmeza ao meu espírito.
Não me afastes da tua presença,
nem me prives do teu santo espírito!

Dá-me de novo a alegria da tua salvação
e sustenta-me com um espírito generoso.
Abre, Senhor, os meus lábios,
para que a minha boca possa anunciar o teu louvor.



2ª Carta aos Coríntios 5,20-21.6,1-2.
Irmãos:Irmãos: É em nome de Cristo, portanto, que exercemos as funções de embaixadores e é Deus quem, por nosso intermédio, vos exorta. Em nome de Cristo suplicamo-vos: reconciliai-vos com Deus.
Aquele que não havia conhecido o pecado, Deus o fez pecado por nós, para que nos tornássemos, nele, justiça de Deus.
E como seus colaboradores, exortamo-vos a não receber em vão a graça de Deus.
Pois Ele diz: No tempo favorável, ouvi-te e, no dia da salvação, vim em teu auxílio. É este o tempo favorável, é este o dia da salvação.


Evangelho segundo S. Mateus 6,1-6.16-18.
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Guardai-vos de fazer as vossas boas obras diante dos homens, para vos tornardes notados por eles; de outro modo, não tereis nenhuma recompensa do vosso Pai que está no Céu.
Quando, pois, deres esmola, não permitas que toquem trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas, nas sinagogas e nas ruas, a fim de serem louvados pelos homens. Em verdade vos digo: Já receberam a sua recompensa.
Quando deres esmola, que a tua mão esquerda não saiba o que faz a tua direita,
a fim de que a tua esmola permaneça em segredo; e teu Pai, que vê o oculto, há-de premiar-te.»
«Quando orardes, não sejais como os hipócritas, que gostam de rezar de pé nas sinagogas e nos cantos das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa.
Tu, porém, quando orares, entra no quarto mais secreto e, fechada a porta, reza em segredo a teu Pai, pois Ele, que vê o oculto, há-de recompensar-te.
«E, quando jejuardes, não mostreis um ar sombrio, como os hipócritas, que desfiguram o rosto para que os outros vejam que eles jejuam. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa.
Tu, porém, quando jejuares, perfuma a cabeça e lava o rosto,
para que o teu jejum não seja conhecido dos homens, mas apenas do teu Pai que está presente no oculto; e o teu Pai, que vê no oculto, há-de recompensar-te.»


…............

Comentário ao Evangelho do dia feito por : São Gregório Magno (c. 540-604), papa e doutor da Igreja - Homilias sobre os evangelhos, nº 16, 5



Quarenta dias para crescer no amor de Deus e do próximo



Iniciamos hoje os santos quarenta dias da quaresma, e convém-nos examinar atentamente por que razão esta abstinência é observada durante quarenta dias. Moisés, para receber a Lei pela segunda vez, jejuou quarenta dias (Gn 34,28). Elias, no deserto, absteve-se de comer durante quarenta dias (1Rs 19,8). O Criador dos homens, ao vir para o meio dos homens, não tomou qualquer alimento durante quarenta dias (Mt 4,2). Esforcemo-nos também nós, tanto quanto nos for possível, por refrear o nosso corpo pela abstinência neste tempo anual dos santos quarenta dias [...], a fim de nos tornarmos, segundo a palavra de Paulo, «uma hóstia viva» (Rom 12,1). O homem é, ao mesmo tempo, uma oferenda viva e imolada (cf Ap 5,6) quando, sem deixar esta vida, faz morrer nele os desejos deste mundo.


Foi a satisfação da carne que nos levou ao pecado (Gn 3,6); que a carne mortificada nos leve ao perdão. O autor da nossa morte, Adão, transgrediu os preceitos de vida comendo o fruto proibido da árvore. É por conseguinte necessário que nós, que fomos privados das alegrias do Paraíso pelo alimento, nos esforcemos por reconquistá-las pela abstinência.


