sábado, 15 de outubro de 2016

Um nome sonhado


Missa em Santa Marta

No bilhete de identidade de cada cristão há o nome que Deus escolheu com a mesma ternura de uma mãe e de um pai que «sonham a própria criança». E há também três características irrenunciáveis: «bendito porque escolhido, porque perdoado e porque a caminho». Eis os sinais de identificação do cristão indicados pelo Papa na missa celebrada na manhã de quinta-feira, 13 de outubro, na capela da Casa Santa Marta.
«Na oração da coleta – Francisco realçou imediatamente – pedimos ao Senhor que a sua graça «nos preceda e nos acompanhe», para que não nos cansemos de ir pelo caminho cristão». Portanto, explicou, «precisamos da graça para não nos cansarmos», porque «nós, sozinhos, não o podemos fazer».
Trata-se então de compreender bem, afirmou o Papa, qual é «este caminho, esta identidade cristã». Nisto pode-nos ajudar o próprio apóstolo Paulo que, no início da carta aos Efésios (1, 1-10) proclamada na liturgia «explica qual é a identidade cristã, e antes de tudo diz: “Fomos abençoados”. O cristão é um abençoado: abençoado pelo Pai, por Deus».
Paulo propõe três traços característicos desta bênção. O primeiro é: «o cristão é uma pessoa escolhida; nós somos escolhidos; Deus escolheu-nos um por um, não como uma multidão oceânica, como uma massa de gente». Ao contrário, Deus «deu-nos um nome, conhece-nos pelo nome um por um». Eis que cada um pode dizer: «Eu sou abençoado, porque sou conhecido pelo Pai, fui escolhido pelo Pai, fui esperado pelo Pai».
A fim de fazer compreender esta verdade, o Papa recorreu à imagem de «um casal, quando espera um bebé». Os dois pais questionam-se: «Como será? Como será o seu sorriso? Como falará». E do mesmo modo, afirmou, «ouso dizer também nós, cada um de nós, foi sonhado pelo Pai como um pai e uma mãe sonham o filho que esperam». E «isto dá-te uma grande segurança. O pai quis-te, especificamente a ti, a cada um de nós». Esta consciência «é o fundamento, é a base da nossa relação com Deus: nós falamos a um Pai que nos ama, que nos escolheu, que nos deu um nome».
«O cristão foi escolhido, foi sonhado por Deus, afirmou Francisco o qual fez referência à necessidade de se sentir parte de uma comunidade, um pouco como o torcedor que escolhe e pertence a uma equipa de futebol. Quando pensamos que fomos escolhidos e sonhados por Deus, explicou o Papa, «sentimos no coração uma grande consolação: não somos abandonadas, não estamos pela estrada da vida “desenrascando como podermos”, temos um nome sonhado por Deus». A primeira característica da bênção é que «somos escolhidos».
Na carta aos Efésios, Paulo Escreve: «Deus concedeu-nos a sua gloriosa graça no Filho amado.
Nele temos, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, o perdão das culpas conforme a riqueza da sua graça». Um trecho que nos revela a segunda caraterística: «o cristão é uma pessoa “perdoada”». Com efeito, um homem ou uma mulher que não se sentem perdoados não são plenamente cristãos, assemelham-se «àquele homem que estava diante do altar e dizia “agradeço-te Senhor, porque não preciso de perdão, eu não cometo pecados como todos os outros!”». Mas «um só – recordou o Pontífice – não foi perdoado, porque era tanta a soberba que não deu lugar ao perdão: o diabo». Ao contrário, todos «fomos perdoados com o preço do sangue de Cristo».
É importante, sugeriu Francisco, fazer também um pouco de exercício de memória para recordar bem «o que me foi perdoado», tendo em conta «as coisas más que fiz, não as que fez o teu amigo, o teu vizinho, a tua vizinha: as tuas!». Tudo isso com a certeza de que o Senhor «perdoou estas coisas» que fizemos na vida. Eis, disse o Papa, «eu sou abençoado, sou cristão»: e «isto é, primeira caraterística, sou escolhido, sonhado por Deus, com um nome que Deus me deu, amado por Deus». E, «segunda caraterística», fui «perdoado por Deus».
Na carta aos Efésios, Paulo escreve: «O Pai fez-nos conhecer o mistério da sua bondade, segundo a benevolência que nele se propusera para o governo da plenitude dos tempos: reconduzir a Cristo, único chefe, todas as coisas». Por conseguinte, afirmou Francisco, «o cristão é um homem e uma mulher a caminho rumo à plenitude, rumo ao encontro com o Cristo que nos redimiu».
A ponto que «não se pode compreender um cristão parado». Com efeito, «o cristão deve ir sempre em frente, deve caminhar». Ao contrário «o cristão parado é aquele homem que tinha recebido o talento e devido ao medo da vida, ao medo de o perder, ao medo do dono, por medo ou comodidade, enterrou-o, e deixou-o ali, ficando tranquilo e levando a vida sem ir» em frente. Eis por que «o cristão é um homem a caminho, uma mulher a caminho, que faz sempre o bem, que procura fazer o bem, ir em frente».
Esta é «a identidade cristã: abençoados, porque escolhidos, porque perdoados e porque a caminho», concluiu o Pontífice, sublinhando que «é bom viver assim: não somos anónimos, não somos soberbos, a ponto de não precisar do perdão, não somos parados». O auspício do Papa é que «o Senhor nos conserve esta graça, que o Senhor nos acompanhe com esta graça da bênção que nos deu, ou seja, a bênção da nossa identidade».

(osservatoreromano)


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