quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Palavra de Vida





“A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma.
Ninguém considerava suas as coisas que possuía,
mas tudo entre eles era posto em comum”.


Essa Palavra apresenta um daqueles “sumários” (veja também 2,42 e 5,12-16) com os quais o autor dos Atos dos Apóstolos retrata, em grandes linhas, a primeira comunidade cristã de Jerusalém. Nesse trecho, a comunidade distinguia -se por um extraordinário vigor e dinamismo espirituais, pela oração e pelo testemunho e, principalmente, por uma grande unidade, sendo essa a característica que Jesus tinha desejado como sinal inconfundível e fonte de fecundidade da sua Igreja.


O Espírito Santo – recebido no Batismo por todos os que acolhem a palavra de Jesus – é espírito de amor e de unidade. Portanto, era Ele que fazia de todos os fiéis uma só coisa com o Ressuscitado e entre si, superando todas as diferenças de raça, de cultura e de classe social.

“A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém considerava suas as coisas que possuía, mas tudo entre eles era posto em comum”.

Mas vejamos detalhadamente os aspectos dessa unidade.

Primeiro: o Espírito Santo realizava a unidade dos corações e das mentes entre os fiéis, ajudando-os a superar aqueles sentimentos que, na dinâmica da comunhão fraterna, tornavam difícil a sua atuação.

Realmente, o maior obstáculo à unidade é o nosso individualismo. Trata-se do apego às nossas ideias, aos nossos pontos de vista e às preferências pessoais. É por causa do nosso egoísmo que se erguem as barreiras pelas quais nos isolamos e excluímos quem é diferente de nós.

“A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém considerava suas as coisas que possuía, mas tudo entre eles era posto em comum”.

A unidade realizada pelo Espírito Santo refletia-se necessariamente, também, na vida concreta dos fiéis. A unidade de pensamento e de coração encarnava-se e manifestava-se numa solidariedade concreta, por meio da partilha dos próprios bens com os irmãos e as irmãs que passavam necessidade. Justamente por ser uma unidade autêntica, ela não tolerava que, na comunidade cristã, alguns vivessem na abundância, enquanto outros não tivessem nem mesmo o necessário.

“A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém considerava suas as coisas que possuía, mas tudo entre eles era posto em comum”.

Como poderemos viver, então, a Palavra de Vida deste mês? Ela ressalta a comunhão e a unidade que Jesus tanto recomendou, a ponto de doar-nos o seu Espírito para vê-la realizada.

Logo, atentos à voz do Espírito Santo, procuremos crescer nessa comunhão em todos os níveis. Primeiramente em nível espiritual, superando os germes de divisão que trazemos dentro de nós. Seria, por exemplo, absurdo querermos estar unidos a Jesus e, ao mesmo tempo, estarmos divididos entre nós, comportando-nos de modo individualista, cada um por conta própria, julgando-nos uns aos outros e, quem sabe, rejeitando-nos mutuamente. Portanto, é preciso realizar uma renovada conversão a Deus que nos quer ver unidos.

Além disso, essa Palavra nos ajudará a entender cada vez mais a contradição que existe entre a fé cristã e o uso egoísta dos bens materiais. Ela nos ajudará a realizar uma autêntica solidariedade com aqueles que estão passando necessidade, embora nos limites do que nos é possível .

Essa Palavra nos levará, ainda, a rezar pela unidade dos cristãos e a reforçar os vínculos de unidade e o amor de comunhão com os nossos irmãos e irmãs de outras Igrejas, com os quais temos em comum a única fé e o único espírito de Cristo, recebido no Batismo.

Chiara Lubich


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