Mas ninguém suponha que esta abstinência é suficiente. O Senhor disse pela boca do profeta: «O jejum que Eu aprecio é este, [...] repartir o teu pão com o esfomeado, dar abrigo aos infelizes sem asilo, vestir o nu, e não desprezar o teu irmão» (Is 58,6-7). Eis o jejum que Deus aprova [...]: um jejum realizado no amor ao próximo e impregnado de bondade. Prodigaliza pois aos outros daquilo que retiras a ti próprio; assim, a tua penitência corporal permitir-te-á cuidar do bem-estar físico do teu próximo em necessidade.

(Evangelho Quotidiano)

HOJE É QUARTA-FEIRA DE CINZAS: TEMPO DE RENOVAÇÃO


Rasgai o vosso coração e não os vossos vestidos.”





A Quaresma começa hoje e com ela todo o clima de reflexão e paragem necessárias, nesta estrada de curvas e encruzilhadas meio confusas que, a segui-las, não nos levarão a lugar seguro. Estou a referir-me ao período de quarenta dias que a Igreja Católica nos oferece para melhor prepararmos a nossa maior festa, a Páscoa do Senhor.

Antigamente, “entrar” na Quaresma era sinónimo de entrarmos num túnel escuro, desagradável, sem luz à vista; tudo era muito sério, vestia-se roupa escura, alguns dias eram de duro jejum e abstinência … A criançada e os jovens não entendiam o por quê de tanta tristeza e por isso, só lhes restava recordar e pensar nas festas de carnaval que haviam ficado para trás tão precocemente e aí … é que também ficavam tristes.

Agora penso, que muitos dos nossos ascendentes, provavelmente nunca escutaram a Palavra onde Jesus exorta a fazermos um jejum alegre, de cabelo penteado, roupa bonita, de cara sorridente porque não é necessário que os outros se apercebam do nosso sacrifício, feito consciente e gratuitamente.

Felizes somos nós, que tivemos e temos catequistas que nos ensinam e nos “entregam” a Palavra de Deus já como um alimento fácil de digerir, apropriado à nossa fragilidade e pequenez, como diz S. Paulo Dei-vos a beber leite, não alimento sólido, pois não o poderíeis suportar. Mas nem sequer o podeis suportar agora, porque ainda sois demasiado naturais.

Então é muito bom sabermos que nos vamos reunir para celebrar de uma maneira especial, os próximos quarenta dias da Quaresma, porque temos fome e sede da Palavra de Deus, do Pão do Céu e do aconchego dos irmãos. Num só coração e com o mesmo Espírito sentir-nos-emos envolvidos e conduzidos pela Palavra com que todos os dias o Senhor nos irá presentear e extasiar. Nesta Quaresma se calhar iremos, muitos de nós, ficar estupefactos por nunca termos “escutado” semelhante coisa!

Ânimo! Está atento porque o Senhor está a chegar! Suplica-Lhe como o nosso Pai Abraão, para que não passe sem se deter junto de ti, que te ajude a rasgar o coração para dares tempo e espaço à Sua Palavra, que te ajude a tirar as máscaras que colocaste ao longo dos carnavais da tua vida.

Que o Senhor parta o nosso coração de pedra e nos dê um coração de carne, humilde, simples e que saiba louvar. Com este jejum e abstinência, prepararemos em comunidade cristã, a Páscoa da Ressurreição do Senhor. “ Tende compaixão de nós, Senhor, porque somos pecadores.

HOJE É O DIA DA SALVAÇÃO!



terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Terça-Feira de Carnaval



Coimbra, neste último dia de Carnaval, apresentou-se estranhamente silenciosa, sem comércio, sem gente  pelas ruas...
Vaguei um pouco por toda a "baixa" e devo dizer que até me soube bem esta calma ... até parecia que eu era a rainha desta cidade, pois a tinha só para mim!!!

Partilho contigo algumas fotos e um abraço.


