quinta-feira, 11 de setembro de 2025

Leão XIV encoraja fiéis a não reprimir grito de dor a Deus: Quando nasce do amor, o brado nunca é inútil


Papa Leão XIV segura criança em audiência geral no Vaticano ??
Papa Leão XIV segura criança em audiência geral no Vaticano. Imagem referencial. | Vatican Media
 

Em sua catequese de hoje (10), o papa Leão XIV disse que o grito de dor dos fiéis, como o de Jesus na cruz, não é sinal de fraqueza, mas de humanidade que pode se transformar em esperança e num modo extremo de oração.

A chuva em Roma impediu que o papa passasse muito tempo cumprimentando os fiéis na praça de São Pedro. A bordo do papamóvel, ele percorreu a praça em meio a aplausos e vivas, parando para dar sua bênção, especialmente às crianças.

Leão XIV dedicou sua catequese na audiência geral, que começou um pouco atrasada por cerca de cinco minutos, à reflexão sobre o "ápice da vida de Jesus neste mundo: a sua morte na cruz".

Especificamente, o papa destacou um “detalhe muito precioso” e convidou os fiéis a contemplá-lo com a “inteligência da fé”. “Na cruz, Jesus não morre em silêncio”, disse ele.

Um grito que manifesta o maior amor

Cumprida a sua missão na Terra, Cristo deixou a sua vida com um grito: "Jesus, dando um forte grito, expirou (cf. Mc 15, 37)". Segundo o papa, "esse brado encerra tudo: dor, abandono, fé, oferenda”.

“Não é só a voz de um corpo que cede, mas o último sinal de uma vida que se entrega", disse Leão XIV.

Ele disse também que o grito foi precedido por uma pergunta, “uma das mais dilacerantes que podem ser pronunciadas: Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?”

O papa Leão XIV enfatizou que, naquele momento final, Jesus experimenta o silêncio, a ausência e o abismo. No entanto, segundo o papa, "não se trata de uma crise de fé, mas da última etapa de um amor que se oferece até ao fim".

"O clamor de Jesus não é desespero, mas sinceridade, verdade levada ao limite, confiança que resiste até quando tudo se cala", enfatizou ele.

Leão XIV também enfatizou que "é ali, naquele homem angustiado, que se manifesta o maior amor”.

“É ali que podemos reconhecer um Deus que não permanece distante, mas atravessa a nossa dor até ao fim", disse o papa.

Gritar não é sinal de fraqueza, mas um ato de humanidade.

Dizendo que o centurião reconheceu n'Ele o Filho de Deus, Leão XIV disse que, às vezes, “o que não conseguimos proferir com palavras, expressamos com a voz”.

"Quando o coração está cheio, clama”, disse ele. E isso nem sempre constitui um sinal de fraqueza, mas pode ser um ato profundo de humanidade".

Embora as pessoas estejam acostumadas a pensar no grito como algo corrompido, algo que deve ser reprimido, o papa disse que o Evangelho dá ao grito "um valor imenso, recordando-nos que pode ser invocação, protesto, desejo, entrega".

Esse grito, como o de Jesus, "pode ser até a forma extrema da oração, quando já não temos palavras".

“Naquele clamor, Jesus colocou tudo o que lhe restava: todo o seu amor, toda a sua esperança!", disse Leão XIV.

Neste contexto, ele enfatizou que esse grito também contém “uma esperança que não se resigna”, pois “grita-se quando se acredita que alguém ainda pode ouvir”.

 

 

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