O papa Leão XIV celebrou hoje (5) a missa por ocasião do Jubileu dos Migrantes e dos Missionários | Daniel Ibañez/ EWTN News5 de out de 2025 às 13:41
O papa Leão XIV advertiu sobre o “estigma da discriminação” contra os imigrantes e pediu que se promova "uma nova cultura de fraternidade em torno do tema da migração, para além de estereótipos e preconceitos".
"Irmãos e irmãs, aqueles barcos que desejam avistar um porto seguro onde atracar e aqueles olhos cheios de angústia e esperança que procuram terra firme onde desembarcar não podem nem devem encontrar a frieza da indiferença ou o estigma da discriminação!", declarou o papa.
O papa expressou estas reflexões durante a missa de hoje (5), na Praça São Pedro, por ocasião do Jubileu do Mundo Missionário e do Jubileu dos Migrantes, dois momentos centrais do Ano Santo 2025, celebrados nos dias 4 e 5 de outubro.
Leão XIV falou sobre o "drama" dos imigrantes que fogem da "violência" e destacou "o sofrimento que os acompanha, o medo de não conseguirem, o risco de travessias perigosas ao longo das costas marítimas, o seu grito de dor e desespero".
“Penso em particular nos irmãos migrantes, que tiveram de abandonar a sua terra, muitas vezes deixando os seus entes queridos, atravessando noites de medo e solidão, vivendo na pele a discriminação e a violência”, disse.
Não refugiarmos no conforto do nosso individualismo
Durante a homilia, ele pediu aos católicos que não se refugiem no conforto do “individualismo”, mas que olhem “nos olhos” daqueles que “chegam de terras distantes e martirizadas” e lhes “abram os braços e o coração”, os acolham "como irmãos” e sejam "para eles uma presença de consolação e esperança”.
Depois parabenizou a ação dos “missionários, mas também os crentes e as pessoas de boa vontade que trabalham ao serviço dos migrantes” e disse: "o Espírito envia-nos para continuarmos a obra de Cristo nas periferias do mundo, por vezes marcadas pela guerra, pela injustiça e pelo sofrimento”.
E disse que o Jubileu do mundo Missionário e dos Migrantes "é uma bonita ocasião para reavivar em nós a consciência da vocação missionária, que nasce do desejo de levar a alegria e a consolação do Evangelho a todos, especialmente a quem está a viver uma história difícil e ferida".
"Perante estes cenários sombrios", continuou o papa, "ressurge o grito que tantas vezes na história se elevou a Deus: por que razão, Senhor, não intervindes? Por que razão pareceis ausente? Este grito de dor é uma forma de oração que permeia toda a Escritura".
Assim, citou as palavras proferidas pelo papa Bento XVI durante a sua histórica visita ao campo de concentração nazista de Auschwitz, em setembro de 2011, e destacou que "força do amor de Deus que abre caminhos de salvação".
A fé “transforma nossa existência” tornando-a “um instrumento de salvação”
“Existe uma vida, uma nova possibilidade de vida e salvação que provém da fé, porque ela não só nos ajuda a resistir ao mal, perseverando no bem, mas transforma a nossa existência de tal forma que a torna um instrumento da salvação que Deus ainda hoje quer realizar no mundo”, ressaltou.
A celebração reuniu milhares de fiéis de todo o mundo, entre eles missionários leigos e religiosos vindos de mais de 100 países, bem como comunidades de imigrantes residentes na Europa.
Na sua homilia, o papa quis unir as duas faces da Igreja em saída — a do missionário e a do migrante —, lembrando que ambos têm em comum a fé que caminha, que sai de si mesma.
Dirigindo-se especialmente aos participantes do Jubileu do mundo missionário e do Jubileu dos migrantes, Leão XIV expressou: “envio com carinho a minha bênção ao clero local das Igrejas particulares, aos missionários e missionárias, e àqueles que estão em discernimento vocacional”.
Em seguida, dirigiu-se aos migrantes dizendo: “Sede sempre bem-vindos!”. Leão XIV afirmou que a fé é uma “força da mansidão” que “não se impõe com os meios do poder e de forma extraordinária”.
E ressaltou que a salvação de Deus "se realiza quando nos comprometemos pessoalmente e nos interessamos, com a compaixão do Evangelho, pelo sofrimento do próximo”.
“É uma salvação que, silenciosa e aparentemente ineficaz, abre caminho através dos gestos e das palavras quotidianas, que se tornam como a pequena semente de que nos fala Jesus; é uma salvação que cresce lentamente quando nos tornamos “servos inúteis”, ou seja, quando nos colocamos ao serviço do Evangelho e dos irmãos sem procurar os nossos interesses, mas apenas para levar ao mundo o amor do Senhor”, frisou.
Nova era missionária na história da Igreja
"Com essa confiança", disse Leão XIV "somos chamados a renovar em nós o fogo da vocação missionária” e anunciou: "Hoje inaugura-se na história da Igreja uma nova era missionária"
Ele disse que "não se trata tanto de “partir” em missão, "mas sim de “ficar” para anunciar Cristo através do acolhimento, da compaixão e da solidariedade".
“Se durante muito tempo associámos a missão ao “partir”, ao ir para terras distantes que não conheciam o Evangelho ou se encontravam na pobreza, hoje as fronteiras da missão já não são geográficas, porque a pobreza, o sofrimento e o desejo de uma esperança maior vêm ao nosso encontro”, acrescentou.
“Tudo isso”, segundo o papa, “exige pelo menos dois grandes compromissos missionários: a cooperação missionária e a vocação missionária” e pediu primeiramente que se promova "uma renovada cooperação missionária entre as Igrejas" que suscite "um cristianismo mais aberto".
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