Igreja de Santa Cruz: 10.30 h




A esplanada do "Santa Cruz" à mesma hora




Praça do Comércio às 11.00 h









segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Quaresma 2012




Mais uma vez, no caminho de preparação para a mais importante festa do calendário cristão, a Igreja nos propõe um tempo de preparação – de penitência e de escuta da palavra, de acolhimento do plano de Deus e de atenção aos irmãos.
Neste ano de 2012, os textos que nos serão apresentados ao longo destas cinco semana, mostram-nos um percurso claro e definido: Deus quer oferecer-nos um mundo onde a felicidade é possível (1º domingo) e a sua Palavra ensina-nos o caminho (2º domingo), Palavra que nos chama à conversão e à renovação (3º domingo). Aceitar esta Palavra implica, pois, mudar de vida. Fiquemos, contudo, certos do amor de Deus, gratuito e incondicional (4º domingo). Quanto a nós, temos de estar atentos ao seu plano de salvação e ir ao encontro dos outros, no amor e no serviço (5º domingo).
A “nova evangelização” a que a Igreja nos convida a todos nesta Quaresma impele-nos a não guardarmos este segredo do amor misericordioso de Deus e a partilhá-lo à nossa volta.
Com os votos de uma Santa Quaresma, saúda-vos com amizade
a equipa do Evangelho Quotidiano para a língua portuguesa.


(Mensagem acabada de chegar)

Bom dia






Da cidade de Coimbra, um abraço para todos vós. 

Jesus cura quem quer ser curado





Partilha







Evangelho de Marcos 9, 14-29
Quando Jesus, Pedro, Tiago e João chegaram perto dos outros discípulos, viram que eles estavam rodeados por uma grande multidão. Alguns doutores da Lei estavam a discutir com eles. Logo que a multidão viu Jesus, ficou surpreendida e acorreu a saudá-lO. Jesus perguntou aos discípulos: «Que é que estais a discutir com eles?» Alguém da multidão respondeu: «Mestre, eu trouxe-Te o meu filho que tem um espírito mudo. Cada vez que o espírito o ataca, lança-o ao chão e ele começa a espumar, range os dentes e fica completamente rijo. Eu pedi aos teus discípulos para expulsarem o espírito, mas eles não conseguiram». Jesus disse: «Ó gente sem fé! Até quando deverei ficar convosco? Até quando vos hei-de suportar? Trazei-mo cá». E levaram-Lhe o menino. Quando o espírito viu Jesus, sacudiu violentamente o menino, que caiu no chão e começou a rolar e a espumar pela boca. Jesus perguntou ao pai: «Há quanto tempo lhe sucede isto?» O pai respondeu: «Desde criança. E muitas vezes já o lançou ao fogo e à água para o matar. Se podes fazer alguma coisa, tem piedade de nós e ajuda-nos». Jesus disse: «Se podes!... Tudo é possível a quem tem fé». O pai do menino gritou: «Eu tenho fé, mas ajuda a minha falta de fé». Jesus viu que a multidão corria para junto d'Ele. Então ordenou ao espírito mau: «Espírito mudo e surdo, Eu te ordeno que saias do menino e nunca mais entres nele». O espírito sacudiu o menino com violência, deu um grito e saiu. O menino ficou como morto e por isso todos diziam: «Morreu!» Mas Jesus pegou na mão do menino, levantou-o, e o menino ficou de pé. Depois que Jesus entrou em casa, os discípulos perguntaram-Lhe à parte: «Porque é que nós não conseguimos expulsar o espírito?» Jesus respondeu: «Esta espécie de demónios não pode ser expulsa de nenhum modo, a não ser pela oração».



  • Jesus interpela a multidão e interpela-nos a cada um de nós. Sobre o que discutimos? O que é que nos preocupa? O que pode ele fazer por nós?
  • Não há nenhum espírito impuro, nenhum pecado, nenhuma falha para a qual Jesus não tenha solução. Basta que queiramos e que Lhe peçamos.
  • A fé dos discípulos, como a nossa, não era suficientemente forte. Tal como aquele pai temos de pedir a Deus que aumente a nossa fé.
  • Quantas vezes não sou igual aos doutores da lei, destrutivo e invejoso perante o outro?
    Jesus cura quem quer ser curado. Não da doença física mas daquela que o separa d’Ele.

(Enviado pelo Nuno, de Macau)


domingo, 19 de fevereiro de 2012

HOJE É O DIA DO SENHOR



VII Domingo do Tempo Comum


Igreja de Santa Cruz - Coimbra


"O Perdão dos Pecados"


O Evangelho de Marcos apresenta: "Quem é Jesus".
Já vimos que é aquele que liberta dos males físicos...
Hoje veremos que liberta também dos males espirituais.
E o pior deles é o PECADO...
No passado, havia uma idéia exagerada de pecado: "Tudo era pecado".
Hoje, muitos perderam a consciência do pecado e,
consequentemente, a necessidade do perdão e da misericórdia.

As Leituras falam do pecado e da atitude de Deus diante do pecador:
Toda a História da Salvação é uma mensagem de esperança,
um anúncio de perdão, uma manifestação do amor misericordioso de Deus.

A 1ª Leitura mostra Deus e o Pecado do seu Povo. (Is 43,18-19.21-24b-25)

Os israelitas, escravos e humilhados na Babilônia, se perguntavam:
"Por que Deus permitiu que fôssemos reduzidos a escravos,
depois de ter dado tantas provas de amor no passado?
Terá Deus esgotado sua paciência diante da dureza do nosso coração?"
- Pelo profeta, Deus responde, com amor e ternura:
"Não penseis no passado... Sou eu quem apaga tuas culpas...
e já não me lembrarei dos teus pecados".

* A situação desesperadora dos exilados na Babilônia
é uma imagem do que acontece com aqueles que se afastam de Deus
e se tornam escravos dos seus pecados.
O que fazer então? Perder qualquer esperança?

Não, Deus continua sendo o libertador, como no passado.
Deus responde com misericórdia e perdão... Perdoa e esquece...
Deus continua sempre amando seu povo... mesmo quando pecador...

A 2ª Leitura é um convite a vivermos com autenticidade
o nosso SIM a Deus. (2Cor 1,18-22)

O Evangelho apresenta Jesus e o Pecado. (Mc 2,1-12)

- Jesus, excluído da Sinagoga, começa a ensinar nas "casas",
onde se juntava grande número de pessoas para escutar sua Palavra.
- Chega "à casa" um paralítico, que não pode mover-se por si mesmo,
transportado por "quatro" amigos que o introduzem pelo teto...
- Jesus, vendo a fé deles, afirma: "Filho, os teus pecados estão perdoados".
- Os Escribas "sentados" na casa reagem:
"Está blasfemando!... Só Deus pode perdoar pecados..."
- E Jesus reafirma: "Para que saibais que o Filho do Homem
tem o poder de perdoar... levanta-te e vai..."
A cura, acompanhada do perdão, é sinal da Salvação integral,
proporcionada pela graça e misericórdia do Senhor.
- E diante disso, o povo reage: "Nunca vimos coisa semelhante..."
O paralítico, livre da "cama" que o prendia,
purificado e reconciliado com Deus, agora é um homem novo, livre,
que rejeita a escravidão do pecado e adere a Jesus e ao seu Reino.

* O Paralítico representa a humanidade inteira, afastada de Deus e
impossibilitada não só de conseguir a própria cura,
mas até de aproximar-se daquele que a pode proporcionar.
O perdão dos pecados é sempre iniciativa da misericórdia infinita de Deus.
A Humanidade só pode mesmo apresentar a Jesus a própria enfermidade...

+ A Igreja continua o perdão de Jesus:
O poder de perdoar os pecados, que Jesus tinha, continua na Igreja
a quem foi entregue na 1ª aparição do Cristo Ressuscitado:
"Recebam o Espírito Santo, a quem perdoardes... serão perdoados..."
Os apóstolos foram perdoados... e enviados a perdoar em nome de Deus...

+ A Igreja é comunidade do perdão fraterno:
A Igreja não é uma Comunidade de santos, mas de pecadores perdoados...
que precisam pedir e oferecer o perdão...
No Pai Nosso: "perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos..."
* Portanto, o perdão, que necessitamos, depende do perdão que damos...

+ O Sacramento da Reconciliação ou Penitência...
Não pode se reduzir a apenas um ritualismo de contar os pecados ao padre.
Precisa um processo de conversão, pelo qual
o cristão se reconhece pecador e deseja refazer sua vida cristã.

+ Sacramento da Alegria: Nasceu no dia de Páscoa,
num clima de alegria e vitória (sobre a morte e o pecado).
A alegria de experimentar o Perdão do Senhor e a Comunhão com os irmãos...
sentir-se perdoado e aceito por um Deus, pai e amigo, que nos repete :
"Filho, teus pecados estão perdoados..."

+ Gesto de solidariedade: caminho de libertação:
Enquanto os ouvintes e seguidores de Cristo "sentados" enchiam a casa...
e impediam o doente de se aproximar...
os quatro amigos solidários encontraram o jeito para levar o doente até Jesus.
E Jesus "vendo a fé que ELES tinham...": curou o doente...

* Muitos dos nossos irmãos continuam vítimas de sistemas de exclusão,
porque não conseguimos testemunhar os valores do "Reino" e
não somos sinais da ternura e da bondade de Deus

- E Nós, que enchemos as igrejas, podemos ficar pensando só em nós...
impedindo que os "paralíticos" de hoje se aproximem de Jesus
ou acompanhamos essas pessoas até Cristo, para que as liberte?

Qual é a nossa atitude diante do pecado?
Reconhecemos com humildade os nossos pecados?
Buscamos com regularidade o perdão de Deus, que nos é dado através da Igreja?

Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa - 19.02.2012

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Se não fosse a Arte Sacra, que seria dos Museus?







O dia da última quinta feira, foi passado no Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa. O que lá nos levou, foi uma exposição espanhola de Arte Sacra proveniente de Valladolid, mas acabamos por ver todas as exposições.
Umas são esculturas, outras pinturas, passando por mobiliário e peças de uso doméstico e acabando na joalharia … Tudo marcado com o século XVIII.
Eu pensava, na minha ignorância, que ia ver pintura que tentasse “reproduzir” a realidade dos personagens... onde e quando viveram os seus protagonistas; gostaria que fosse mais fidedigna, real, mas afinal a maior parte era fantasia, ficção... Isto foi assim na mostra religiosa. Se um ateu caísse na sala a que eu me refiro, fugiria escandalizado.

Por exemplo, eu vi um quadro pintado, cujo tema era a “Virgem com os Santos” e esse encontro passava-se numa paisagem idílica, em que a Virgem estava rodeada de pajens, mulheres e homens vestidos como se fossem para um baile... que Mãe do Céu esta! Que santos?
Santo Agostinho estava imponente com uma capa bordada a ouro, olhar sobranceiro e os dedos cheios de anéis. É este o nosso Santo?
Cristo flagelado, mas com um “ar” muito altivo para o meu gosto!
A Sagrada Família de Nazaré, que viveu na humildade, na simplicidade e no louvor a Deus, foi pintada num palácio, mostrando grande riqueza.

Também vi Maria e João aos pés da Cruz e gostei porque traduzia a realidade , a vivência em que se passou aquela cena da paixão.

Fomos de seguida almoçar e passear pelo jardim do Museu. Boa comida, sossego, o rio mesmo em frente com barcos a cruzarem o seu leito, o céu azul … lindo mesmo!

Seguiu-se a opulência do interior das casas: as baixelas de prata, de ouro, mobiliário do mais requintado, jóias grandiosas ornadas de pedras preciosas …
Também havia uma proliferação de custódias, estas, objectos sagrados porque foram usadas nos altares da nossas Igrejas.
A mais emblemática era a Custódia de Belém, que se encontrava em pedestal especial. Tão importante que passavam vários grupos de alunos a estudarem-na. Claro que o Senhor merece esta custódia e muito mais, mas o homem não tem dinheiro para pagar uma melhor. Demos então o que Ele gosta: o nosso coração!... e a custódia ficará lá na sua montra para ser apreciada e estudada.

Eu sei que não entendo nada de arte. Eu nunca vou a museus, não gosto. Mas fiz esta experiência e gostei, mesmo criticando aqueles que inventaram, que pegaram em personagens importantes da minha religião e deturparam o sentido, a vivência, a realidade das mesmas.
Mas concordam comigo se eu afirmar: se não fosse a Arte Sacra, que seria dos Museus?

PASSA UM BOM DIA

(Coimbra, 18.02.2012)

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

O DEUS ÚNICO




A Catequese de ontem (14.02.2012)desenvolveu-se a partir da questão Quem é Deus para ti?, feita a toda a assembleia.
Foram dadas algumas respostas as quais me deram a ideia de haver vários deuses: a cada resposta, o seu deus.
Então, o Catequista começou a tecer a verdadeira resposta dando para tal, exemplos da intervenção de Deus na vida do Homem, ao longo da História da nossa Salvação. 

A primeira referencia vem do Livro de Job. Nesta história Job é apresentado como um homem crente, rico, com uma família numerosa, muitos amigos e gozando de uma boa saúde. De repente, fica muito doente, sem família, desprezado pelos amigos. A viver uma vida desgraçada suplicava a Deus que lhe valesse. Todavia, apesar de tanto sofrimento, teve sempre a esperança no socorro de Deus e nunca O renegou. O Senhor o ouviu e quis que ele recuperasse toda a sua vida anterior. No final do Livro de Job , este diz “antes conhecia a Deus por aquilo que os outros me diziam; agora eu vejo Deus face a face.”

Outra história, a de Abraão, nosso Pai na fé. Abraão, era um velho nómada, casado com uma mulher também muito velha e estéril, sem terra, politeísta, vivia num clã. Deus entra na sua história de vida, chamando-o para realizar uma missão, dizendo que saia da sua terra e que vá para a terra que Ele lhe indicar, prometendo dar-lhe um filho e terra. Deus cumpriu a sua promessa: deu-lhe um filho, Isaac e a Terra Prometida. Porém, Abraão foi provado na sua fé, para merecer a graça de Deus.

O Povo Hebreu foi escolhido por Deus para que a salvação chegasse a toda a Humanidade. Este povo era escravo no Egipto e clamou a Deus por protecção. O Senhor ouviu o seu clamor e tirou-o do Egipto, abriu o Mar Vermelho para eles passarem a pé enxuto, fechando-o atrás e matando o exercito egípcio. Levou o Povo para o deserto para os educar, formar e provar a sua fé. Este povo rebelde tentou a Deus por várias vezes, enquanto vagueava pelo deserto. Deus permitiu que caíssem na miséria de não terem que comer e beber, para concluírem que o homem nada pode com as suas próprias forças, mas sim só com as de Deus.

O Deus que adoramos, é único e fiel. Quer intervir na história de cada um de nós para nos mostrar o seu grande amor e cumpre sempre o que promete. É o Deus da nossa vida. É o Deus connosco.

Ele promete HOJE, levar-nos pelo caminho da fé adulta, se nos deixarmos levar pela Sua VOZ.
Ânimo!


(Coimbra, 17 de Fevereiro 2012)


terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

O sofrimento, visto pela sabedoria do Santo Padre


PAPA BENTO XVI
ANGELUS
Praça de São Pedro
Domingo, 5 de Fevereiro de 2012


Prezados irmãos e irmãs

O Evangelho deste domingo apresenta-nos Jesus que cura os doentes: em primeiro lugar a sogra de Simão Pedro, que estava de cama com febre e Ele, tomando-a pela mão, curou-a e fez erguer-se; depois, todos os enfermos de Cafarnaum, provados no corpo, na mente e no espírito, e Ele «curou muitos... e expulsou numerosos demónios» (Mc 1, 34). Os quatro Evangelistas testemunham de maneira concorde que a libertação de doenças e enfermidades de todos os tipos constituiu, juntamente com a pregação, a principal actividade de Jesus na sua vida pública. Com efeito, as doenças são um sinal da obra do Mal no mundo e no homem, enquanto as curas demonstram que o Reino de Deus, o próprio Deus, está próximo. Jesus Cristo veio para derrotar o Mal pela raiz, e as curas constituem uma antecipação da sua vitória, alcançada com a sua Morte e Ressurreição.
Um dia, Jesus disse: «Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os enfermos» (Mc 2, 17). Naquela circunstância, referia-se aos pecadores, que Ele veio chamar e salvar. No entanto, permanece verdade que a doença é uma condição tipicamente humana, na qual experimentamos em grande medida que não somos auto-suficientes, mas temos necessidade dos outros. Neste sentido poderíamos dizer, com um paradoxo, que a doença pode ser um momento salutar, no qual podemos experimentar a atenção dos outros e oferecer a nossa ao próximo! Todavia, ela é sempre uma prova, que pode tornar-se também longa e difícil. Quando a cura não chega, e os sofrimentos se prolongam, podemos permanecer como que esmagados, isolados, e então a nossa existência deprime-se e desumaniza-se. Como devemos reagir a este ataque do Mal? Certamente, com as curas apropriadas — nestas décadas a medicina fez grandes progressos, e por isso estamos gratos — mas a Palavra de Deus ensina-nos que há uma atitude decisiva e fundamental, com a qual enfrentar a enfermidade, e é a da fé em Deus, na sua bondade. Jesus repete-o sempre às pessoas que Ele cura: A tua fé salvou-te! (cf. Mc 5, 34.36). Até diante da morte, a fé pode tornar possível aquilo que, humanamente, é impossível. Mas fé em quê? No amor de Deus. Eis a verdadeira resposta, que derrota radicalmente o Mal. Assim como Jesus enfrentou o Maligno com a força do amor que lhe vinha do Pai, também nós podemos enfrentar e vencer a prova da doença, conservando o nosso coração imerso no amor de Deus. Todos nós conhecemos pessoas que suportaram sofrimentos terríveis, porque Deus lhes concedia uma serenidade profunda. Penso no exemplo recente da beata Chiara Badano, extinguida na flor da juventude por um mal sem salvação: aqueles que a visitavam recebiam dela luz e confiança! Todavia, na doença todos nós temos necessidade de calor humano: para confortar uma pessoa enferma, mais do que as palavras conta a proximidade tranquila e sincera.

Estimados amigos, no próximo sábado, 11 de Fevereiro, memória da Bem-Aventurada Virgem Maria de Lourdes, é o Dia Mundial do Doente. Façamos também nós como as pessoas da época de Jesus: espiritualmente, apresentemos-lhe todos os doentes, convictos de que Ele quer e pode curá-los. E invoquemos a intercessão de Nossa Senhora, de modo especial para as situações de maior sofrimento e abandono. Maria, Saúde dos enfermos, intercede por nós!

Depois do Angelus
A neve é bonita, mas esperemos que chegue depressa a Primavera!

(Do site do VATICANO)


domingo, 12 de fevereiro de 2012

HOJE É O DIA DO SENHOR



IV Domingo do Tempo Comum - B




Os Excluídos


Marcos, no seu Evangelho, vai mostrando: "Quem é Jesus".
Não se preocupa com definições abstratas...
mas apresenta concretamente Jesus agindo.
A partir de seus gestos, podemos descobrir quem ele é:
- Jesus liberta o homem possuído por um espírito mau;
- Estende a mão à sogra de Pedro e ajuda a levantar-se;
- HOJE vemos a sua atitude para com os marginalizados e EXCLUÍDOS.

A 1 a Leitura mostra severa discriminação dos LEPROSOS,
na lei de Moisés:
"O leproso andará com vestes rasgadas, cabelos soltos e barba coberta...
Viverá isolado, morando fora do acampamento...
Ao se encontra com alguém, deve gritar: sou impuro..." (Lv 13,1-2.44-46)

O preceito se explica pela preocupação de contágio
e pelo conceito dos hebreus, que viam na lepra um castigo de Deus...
O Leproso era assim um castigado de Deus e um excluído da comunidade.

Na 2ª Leitura, Paulo convida a "fazer tudo para a glória de Deus". (1Cor 10,31-11,1)

No Evangelho, vemos a atitude de Cristo para um LEPROSO:
purifica o doente e o reintegra na sua comunidade. (Mc 1,40-45)

- Um leproso, contrariando a lei, aproxima-se de Jesus...
e de joelhos implora: "Se queres, podes limpar-me..."
- Jesus "se compadece", "estende a mão e toca-o..."
e restitui a saúde: "Eu QUERO, fica curado..."

Ao acolher e tocar o leproso, Jesus transgredia a lei, que proibia tocar neles.
Mas logo em seguida a cumpre: manda apresentar-se ao Sacerdote,
a quem cabia a decisão de reconhecer a cura e reintegrar na comunidade.
Para Cristo, a caridade está acima da Lei...
Jesus "compadecido" cura dois males: o mal da solidão e o mal da lepra.
E reintegra o leproso na convivência fraterna...

- O Leproso, ao experimentar o poder salvador de Jesus,
torna-se um ardoroso testemunha do amor e da bondade de Deus.

* Deus não exclui ninguém.
Todos são chamados a integrar a família dos filhos de Deus.
O Leproso não é um marginal, um pecador condenado, um homem indigno,
mas um filho amado a quem Deus quer oferecer a Salvação e a vida.

* O Caminho do leproso deve ser o caminho de todo discípulo:
- Vir a Jesus, aceitar a própria limitação humana,
- experimentar a misericórdia e o poder libertador do Senhor
- e finalmente tornar-se testemunha das grandes obras de Deus.



* Outros vêm nesse episódio elementos do Sacramento da Penitência:
A Penitência é um encontro com Jesus, que cura da lepra do pecado e
re-introduz na comunidade eclesial.

Os leprosos de hoje...

Infelizmente a "lepra" ainda hoje existe em nossa sociedade e na Igreja.
Há muitos excluídos, mantidos "fora do acampamento".
- São rejeitados, como se fossem leprosos, todos os "DIVERSOS":
os que pensam ou agem diferente de nós....

- E quando alguém se sente um "leproso", a quem ele deve se dirigir?
Será que poderá contar com o apoio dos cristãos de sua comunidade,
com a mesma confiança do leproso que procurou Jesus ?

Leprosos de hoje são os que vivem nos barracos das favelas das cidades ricas;
são os desempregados das cidades industriais; os jovens drogados,
vítimas de uma sociedade consumista; são as crianças abandonadas;
são os idosos sem vez no emprego e na família, como produto descartável...
= São lepras que matam muito mais do que a lepra do tempo de Jesus.

+ Jesus não teve repugnância dos leprosos...

Pelo contrário, aproxima-se deles, porque vê neles um filho de Deus.
* Qual é a nossa atitude para com eles?
Nossos preconceitos, nosso legalismo não estão criando
marginalização e exclusão para os nossos irmãos?

- Jesus sentiu "compaixão"...
* O que sentimos diante do sofrimento, da injustiça, da miséria de um irmão?
"Estendemos a mão" ou apenas lamentamos: "Coitado"?

- A cura da lepra era um Sinal dos tempos messiânicos...
No Antigo Testamento, só dois grandes profetas tinham curado a lepra:
Moisés (sua irmã Maria) e Eliseu (Naaman, o Sírio).
- Os guias religiosos não reconhecem o dia da libertação...
- O leproso curado o vislumbra e o testemunha com entusiasmo.

O encontro com Jesus transformou totalmente a vida do leproso.
Ele não podia esconder a alegria, que esse encontro produziu na sua vida
e sentiu a necessidade de dar testemunho.

* O nosso encontro com Cristo nessa eucaristia nos torna capazes
de testemunhar no meio de nossos irmãos, com alegria e entusiasmo,
a libertação que Cristo nos trouxe?

- Quais são os NOSSOS leprosos... que excluímos do nosso convívio?
Estamos dispostos, a exemplo de Cristo,
nos aproximar deles e estender a nossa mão?

Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa - 12.02.2012